Revista Brasileira de Ciências do Esporte Revista Brasileira de Ciências do Esporte
Artigo Original
Treinamento físico aquático melhora capacidade funcional e aptidão física em mulheres com obesidade graus II e III
Aquatic physical training improves functional capacity and physical fitness in grades II and III obese women
El entrenamiento físico acuático mejora la capacidad funcional y la aptitud física en mujeres con grados de obesidad II y III
Guilherme Rodini Zanibonia, Silvia Beatriz Serra Barukia,b,, , Marcelo de Castro Cesara, Irineu Rasera Júniorc, Eli Maria Pazzianotto‐Fortia
a Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), Faculdade de Ciências da Saúde, Programa de Pós‐Graduação em Ciências do Movimento Humano, Piracicaba, SP, Brasil
b Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Licenciatura em Educação Física, Corumbá, MS, Brasil
c Centro de Gastroenterologia e Cirurgia da Obesidade de Piracicaba, Piracicaba, SP, Brasil
Recebido 17 Março 2017, Aceitaram 30 Junho 2018
Resumo

O objetivo foi verificar o efeito de um treinamento físico aquático (TFA) na aptidão física e capacidade funcional de obesas graus II e III. Foram estudadas 14 mulheres com 34,2 ± 8,3 anos e índice de massa corporal (IMC) de 44,76 ± 10,08kg/m2 que fizeram TFA de 12 semanas. Foram avaliados o IMC e as medidas de circunferências, capacidade aeróbia e funcional pelos testes: degrau seis minutos; sentar e levantar e sentar e alcançar, antes e após o TFA. Evidenciou‐se redução significativa na massa corporal, IMC e circunferência da cintura, assim como aumento (p <0,05) na força de membros inferiores, flexibilidade e capacidade aeróbia e funcional. Concluiu‐se que o TFA proposto melhorou a aptidão física e a capacidade funcional de obesas graus II e III.

Abstract

The objective was to investigate the effect of an aquatic physical training (APT) on physical fitness and functional capacity of grades II and III obese women. The study included 14 women aged 34.2 ± 8.3 years and body mass index (BMI) of 44.76 ± 10.08kg/m2 who underwent APT for 12 weeks. BMI and measures of circumferences, aerobic and functional capacity were evaluated by means of tests: six‐minute step; sit‐to‐stand; and sit‐and‐reach, before and after the APT. There was a significant reduction in body mass, BMI and waist circumference as well as an increase (p <0.05) in lower limb strength, flexibility and aerobic and functional capacity. The proposed APT improved the physical fitness and the functional capacity of grades II and III obese women.

Resumen

El objetivo fue comprobar el efecto de un entrenamiento físico acuático (EFA) en la aptitud física y la capacidad funcional de mujeres obesas de los grados II y III. Se estudiaron 14 mujeres con edad de 34,2±8,3 años e índice de masa corporal (IMC) de 44,76±10,08 kg/m2 que realizaron entrenamiento físico acuático de 12 semanas. Se evaluaron el IMC y las medidas de perímetros, capacidad aeróbica y funcional de las pruebas: simulador de escalera durante 6 minutos; sentarse y levantarse, y sentarse y estirarse, antes y después del entrenamiento físico acuático. Se evidenció una reducción importante de la masa corporal, IMC y perímetro de la cintura, así como aumento (p <0,05) de la fuerza de miembros inferiores, flexibilidad y capacidad aeróbica y funcional. Se concluye que el entrenamiento físico acuático propuesto mejoró la aptitud física y la capacidad funcional de mujeres obesas de los grados II y III.

Palavras‐chave
Índice de massa corporal, Aptidão física, Obesidade mórbida, Antropometria
Keywords
Body mass index, Physical fitness, Obesity, morbid, Anthropometry
Palabras clave
Índice de masa corporal, Aptitud física, Obesidad mórbida, Antropometría
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Introdução

A obesidade e o sobrepeso são fatores de risco para doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. Em 2014, a prevalência mundial de sobrepeso e obesidade foi de 39% e 13%, respectivamente, em adultos acima dos 18 anos. Trata‐se de um problema de saúde pública mundial, responsável por 63% das mortes no mundo todo (WHO, 2016). No Brasil, o sobrepeso atinge metade das pessoas acima de 20 anos e a obesidade, quase 15% da população (IBGE, 2010). Adiciona‐se a esses dados o número crescente de obesos graus II e III, com índice de massa corporal (IMC) ≥ 35kg/m2 e ≥ 40kg/m2 (obesidade mórbida), respectivamente (Abeso, 2016), uma preocupação atual nos estudos epidemiológicos com adultos (Santos et al., 2010; National Obesity Observatory, 2014).

O aumento da obesidade pode ser atribuído à ingesta predominante de alimentos ricos em gordura e açúcar e à diminuição da atividade física, influenciadas pelas mudanças no estilo de vida (WHO, 2015). O exercício físico atua favoravelmente nesse processo, pois diminui o peso corporal, contribui para o controle dos fatores de risco cardiometabólicos associados às comorbidades, como gordura abdominal, perfil lipídico, glicemia de jejum, pressão arterial e síndrome metabólica e melhora a qualidade de vida e a capacidade funcional de obesos (Strasser, 2013; Goodpaster et al., 2010; Marcon et al., 2011).

Obesos graus II e III têm maior risco de mortalidade por doenças crônicas (Wee et al., 2011; Pataky et al., 2014), baixo condicionamento físico e dificuldades motoras, como limitações na caminhada, que afetam a capacidade funcional e a eficiência nas atividades diárias (Orsi et al., 2008; King et al., 2012), especialmente nos movimentos de flexibilidade, velocidade e equilíbrio (Waldburger et al., 2016).

O treinamento físico aquático (TFA) tem proporcionado resultados similares aos exercícios feitos em solo, com semelhante gasto energético, no controle e na redução da gordura corporal e na melhoria da aptidão cardiorrespiratória (Alberton et al., 2005) e do sistema imunológico (Hall‐López et al., 2015). Promove a hipotensão pós‐exercício em idosos hipertensos (Souto et al., 2015), melhora a qualidade de vida, a capacidade funcional, a força e a flexibilidade, previne lesões (Aguiar e Gurgel, 2009), com redução do impacto articular, em função do meio aquático. Os benefícios do TFA com obesos graus II e III abrem uma nova área de investigação, a fim de aprimorar o seu tratamento, diminuir os riscos para as doenças cardiometabólicas (Miller et al., 2016) e discutir os efeitos da atividade física nos resultados da cirurgia bariátrica (Herring et al., 2016).

Além desses fatores e devido à escassez de estudos científicos com essa população (uma vez que a maior parte é voltada para obesos graus I e II), são necessários mais estudos, a fim de produzir dados que contribuam para as políticas públicas de saúde, salientando a efetividade e a relação de custo‐benefício de tratamentos não invasivos, direcionados para mudanças no estilo de vida, entre elas a prática de exercícios físicos e o controle alimentar (Hassan et al., 2016).

Diante desse contexto e das especificidades da população de obesos, a hipótese deste estudo é que o TFA, com exercícios aeróbios e resistidos por um período de 12 semanas, seja uma estratégia terapêutica eficaz como tratamento não medicamentoso da obesidade graus II e III. O objetivo da investigação foi avaliar os efeitos de um programa de TFA com exercícios aeróbios e resistidos, de 12 semanas, na aptidão física relacionada à saúde e na capacidade funcional de mulheres obesas graus II e III.

Material e métodos

Participaram do estudo 14 voluntárias, conforme os critérios de inclusão: entre 20 e 59 anos; IMC ≥ 35 e <55kg/m2 e liberação médica para os exercícios físicos. Foram excluídas as voluntárias com hipertensão, diabetes e cardiopatias descompensadas, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma e alterações musculoesqueléticas e/ou neuromusculares; que participam/participaram de treinamento físico atualmente ou nos últimos seis meses; grávidas ou em período de puerpério; com doenças dermatológicas, reações alérgicas ao cloro, incontinência urinária e hidrofobia; e aquelas que não se adaptaram ao treinamento aquático. Todas as voluntárias foram informadas sobre a investigação e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido antes do início da pesquisa. O estudo atendeu às normas da resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e foi aprovado por Comitê de Ética e Pesquisa, sob o parecer 19/2014.

As avaliações aconteceram em dois dias, com 72 horas de intervalo. No primeiro dia, foram coletados dados de massa corporal (MC), estatura, medidas de circunferências de cintura (CC) e de quadril (CQ), eletrocardiograma (ECG) de repouso e teste de esforço cardiopulmonar (TECP), para determinar a intensidade do treinamento. Para a avaliação da MC (kg), foi usada a balança digital antropométrica, marca Welmy 300, com precisão de 100g e capacidade máxima para 300kg. Na avaliação da estatura (m), foi usada a toesa metálica da mesma balança. A mensuração da CC (cm) foi feita no ponto médio entre a margem da última costela e a margem superior da crista ilíaca; e da CQ (cm), no nível do trocânter maior do fêmur, na posição em pé, com braços ao longo do corpo e o peso uniformemente distribuído (WHO, 2008). Com a finalidade de prescrição da intensidade do exercício, foi feito o TECP em esteira elétrica (Inbrasport ATL, Porto Alegre, RS, Brasil), segundo o protocolo de Bruce, somente antes do TFA. As variáveis ventilatórias e metabólicas foram registradas durante todo o TECP, por meio do software BreezeSuite 6.0. Cada voluntária recebeu orientações sobre como proceder na véspera e no dia dos testes (Meneghelo et al., 2010; Carvalho et al., 2015).

Para avaliar a capacidade cardiorrespiratória, aplicou‐se o Teste do Degrau de 6 minutos (TD6), para determinar o consumo máximo de oxigênio (VO2máx), de forma indireta, em um degrau de 20cm de altura (Tryexx Fitness, São Paulo, Brasil), no qual as voluntárias foram orientadas a subir o maior número de vezes, durante seis minutos (Dal Corso et al., 2007; Pessoa et al., 2012). Para o cálculo indireto do VO2máx, adotou‐se a fórmula do American College of Sports and Medicine (2007) para o gênero feminino: VO2mLkgmin= 0,2 x (ritmo de subidas) + 1,33 x 1,8 x (altura do degrau em metros) x (ritmo de subidas) + 3,5. O ritmo de subidas foi auferido dividindo‐se o número de subidas no degrau pelo tempo de seis minutos. Os valores alcançados no número e no ritmo de subidas no degrau foram usados para expressar a capacidade funcional das voluntárias (Carvalho et al., 2015).

No segundo dia, procedeu‐se à avaliação da força muscular indireta dos membros inferiores, com o teste Sentar e Levantar (SL). Em uma cadeira com altura de 40cm, as voluntárias deveriam sentar e levantar o maior número de vezes, em 30 segundos, sem a ajuda dos braços, em uma única tentativa (Stegen et al., 2011). A seguir, avaliou‐se a flexibilidade do tronco e dos músculos isquiotibiais, por meio do teste de Sentar e Alcançar (SA), no banco de Wells, na posição sentada sobre uma maca, com os membros inferiores estendidos e os pés sem calçados (Cardoso et al., 2007). No fim do estudo, as voluntárias foram reavaliadas.

As voluntárias foram submetidas a um programa de TFA feito em piscina coberta, com temperatura da água controlada de 29 a 31,5°C e profundidade entre 1,30 e 1,60m. Nesse período, não participaram de qualquer outro programa de exercícios físicos. As sessões foram ministradas em três fases: aquecimento (caminhadas ou movimentos de hidroginástica) e alongamento, dentro da piscina; treinamento aeróbio e resistido com halteres, aquatubs, deslocamentos na piscina, cama elástica e outros materiais adequados ao treinamento aquático; e relaxamento final, com atividades de coordenação motora, brincadeiras com bola, jogos de estafeta, alongamento e relaxamento. Os exercícios usados no TFA foram: Polichinelo (adução e abdução de quadril); Corrida (flexão de quadril e joelho); Corrida passo curto (flexão de quadril e joelho) com deslocamento pela piscina com passos curtos e elevação do joelho; Bicicleta (tríplice‐flexão de membros inferiores) unilateral e alternância com o membro contralateral; Deslizamento na borda (flexoextensão do quadril): membros superiores apoiados na borda da piscina; Saltitos (tríplice‐flexão de membros inferiores): saltando para o lado direito e alternando para o lado esquerdo; Chuta‐empurra (abdução do quadril e extensão do joelho), chute lateral com abdução do quadril e extensão do joelho, alternando o lado; Adução e abdução do ombro com ou sem carga externa; Adução e abdução horizontal do ombro: com ou sem resistência; Empurra‐puxa (flexoextensão de ombros alternados bilateralmente); Jogar bola: movimento de vôlei; Twist (rotação de tronco); Flexão lateral do tronco; Abdominal: com aquatubs nas costas, fazer flexão de joelhos e quadril, trazendo‐os contra o tórax; Coice (extensão de quadril e flexão de joelho); Chute cancan (flexão de quadril e extensão de joelho unilateral, alternando com o membro contralateral); Corrida passo longo (flexão de quadril e semiflexão de joelho percorrendo a piscina com passos largos); Bater‐perna (flexoextensão do quadril em decúbito ventral; Circundução do quadril (fazendo um amplo círculo com o joelho em extensão); Saltar e chutar (saltar com um membro inferior e chutar com o outro); Salto na cama elástica e subir e descer do step. Para o desaquecimento e relaxamento, os aquatubs foram posicionados atrás do pescoço durante o ato de boiar e foram feitas caminhadas livres pela piscina. No fim da sessão, foram feitos alongamentos estáticos para os grandes grupos musculares trabalhados na sessão, durante 10 a 30 segundos, com movimentos específicos para membros inferiores, superiores e tronco, sustentando a posição até um leve desconforto, conforme recomendações do ASCM (2011).

O treinamento físico foi de moderada intensidade, com frequência cardíaca entre 60 e 75% da FC obtida no pico do esforço no TECP, monitorada por frequencímetros da marca Polar FT1 (Polar Electro Co. Lta. Kemple, Finland), durante a fase aeróbia; e constou de 32 sessões, de 40 a 60 minutos, duas a três vezes por semana, durante 12 semanas. No primeiro mês, a frequência do treinamento físico foi de duas vezes por semana. No segundo e terceiro meses, a frequência passou para três vezes por semana, com aumento do volume e da carga de treinamento semanal baseados na adaptação da FC aos estímulos e intensidades do treinamento aquático (fig. 1). Ou seja, quando, num mesmo momento do exercício, as FC estavam abaixo do alvo, aplicaram‐se incrementos de intensidade.

Figura 1.
(0.23MB).

Progressão do treinamento físico em relação ao protocolo ministrado às voluntárias.

A intensidade dos exercícios aeróbios foi monitorada em relação à FCmáx obtida no TECP, controlada, individualmente, por frequencímetros da marca Polar FT1 (Polar Electro Co. Lta. Kemple, Finland). Entretanto, considerando‐se o treinamento aquático e o efeito bradicárdico da imersão (Alberton e Kruel, 2009), o valor real correspondeu a uma redução em 12 batimentos cardíacos, conforme ajuste proposto por DiCarlo et al. (1991) para exercícios físicos feitos na água.

Análise estatística

Os dados obtidos do estudo foram tabulados e submetidos a análises de estatística descritiva. Posteriormente foram aplicados histogramas para verificar a distribuição dos dados e o teste de Shapiro‐Wilk foi usado para determinar a normalidade dos dados. Foi feita a análise de variância (Anova) de duas medidas repetidas no tempo para apreciar a relação causa e efeito do TFA nas características antropométricas, na aptidão física e na capacidade funcional. Tomaram‐se como variáveis dependentes os resultados da avaliação das caraterísticas antropométricas e dos testes para a avaliação da capacidade funcional e da aptidão física, antes (tempo 1) e após (tempo 2) a intervenção. O tempo 1 e o tempo 2 foram considerados os fatores de repetição (variável independente). Para as análises estatísticas, usou‐se o software SAS com o procedure mixed (para análise de variância com dado repetido no tempo) e o teste de Fisher (F) para o teste de médias ajustadas pelo método dos quadrados mínimos (Least Squares Means), e o nível de significância adotado foi de 5% (p <0,05).

Resultados

A amostra foi composta por 14 mulheres que completaram a intervenção e as avaliações do programa. A tabela 1 mostra os resultados estatísticos da comparação das medidas antropométricas, capacidade funcional e aptidão física, antes e após o programa de TFA.

Tabela 1.

Comparação da idade, das variáveis antropométricas, da capacidade funcional e da aptidão física das voluntárias, antes e após o TFA. Valores expressos em média e desvio‐padrão

  Antes TFA
(n=14) 
Após TFA
(n=14) 
Idade (anos)  34,21 ± 8,32  34,21 ± 8,32 
Massa corporal (kg)  118,21±25,87  116,73±25,98  0,03 
IMC (kg/m244,76 ± 10,08  44,19 ± 10,16  0,04 
CC (cm)  119,75 ± 15,74  117,4 ± 16,97  0,009 
CQ (cm)  136,03 ± 19,17  135,1 ± 19,51  0,08 
RCQ  0,88 ± 0,047  0,87 ± 0,052  0,08 
NSD (n° de subidas)  118,6 ± 20,57  129,32 ± 24,307  <0,0001 
RSD  19,77 ± 3,43  21,55 ± 4,05  <0,0001 
VO2máx (ml/kg/min)  16,92 ± 2,33  18,13 ± 2,76  <0,0001 
SL (n° de movimentos)  8,97 ± 2,07  11,67 ± 3,41  <0,0001 
SA (cm)  10,31 ± 8,48  14,01 ± 10,72  0,0006 

CC: circunferência de cintura; CQ: circunferência do quadril; IMC: índice de massa corporal; NSD: número de subidas no teste do degrau 6 minutos (TD6); RCQ: relação cintura/quadril; RSD: ritmo de subidas no degrau; SA: teste de sentar e alcançar; SL: teste de sentar e levantar; TFA: treinamento físico aquático; VO2máx: valores de VO2 obtidos no TD6.

p <0,05: significativo

Por meio das análises de variância, na aptidão física relacionada à saúde evidenciou‐se diferença significativa na massa corporal (p = 0,03), IMC (p = 0,04), e CC (p = 0,009), no número de movimentos de sentar e levantar durante o teste de SL (p <0,0001), na distância alcançada durante o teste de SA (p <0,0006) e na capacidade cardiorrespiratória (VO2máx) (p <0,0001), após o TFA. Quanto à capacidade funcional, verificou‐se aumento no número de subidas no TD6 (p <0,0001) e no ritmo de subidas no TD6 (p <0,0001), quando comparados antes e após o TFA.

Discussão

Os principais benefícios do TFA proposto neste estudo foram a redução da massa corporal, do IMC e da CC; e a melhoria da capacidade cardiorrespiratória e da capacidade funcional de mulheres com obesidade graus II e III.

Esses resultados significativos em relação à redução da massa corporal, IMC e CC são bons indicadores para a saúde. Em relação à CC, a obesidade abdominal está associada a desajustes metabólicos e é um dos cinco marcadores da síndrome metabólica (SBC, 2005). É fator de risco para as doenças cardiovasculares e está associada a parâmetros cardiometabólicos como pressão arterial, níveis elevados de triglicerídeos e LDL colesterol e baixos níveis de HDL colesterol (Dos Santos et al., 2014). Além disso, predispõe a um maior risco de morbidade e mortalidade para doenças cardiovasculares, independentemente do IMC (Abeso, 2016; WHO, 2008). Acrescenta‐se a esses dados o estudo de Battie et al. (2016), que evidencia medidas antropométricas de IMC e CC como recursos úteis na predição da hipertensão e do diabetes em mulheres. As respostas significativas na massa corporal, IMC e CC estreitam a relação entre essas características e as medidas de aptidão física e capacidade funcional, proporcionando mais efetividade nas intervenções como caráter preventivo e de monitoramento ao desenvolvimento das doenças cardiovasculares.

Resultados relacionados à redução da massa corporal por meio do TFA também foram relatados por Soares Costa de Mendonça et al. (2014), que constataram maior redução da gordura corporal em mulheres que praticaram hidroginástica, em comparação com as que fizeram treinamento de força e de dança no solo. O mesmo foi registrado por Hall‐López et al. (2015), após treinamento de hidroginástica com mulheres idosas e obesas. Kasprzak e Szcesniak (2014) verificaram importantes reduções não somente nas características antropométricas (massa corporal, IMC e circunferências), mas também no metabolismo lipídico, insulina de jejum, níveis de glicose e índice de resistência à insulina em mulheres com obesidade abdominal, após TFA. Esses resultados benéficos do TFA podem ser explicados pelo fato de os exercícios aquáticos aplicados na intervenção serem predominantemente baseados no metabolismo aeróbico, que envolve como fonte energética os lipídeos e os carboidratos.

A redução de massa corporal e IMC foi relevante achado neste estudo, uma vez que as mulheres obesas estudadas não faziam dieta de forma padronizada e/ou controlada e, de acordo com Hassan et al. (2016), as intervenções mais efetivas para maior perda de peso corporal são as que combinam a dieta aos exercícios físicos. Dessa forma, podem‐se atribuir os achados de redução das características antropométricas ao tipo de exercício usado que, além de contar com os benefícios da água, aprimorou o metabolismo aeróbio.

O TFA melhorou a capacidade cardiorrespiratória, resultado observado com a melhoria no VO2máx, determinado pelo TD6, teste de fácil aplicação, usado para avaliar a aptidão cardiorrespiratória de mulheres obesas e sedentárias (Di Thommazo‐Luporini et al., 2015; Carvalho et al., 2015). Houve aumento também da capacidade funcional (número e ritmo de subidas no degrau), corroborando com Carvalho et al. (2015), que observaram correlação entre essas medidas nas respostas cardiorrespiratórias. Carvalho et al. (2015), efetuando o TD6 em mulheres sedentárias obesas e eutróficas, notaram que o IMC, a idade e o número de subidas no degrau (NSD) explicaram 83% da variância no VO2máx, com moderada para forte correlação do VO2máx, no teste de esforço, com o VO2máx, no TD6 (r = 0,86) e com o NSD (r = 0,80) (p <0,05), onde o grupo de obesas recebeu valores de NSD, média igual a 152 ± 22; e, para o ritmo de subidas, média igual a 25 ± 1. Apesar de os valores encontrados no nosso estudo serem diferentes, ressalta‐se a relação existente entre essas variáveis, o que sustenta o aumento na capacidade cardiorrespiratória com os resultados no TD6, conforme demonstrado na tabela 1.

Evidenciou‐se um ganho de força muscular em membros inferiores, determinado no teste SL, de 8,96 ± 2,07 para 11,67 ± 3,41 (p <0,001), valores semelhantes à investigação de Alves et al. (2004), com diferenças (p <0,001) antes (8,7 ± 1,6) e após a intervenção (14,9 ± 1,8). Bento et al. (2012) descreveram melhorias no teste SL em idosos, após um programa de intervenção, com aumento de 13,79 ± 2,85 para 14,58 ± 2,10 que, apesar de não significativo (p = 0,89), expressa uma resposta clinicamente favorável, principalmente para essa população. Baillot et al. (2013) constataram resultados próximos, com valores de 13 para 15 (p <0,28) no teste de SL, em pacientes à espera da cirurgia bariátrica. Os resultados da presente pesquisa concordam com outros estudos conduzidos na água. Treinamento de força com exercícios de hidroginástica, feito com 52 mulheres (50,4 ± 14,15 anos) durante 24 sessões, efetivou incremento na força muscular nos membros superiores e inferiores (Ambrosini et al., 2010). Os ganhos na força muscular conseguidos com exercícios na água podem ser atribuídos aos movimentos rápidos e em velocidade, que aprimoram as propriedades de resistência da água e se tornam um estímulo para a melhoria da capacidade funcional (Bento et al., 2012).

Neste estudo, a capacidade funcional melhorou, considerando‐se tanto o aumento do VO2máx como o da força muscular, justificando o TFA proposto, pelas limitações do excesso de peso corporal. O ganho de força muscular é relevante para os obesos, pois, embora tenham maior força absoluta, a força relativa é menor, em função da sua massa corporal. O excesso de gordura corporal, na presença de comorbidades como diabetes ou no processo de envelhecimento, que provocam perda de massa e de força muscular, ou sarcopenia, prejudica a execução das atividades físicas diárias e funcionais, aumentando as limitações físicas (Tomlinson et al., 2016). Esse processo, quando associado à obesidade, caracteriza‐se como obesidade sarcopênica. Pessoas com obesidade sarcopênica têm duas a três vezes mais probabilidade de apresentar limitações físicas, se comparadas com indivíduos eutróficos com a sarcopenia ou obesos sem sarcopenia (Baumgartner et al., 2004).

Em relação ao teste SA, a melhoria significativa da flexibilidade não foi esperada, tendo em vista que o treinamento aquático não teve especificidade para essa capacidade neuromotora. Empreenderam‐se apenas exercícios de alongamento, ao iniciar as sessões, como aquecimento e, no fim das sessões, para resfriamento. Estudos semelhantes, apesar de metodologias diferentes para o teste SA, obtiveram respostas positivas na flexibilidade em mulheres idosas, após intervenções na água (Alves et al., 2004; Tsourlou et al., 2006). Segundo Bento et al. (2012), o ganho de flexibilidade pode ser explicado pelos efeitos da água na amplitude do movimento das articulações. Waldburger et al. (2016) encontraram valores semelhantes entre mulheres obesas e não obesas no teste SA, indicando que o excesso de peso corporal não afetou negativamente a flexibilidade. Por outro lado, apresentaram redução no equilíbrio. Vaquero‐Cristóbal et al. (2013) concluíram o oposto, ou seja, mulheres com menores valores de IMC exibiram melhores escores nos testes de capacidade funcional, entre eles o teste de flexibilidade. No presente estudo, além dos benefícios da água, atribui‐se o incremento da flexibilidade ao treinamento de força, já que favorece a flexibilidade, segundo revisão sistemática de Correia et al. (2014), na qual foi constatado que o aumento de força muscular contribui para maior amplitude de movimento e, consequentemente, maior flexibilidade.

Intervenções com exercícios físicos e hábitos alimentares trazem benefícios para a composição corporal, a capacidade funcional, a qualidade de vida, a aptidão física e para a redução dos fatores de risco cardiometabólicos em obesos mórbidos (Danielsen et al., 2013; Crowe et al., 2015; Miller et al., 2016). Assim, o TFA consiste em um valioso recurso no tratamento da obesidade. É recomendado na fase pré‐operatória de cirurgias bariátricas, com o objetivo de auxiliar na recuperação pós‐operatória (Stegen et al., 2011; Pazzianotto‐Forti et al., 2013).

Ressaltando‐se que composição corporal, força muscular, aptidão cardiorrespiratória e flexibilidade são componentes da aptidão física relacionada à saúde (ACSM, 2011) e diante dos resultados do estudo, as atividades aquáticas tornam‐se uma boa modalidade de exercícios, principalmente para os obesos mórbidos. Além de proporcionar‐lhes efetividade e segurança, apesar das suas restrições musculoesqueléticas (Boidin et al., 2015; Greene et al., 2009), trazem benefícios para a dor, para as funções físicas e para a qualidade de vida, semelhantes aos exercícios físicos feitos no solo (Barker et al., 2014). Entretanto, apesar dos aspectos favoráveis do TFA para obesos graus II e III identificados neste estudo, outras investigações são necessárias na busca de mais evidências científicas em relação à sua efetividade. A metodologia de TFA proposta neste estudo oferece fomento para outras pesquisas na área, propiciando novas possibilidades no tratamento da obesidade graus II e III.

Conclusão

O treinamento físico aquático realizado neste estudo foi efetivo na melhoria da aptidão física e da capacidade funcional de mulheres com obesidade graus II e III, evidenciada pelo aumento no desempenho nos testes TD6, SL e SA. A metodologia proposta pode ser uma estratégia importante no tratamento não medicamentoso da obesidade.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Financiamento

Taxa Programa de Suporte à Pós‐Graduação de Instituições de Ensino Particulares (Prosup)/Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes): Guilherme Rodini Zaniboni e Silvia Beatriz Serra Baruki.

Agradecimentos

À Profa Dra Regina Baruki‐Fonseca, pela tradução do abstract e pela correção ortográfica; à Profa Bertha Salek Sokolovsky, pela tradução do resumen; e ao Dr. Urbano Gomes Pinto de Abreu, pelas análises estatísticas.

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Autor para correspondência. (Silvia Beatriz Serra Baruki sbaruki@yahoo.com.br)