Revista Brasileira de Ciências do Esporte Revista Brasileira de Ciências do Esporte
Artigo original
Ruas de recreio na cidade de Belo Horizonte (fim da década de 1950 até 1980)
Recreation streets in the city of Belo Horizonte (from the end of the 1950s to the 1980s)
Calles de esparcimiento en la ciudad de Belo Horizonte (desde finales de la década de 1950 hasta 1980)
Maria Cristina Rosaa,, , Jennyfer Thais Alves Ferreirab
a Universidade Federal de Minas Gerais Departamento de Educação Física da Escola de Educação Física, Pós‐Graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer, Centro de Memória da Educação Física, do Esporte e do Lazer, Belo Horizonte, MG, Brasil
b Universidade Federal de Minas Gerais, Bolsista de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, Centro de Memória da Educação Física, do Esporte e do Lazer, Belo Horizonte, MG, Brasil
Recebido 17 Maio 2018, Aceitaram 17 Setembro 2018
Resumo

Nesta pesquisa, buscou‐se compreender a constituição e a ocorrência de ruas de recreio em Belo Horizonte no fim da década de 1950 até a de 1980. Foram usadas fontes manuscritas, impressas, orais e audiovisuais. Identificaram‐se pistas sobre planejamento, solicitação e/ou organização de 45 ruas de recreio, principalmente em datas comemorativas, que envolveram instituições públicas e privadas. O objetivo foi proporcionar atividades recreativas e físicas orientadas, de cunho educativo, para crianças. O número crescente de ruas de recreio no período, a presença em eventos expressivos da cidade, o significativo envolvimento da Escola de Educação Física e da Diretoria de Esportes, dentre outros, denotam sua importância no contexto estudado.

Abstract

In this research, tried to understand both the constitution and the occurrence of recreation streets in Belo Horizonte, in the late 1950s to the 1980s. Handwritten, printed, oral, and audiovisual sources were used. Clues about realization, planning, and/or requests of forty‐five recreation streets have been identified, mainly related to commemorative dates and in school spaces, involving public and private institutions. The goal was to provide recreational and physical‐oriented educational activities for children. The increasing number of recreation streets in this period, the presence in expressive events of the city, the meaningful involvement of the Physical Education School and of the Sports Director, among other reasons, reveal their importance in the content studied.

Resumen

El objetivo de esta investigación era comprender la constitución y aparición de calles de esparcimiento en Belo Horizonte desde finales de la década de 1950 hasta 1980. Se utilizaron fuentes manuscritas, impresas, orales y audiovisuales. Se identificaron pistas sobre realización, planeamiento o solicitud de 45 calles de esparcimiento, principalmente en fechas conmemorativas y en espacios escolares, desarrolladas por instituciones públicas y privadas. El objetivo era ofrecer actividades recreativas y con orientación física, de naturaleza educativa, para niños. El número creciente de calles de esparcimiento en ese período, la existencia en eventos de expresión de la ciudad, el importante desarrollo de la Escuela de Educación Física y de la Dirección de Deportes, entre otros acontecimientos, denotan su importancia.

Palavras‐chave
Recreação, Criança, Educação, Educação física e treinamento
Keywords
Recreation, Child, Education, Physical education and training
Palabras clave
Esparcimiento, Niños, Educación, Educación física y entrenamiento
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Introdução

Pesquisadores no âmbito da recreação e do lazer, ao tratar de intervenções, abordam temas como colônias de férias, ruas de lazer e acampamentos. As ruas de recreio, especificamente, têm sido abordadas de forma indireta em trabalhos sobre temas diversos, como cadeira de recreação (Bernardini, 2017; Silva, 2006), Diretoria de Esportes de Minas Gerais (DEMG) (Rodrigues & Costa, 2014), concursos públicos para provimento de cadeira (Oliveira, 2014), Jornadas Internacionais de Educação Física (Lima, 2012) e ruas de lazer (Munhoz, 2004). Poucos pesquisadores, como Ferreira (2017), Rosa et al. (2015), Silva e Lima (2011), Oliveira et al. (2009) e Vilhena et al. (no prelo), têm as ruas de recreio como objeto de estudo, são relevantes novos trabalhos.

Sobre Minas Gerais, cuja capital é Belo Horizonte, recorte espacial deste artigo, há registros de ruas de recreio desde o fim da década de 1950. Um marco importante para essa data, citado por Rodrigues e Costa (2014), Munhoz (2004) e Vilhena et al. (no prelo), é a Campanha de Difusão das Ruas de Recreio de 1958, proposta pela Divisão de Educação Física do Ministério da Educação e Cultura e instituída pela Portaria Ministerial n° 3, de 6 de janeiro de 1958, prevista para ocorrer em todo o país e sobre a qual há informações de implantação em Minas Gerais(Revista Educação Física, 1958).

Há, todavia, indícios de que as ruas de recreio já ocorriam no estado antes, como pode ser observado em Silva e Lima (2011); no relato da delegação da DEMG sobre a organização de ruas de recreio no estado durante o III Seminário de Educação Física, organizado e dirigido pela Divisão de Educação Física do Ministério de Educação e Cultura, em Cambuquira/São Paulo, em 1959 (A Gazeta Esportiva, 1959); e na indicação de Rodrigues e Costa (2014) de que essa Divisão, em 1957, havia proposto a realização da Campanha das Ruas de Recreio para a promoção de atividades esportivo‐recreativas em ruas e praças das cidades do país, o que viria a ser adotado pela DEMG.

A DEMG foi o órgão responsável, de 1946 a 1987, pela estruturação e gestão de políticas públicas de esporte em Minas. Dentre suas ações, destacam‐se a construção de praças de esporte em cidades do interior e, consequentemente, a difusão do esporte no estado. Na administração de Sylvio José Raso, com a reforma de 1957, a DEMG ficou responsável, também, por orientar, fiscalizar e amparar atividades desportivas educacionais, dentre elas a promoção de ruas de recreio (Rodrigues & Costa, 2014).

A dimensão educativa das atividades, por muitas vezes fortalecida pelo trabalho em conjunto com a Escola de Educação Física de Minas Gerais (EEF‐MG) – que a partir de 1969, após sua federalização, passou a ser denominada Escola de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais (EEF‐UFMG) –, proporcionou, segundo Rodrigues e Costa (2014), uma estreita ligação da política do esporte com a educação física e a recreação, surgindo as ruas de recreio, que se constituíram como intervenções especialmente para crianças de ambos os sexos, escolares ou não, com o objetivo de proporcionar atividades recreativas e físicas, uma oportunidade de recreação sadia (A Gazeta Esportiva, 1959)1 e orientada.

A EEF – junto com a DEMG ou não – também atuou de forma efetiva no planejamento e na execução de ruas de recreio no estado, de modo particular em Belo Horizonte, onde estava localizada. Nessa instituição, esse conteúdo apareceu de diferentes maneiras, como atividade de continuidade de estudo, de extensão e de formação para alunos regularmente matriculados e para participantes de cursos ofertados pela EEF, junto ou não com outros órgãos governamentais e instituições (Oliveira, 2014); atividade extracurricular (Linhales & Nascimento, 2014); conteúdo recorrente da cadeira recreação e lócus de aplicação de conteúdos da mesma (Bernardini, 2017; Lima, 2012; Silva, 2006)2. Essas iniciativas abrangiam públicos distintos, como pessoas em diferentes estágios da formação, da inicial à continuada.

Pensadas como uma das estratégias para dar visibilidade pública à EEF e legitimar o profissional de educação física, elas difundiram o esporte (Linhales & Nascimento, 2014), a ginástica e a recreação em Minas Gerais, conteúdos em voga na educação física nessa temporalidade (Lima, 2012) e considerados pela EEF – especialmente no Curso Superior de Educação Física – necessários para promover a educação integral do homem (Oliveira, 2014).

Considerando a dimensão educativa das ruas de recreio ao propor divertimento para crianças mediante a feitura de atividades recreativas orientadas, a efetivação e a difusão dessas intervenções na temporalidade estudada na capital, bem como que elas são precursoras das ruas de lazer (Ferreira, 2017) – essas intervenções foram difundidas em políticas públicas de esporte e lazer na década de 1970, como a Campanha Esporte para Todos (EPT)3, e que persistem até os dias atuais e fazem parte de ações desenvolvidas por políticas de lazer na maioria de municípios e estados brasileiros (Rodrigues & Costa, 2014) –, neste artigo busca‐se compreender a constituição e a ocorrência das ruas de recreio em Belo Horizonte/MG do fim da década de 1950 até a de 1980.

A pesquisa historiográfica ocorreu por meio de pesquisa documental no Centro de Memória da Educação Física, do Esporte e do Lazer (Cemef) da UFMG. Diferentes tipos documentais foram examinados, como entrevistas, recortes de jornais, planejamentos, fotografias, palestras, cartilhas, regulamentação, material de divulgação, livros, correspondências, planos de aula, programas de curso, bilhetes, listas de assinatura, apostilas, diários de classe, programas de cadeira, provas e cronogramas. Também foram pesquisados registros audiovisuais no acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS), em Belo Horizonte.

O recorte temporal inicial foi delimitado pelos vestígios encontrados desde 1950 e o final pela data limite do acervo do Cemef, do qual foi mobilizado o maior volume documental em análise. A diversidade de tipos documentais e da qualidade de informações contidas nas fontes revela a riqueza dos acervos em informações sobre o objeto em tela, bem como sua relevância no contexto temporal e espacial estudado.

Periodicidade das ruas de recreio

Foram localizadas 43 ruas de recreio em Belo Horizonte e mais duas – em 1959 e 1962 – simultaneamente com outras cidades do estado, totalizando 45 ocorrências, o que não quer dizer que não houve outras ações nessa temporalidade. Isso, todavia, não é um limite deste estudo, uma vez que não é possível acessar a totalidade de dado fenômeno ou reconstruir o passado. Trabalha‐se com vestígios.

Na pesquisa, da qual este artigo é parte, examinou‐se amplo volume documental que permitiu identificar, mapear e categorizar dados originais sobre a constituição das ruas de recreio, proporcionaram‐se novas indagações e aprofundamento das análises. Existem, todavia, tipos documentais, como revistas, jornais e arquivos sobre Belo Horizonte, que não foram investigados. Ademais, acervos que detêm documentação referente à DEMG e ao Sesi devem ser investigados.

Um indicativo da necessidade de novos estudos é que, ao trabalhar com fontes orais, Silva e Lima (2011) destacam a organização de ruas de recreio nas décadas de 1950 e 1960, diferentemente do que se observa na figura 1, que traz dados referentes às ruas de recreio mapeadas neste estudo.

Figura 1.
(0.03MB).

Quantidade de ruas de recreio por décadas

Fonte: Dados da pesquisa.

Na década de 1950, segundo Silva (2006), as ruas de recreio constituíam ações que objetivavam reafirmar a necessidade da criação da cadeira recreação na EEF. Após sua criação, em 1962, passaram a ocorrer com mais frequência. Em diários de classe e programas dessa cadeira elas surgem como uma forma de aplicação de conteúdos ministrados tanto na teoria quanto na prática4, servem como locus de aprendizagem, mediante a participação dos discentes no planejamento e na execução da intervenção, bem como de avaliação de conteúdos ministrados, constituindo‐se, pois, como um importante dispositivo pedagógico na formação. Além disso, ex‐alunos da EEF, como Owalder Rolim e José Rodrigues Bicalho, tornaram‐se funcionários da DEMG e do Sesi e organizaram ruas de recreio na cidade (Bicalho, 2010; Rolim, 2009; Bessone, 2009; Santo, 2009), revelando a aplicação de conteúdos adquiridos na formação inicial.

O aumento das ruas de recreio até a década de 1970 (figura 1) mostra o investimento e o envolvimento crescentes de organizadores e executores, como professores, estudantes e funcionários da EEF e equipe técnica da DEMG, no planejamento e na organização de ruas de recreio na cidade, bem como a valorização e o reconhecimento da população e de instituições educacionais que não somente participavam, mas também pediam sua abertura.

As ruas de recreio também estavam atreladas a programas da DEMG que valorizavam a criança, como o Manhã de Recreio e o Parque de Recreio, que ocorriam, respectivamente, na Praça da Liberdade, em homenagem ao Dia das Mães, e no Parque Municipal, no Dia das Crianças. Do mesmo modo, fizeram parte de cursos para estudantes e profissionais de educação física, como as Jornadas Internacionais de Educação Física, que “se constituíram como um conjunto de cursos de aperfeiçoamento técnico e pedagógico realizado pela DEMG, pela EEF‐MG e pela Associação de Ex‐Alunos da EEF‐MG” (Lima, 2012, p. 16).

A DEMG, além disso, investiu na organização e difusão das ruas de recreio em Minas Gerais, bem como na formação e qualificação de profissionais para nelas atuar. Vários cursos foram ofertados – por exemplo, o de Recreação Moderna, em 1965, sob a responsabilidade do professor Odilon Ferraz Barbosa5, o Barbosinha, responsável por ministrar cursos sobre recreação, até no exterior.

O investimento na qualificação de profissionais nesse tema é também revelado por Oliveira (2014). Ao analisar currículos de candidatos a concursos públicos para provimento de cadeira de educação física em escolas estaduais mineiras, o autor mostra que alguns tinham participado de cursos de formação nessa área – por exemplo, do I e do III Estágio Internacional de Educação Física e Recreação no Estado da Guanabara em 1962 e em 1964, respectivamente; do Curso Rua de Recreio, ofertado pela EEF e pela DEMG em 1970; e do II Curso Internacional de Atualização e Aperfeiçoamento em Educação Física e Recreação, realizado na Secretaria da Educação e Cultura do Estado do Paraná, também em 1970.

Esses investimentos não ocorreram por acaso. Na década de 1970, a recreação já fazia parte dos cursos superiores de educação física, estava presente em disciplinas sobre educação física, recreação e jogos; ao mesmo tempo, era abordada especialmente em manuais que se proliferaram (Marcassa, 2004). Além disso, foi um conteúdo muito valorizado nas políticas públicas por estar relacionado com o bom uso do tempo de lazer e a noção de civismo (Pazin, 2014) e ser considerado um dispositivo educacional (Teixeira, 2008).

As ruas de recreio constavam em livros de recreação da biblioteca de professores da EEF, como na de Barbosinha, onde foram encontrados, dentre outros, Recreação para todos: manual teórico‐prático (Teixeira, Figueiredo, 1970)6 e Técnicas de recreación (Cutrera, 1974), em que há fotografias de “las famosas calles de recreo de Brasil” (1974, p. 14) e de um “dia de recreo em uma calle de Araguari, Minas Gerais, Brasil” (1974, p. 15). Esse fato denota a circulação de saberes e práticas sobre as ruas de recreio em países da América Latina que também investiram no esporte‐recreativo, como a Argentina que, como o Brasil, instituiu o EPT.

Outro fator que pode ter contribuído para esse aumento é o fato de o professor Barbosinha, com o auxílio da professora Nela Testa Taranto, ter assumido nesse ano, após a morte do professor Geraldo Gomes de Souza, a cadeira recreação na EEF (Bernardini, 2017; Vilhena et al., no prelo).

Destaque‐se que ele teve um protagonismo na organização dessa cadeira e na forma como a recreação foi apropriada na/pela educação física, é sendo considerado um expert no assunto pela Divisão de Educação Física e Desportos de Santa Catarina (Fonseca et al., 2016). Há várias pistas de que ele planejou e conduziu ruas de recreio em Belo Horizonte. Dos cinco planejamentos localizados7, quatro eram coordenados por ele, dois junto com a professora Nela Testa Taranto (em 1973 e 1980), um com o professor Olavo Amaro da Silveira (em 1973) e um com ambos (1973). No planejamento de 1962 não há identificação de coordenação ou membros da equipe, consta apenas que a promoção seria responsabilidade do Governo do Estado de Minas Gerais, da EEF, da DEMG e da Secretaria de Educação. Todavia, embora nessa época não houvesse ainda a cadeira recreação na EEF, esse conteúdo era trabalhado em outras cadeiras da EEF, como Metodologia da Educação Física e Metodologia do Treinamento Esportivo (Bernardini, 2017; Silva, 2006). Nessa, Barbosinha foi auxiliar.

Na década de 1980, ainda que estudos indiquem a predominância de ruas de lazer e não mais de ruas de recreio (Ferreira, 2017), talvez por influência do EPT, que, com a participação do Movimento Brasileiro de Alfabetização, organizou muitas ruas de lazer no país (Pazin, 2014), verificou‐se que houve recorrência de ruas de recreio em Minas Gerais, como em Ouro Preto e distritos, onde alunos e professores do curso de Magistério em Educação Física da Escola Técnica Federal, atual Instituto Federal de Minas Gerais/Campus Ouro Preto, faziam periodicamente essas intervenções.

Barbosinha, em meados da década de 1980, ministrou curso de recreação para esse grupo, potencializou ações dessa disciplina, que também constituía o currículo desse curso de magistério. Isso leva a crer que nessa década as ruas de recreio também poderiam estar ocorrendo em Belo Horizonte, o que demanda novas pesquisas, uma vez que muitos estudos, como este, vão até 1980.

As ruas de recreio foram agrupadas em planejadas, solicitadas e/ou executadas, o que possibilita novas análises. Todavia, algumas estão simultaneamente em mais de uma dessas três categorias, que não desconsideram a complexidade da dinâmica social em que as ruas de recreio ocorriam.

Ruas de recreio planejadas

As ruas de recreio planejadas foram identificadas com base nos cinco planejamentos, já citados. Todas estavam previstas para ocorrer em dias comemorativos, o que demonstra o caráter especial da ação, bem como seu prestígio em meio à sociedade. Por vezes a divulgação ficava por conta da Rádio Itatiaia e da TV Itacolomi, importantes meios de comunicação da época.

Três ruas de recreio estavam previstas para ocorrer na região centro‐sul da cidade, uma na Avenida Afonso Pena, como parte da V Jornada Cultural, na celebração do 46° Aniversário da UFMG (1973); uma no Quartel do Batalhão da Guarda, em homenagem ao 83° aniversário do Batalhão (1973); e uma no Parque Municipal, em homenagem à Semana da Criança (1962). Duas aconteceriam na região da Pampulha, no Campus da UFMG – uma na Praça de Esportes do Centro Pedagógico, em homenagem à Semana da Pátria (1973), e outra na EEF (1980). Todas seriam executadas em regiões privilegiadas, todavia não pareciam atender preponderantemente um público economicamente abastado, dada a participação com escolas públicas e Secretaria da Educação.

Os planejamentos traziam, geralmente, título que identificava o contexto que iria ocorrer; calendário; público determinado e estimado; órgão executor, patrocinador e/ou colaborador; equipe de trabalho; setores e localização no espaço a ser ocupado pela intervenção; atividades e distribuição nos setores; por vezes um croqui com detalhamento do espaço. Quanto às atividades, observou‐se que constavam:

  • jogos e brincadeiras8: pequenos jogos, grandes jogos, pequenos jogos com bastões, jogos com faixas, jogos com maças, jogos sensoriais, jogos com bolas, jogos calmantes, jogos com cordas, queimada, brinquedos, brincadeiras de salão, brinquedos cantados e rodas;

  • exercícios de ginástica: plinto e colchão, plinto com trampolim, banco sueco, banco sueco com colchão, rolamento com colchão, cavalo de salvamento, cavalo com colchões, combinado alemão e cama elástica;

  • esportes: iniciação ao desporto, voleibol, handebol, futebol de salão, futebol e basquetinho;

  • atividades rítmicas: bandinha, banda rítmica e banda de percussão;

  • dança.

Esses conteúdos eram similares aos de livros de recreação, como o escrito por Teixeira e Figueiredo (1970), no qual são abordados brinquedos cantados, jogos, danças, métodos ginásticos, esporte, iniciação esportiva, organização de bandinhas rítmicas, entre outros. Eram também semelhantes aos ministrados por Barbosinha em cursos sobre recreação, como o que ocorreu em Pelotas, em 1979, cujo programa compreendia danças folclóricas; brincadeiras de salão; pequenos e grandes jogos; brinquedos cantados; jograis; iniciação desportiva; atividades recreativas em plintos, colchões, jornais etc.; cantos folclóricos; sequências pedagógicas de equilíbrio, força, destrezas e ruas de lazer9. Curioso observar que nesse curso aparece a nomenclatura “ruas de lazer”, e não de recreio, o que dá um interessante indício de que a modificação na nomenclatura não compreendia mudança no conteúdo das intervenções, corroborando com Bessone (2009) e Furtado (2009). Outra possibilidade é o fato de a nomenclatura sofrer influência do EPT, então em desenvolvimento.

Em todos os planejamentos as atividades eram organizadas em setores, variava apenas o número de setores e atividades por setor, indicando ruas de recreio com amplitudes e dimensões distintas. As maiores aconteciam no Parque Municipal. Os participantes eram divididos em grupos nos setores e a troca de setor ocorria, geralmente, por sistema de rodízio, como consta no planejamento da rua de recreio da Praça de Esportes do Centro Pedagógico. Um setor comum era o de merenda, patrocinada muitas vezes por empresas privadas, como Companhia Alterosa, Massas Orion, Cruzeiro Esporte Clube, América Futebol Clube, Fábrica de Cerveja Brahma, entre outras.

Em dois planejamentos foi possível identificar a divisão das atividades de acordo com o sexo, talvez uma reprodução do que ocorria em cursos da EEF, como no de Educação Física Infantil (Bernardini, 2017). Essa divisão é apontada por Vilhena et al. (no prelo), todavia eles afirmam que isso ocorria tanto na divisão dos participantes por setores quanto com os professores responsáveis pelos setores, o que diverge das informações presentes nos planejamentos analisados.

Ruas de recreio executadas

As ruas de recreio executadas foram identificadas por meio de fotografias, registro audiovisual, reportagens de jornal e correspondências.

As fotografias, como o audiovisual e os planejamentos, dão pistas importantes sobre equipe de trabalho; pessoas e instituições envolvidas – professores, polícia militar; público atendido – meninas, meninos, muitas vezes uniformizados; locais onde ocorria – praça, quadra, campo, mas principalmente instituições escolares10; atividades executadas– estafeta, roda, rolamento, salto; material usado – plinto, bola, corda, colchão, banco sueco, papel e lápis, cama elástica, rede de voleibol e instrumentos musicais de bandinha, como pandeiro, flauta, triângulo e chocalho.

Foram localizadas fotografias de cinco intervenções: uma no Campo do América Futebol Clube, no bairro Floresta, na década de 1950; uma no Parque Municipal, bairro Centro, em 1960; duas no Campo de Futebol do Cruzeiro, no bairro Barro Preto – uma em 1968 e a outra em 1970, todas as quatro na Região Centro‐Sul da cidade; e outra em uma rua próxima ao Centro Comunitário do bairro Vista Alegre, Região Oeste, em 197211.

Registros audiovisuais das ruas de recreio ainda são raros, para os pesquisadores. No MIS há registro de uma rua de recreio no Parque Municipal, em 1961, como parte das comemorações do 64° aniversário da capital12. O narrador destaca a presença do prefeito, a colaboração de professores de educação física para a feitura do grande acontecimento em homenagem às crianças, bem como a distribuição de refrigerantes, configurando‐se um material de divulgação da gestão administrativa da cidade.

Interessante observar que há pistas sobre outros registros fílmicos, como no jornal A Gazeta Esportiva (1959), em que a reportagem sobre o relato da DEMG sobre atividades físicas e recreativas proporcionadas às crianças indica que durante a narração foram exibidos filmes que revelavam o êxito da iniciativa, todavia não foram localizados.

Recortes de jornal com notícias de ruas de recreio executadas foram encontrados, principalmente, nos Arquivos Pessoais de Professores, Acervo Fernando Campos Furtado. Um exemplo são fragmentos dos jornais Estado de Minas, Diário da Tarde e Folha de Minas Esportiva13, que tratam de uma Manhã de Recreio em homenagem às mães, na Praça da Liberdade, em 1962, onde se executou uma rua de recreio.

As correspondências eram de solicitação ou de resposta a pedidos de rua de recreio. Elas permitem perceber relações entre instituições, como universidade, grupo escolar, prefeitura e estado, bem como compreender a dinâmica de organização do calendário das intervenções.

Foram localizados, por vezes, além de correspondências entre as instituições, registros da ocorrência do evento, como da rua de recreio executada em 1972 no bairro Vista Alegre, Região Oeste da cidade, solicitada à EEF pelo Centro Comunitário do bairro para atender à comunidade e sobre a qual há, além dos registros de solicitação, carta resposta da EEF e fotografias.

Ruas de recreio solicitadas

As ruas de recreio solicitadas são aquelas sobre as quais foram localizadas correspondências que pediam a execução, mas não se sabe se ocorreram, pois não foram encontradas respostas ou outras pistas sobre elas.

Correspondências de sujeitos e/ou instituições públicas e privadas interessados em executar rua de recreio eram enviadas à EEF e/ou à DEMG. Muitas eram de instituição escolar, como da Escola Municipal Maria Modesta Cravo, Escola Estadual Prof. Leon Renault e Colégio Batista Mineiro14. Havia, também, solicitação de prefeituras, políticos e líderes comunitários que almejavam comemorar datas e eventos especiais, como ocorreu na rua de recreio em 23 de abril de 1959 – anunciada como a primeira da cidade –, em homenagem ao Dia do Escoteiro (Jornal Educação Física, 1959).

Além da correspondências, há indícios sobre solicitações em entrevistas de pessoas que participaram do desenvolvimento, do planejamento e da execução de ruas de recreio. Conforme Furtado (2009), “a solicitação às vezes vinha de diretor de grupos escolares, diretor de colégio, prefeito, Câmara Municipal, tudo através da Diretoria de Esportes e da Escola de Educação Física” (p. 5). Outros indícios foram localizados em manuscritos, como em um15 – possivelmente do Barbosinha – em que há uma relação de solicitações de ruas de recreio, anotações sobre datas, número estimado de crianças e, em alguns casos, se poderiam acontecer ou não.

Observa‐se que as solicitações eram feitas com alguns meses de antecedência da data do evento, o mês de outubro era o mais requisitado. O excesso de solicitações para uma mesma ocasião, como na Semana da Criança, era um fator que obstruía o atendimento, como o não cumprimento do prazo de 30 dias para solicitação16.

Considerações finais

As ruas de recreio foram importantes ações no âmbito da recreação e da educação física que possibilitaram a crianças em idade escolar de Belo Horizonte, especialmente alunos, vivenciar atividades recreativas e físicas orientadas, de cunho educativo, em diversos espaços da cidade.

O agrupamento das ruas de recreio planejadas, solicitadas e/ou executadas possibilitou ampliar o entendimento da dinâmica de como aconteciam ou eram planejadas, além de aprofundar o conhecimento sobre estrutura pessoal e material, infraestrutura, teoria que embasava a atividade etc.

A periodicidade crescente das ruas de recreio nas décadas de 1950 a 1970, a presença delas em eventos importantes da cidade, o envolvimento contínuo da EEF e da DEMG no planejamento e na execução das ações – não somente na capital, mas em outras cidades de Minas Gerais –, o reconhecimento da população da cidade ao demandar novos eventos e sua adesão ao participar das intervenções, o fato de esse conteúdo ter sido privilegiado na formação de professores de educação física, a participação de professores em diferentes cadeiras da EEF, bem como de outras instituições em ruas de recreio, a divulgação de ruas de recreio executadas em Minas Gerais em publicações em outros países, entre outros aspectos, denotam a importância desse fenômeno na ambiência estudada.

Neste artigo, apresentou‐se como limite o recorte temporal final, todavia novos acervos estão sendo pesquisados, possibilitando a ampliação da temporalidade e das análises, com a produção de outras inferências.

Os dados apresentados e analisados, embora não abranjam todas as intervenções planejadas, solicitadas e/ou executadas no período estudado, são inéditos e revelam uma dinâmica importante desses eventos na cidade, que, ao privilegiar o público infantil, mobilizava pessoas, órgãos e instituições em ações que possibilitavam, entre outros aspectos, novas formas de educação, de recreação e de apropriação de espaços urbanos.

Financiamento

Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais, FAPEMIG.

Conflitos de interesse

As autoras declaram não haver conflitos de interesse.

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Oliveira GSL, et al. Memórias das ruas de recreio: trajetórias iniciais de uma pesquisa. In: Anais do 11. Congresso Nacional de História do Esporte, Educação Física, Lazer e Dança; 2009; Viçosa, MG.
Pazin, 2014
N.P.A. Pazin
Esporte para Todos (EPT): a reinvenção da alegria brasileira (1971‐1985)
Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de História, (2014)
Tese de doutorado
REF, 1958
Revista Educação Física. Ruas de recreio, abr. 1958.
Rodrigues e Costa, 2014
M.A.A. Rodrigues,L.C.L.R. Costa
Diretoria de Esportes de Minas Gerais: suas políticas, sua história (1946‐1987)
Um olhar sobre a trajetória das políticas públicas de esporte em Minas Gerais: 1927 a 2006., 1ª. ed., pp. 47-117
Rolim, 2009
Rolim O. [Entrevista a Guilherme de S. L. Oliveira e Samuel Santos]. Belo Horizonte, 13 mai. 2009.
Rosa et al., 2015
Rosa MC, Fonseca LL, Ferreira JTA. Potencial da Coleção História Oral do Cemef para estudo da educação do corpo. Anais do 8. Congresso de Pesquisa e Ensino de História da Educação em Minas Gerais; 2015; Belo Horizonte; 2015. p. 144‐159.
Santo, 2009
Santo LE. [Entrevista concedida a Kellen N. Vilhena e Guilherme de S. L. Oliveira]. Belo Horizonte, 25 ago. 2009.
Silva e Lima, 2011
Silva LVR, Lima CDMD. Vestígios de uma história: memórias das ruas de recreio em Minas Gerais (1950‐1960). Anais do 4. CONICE, 17. Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte; 2011; Porto Alegre; 2011. p. 1‐8.
Silva, 2006
M.G.C. Silva
Uma história da recreação (1952‐1970): constituição inicial da disciplina na Escola de Educação Física de Minas Gerais. In: Anais do 6. Congresso Luso‐Brasileiro de História da Educação; 2006; Uberlândia, (2006), pp. 4639-4650
Teixeira, 2008
S. Teixeira
O lazer e a recreação na Revista Brasileira de Educação Física e Desportos como dispositivos educacionais (1968‐1984)
Universidade Federal de Uberlândia, Faculdade de Educação, (2008)
Dissertação de mestrado
Teixeira e Figueiredo, 1970
M.S. Teixeira,J.S. Figueiredo
Recreação para todos: manual teorico‐prático
2ª. ed., Obelisco, (1970)
Vilhena et al., no prelo
Vilhena K.N. Silva L.V.R. Fernandes J.C. Alinhavando retalhos: uma história das ruas de recreio em Minas Gerais. In: Vilhena K.N., Lima C.D.M.D.(eds.), Memórias de esportes e ruas de recreio: Belo Horizonte, 1940‐1980. Belo Horizonte, Ed. UFMG [prelo]

Cemef, Arquivos Pessoais de Professores, Acervo Odilon José Ferraz, 01 a 017 CX. 01/ PT. 24.

Há apontamentos que indicam a participação do Serviço Social da Indústria (Sesi) nesse processo (Bernardini, 2017; Lima, 2012; Vilhena et al., no prelo), todavia as fontes mobilizadas não possibilitam aprofundar‐se nesse tema.

O EPT funcionou no Brasil de 1977 a 1979, durante o período de ditadura civil‐militar, mediante programas de atividade física e de lazer para a população, as ruas de lazer são uma das ações promovidas (Pazin, 2014).

Cemef, Arquivos Institucionais, Fundo 01, Cx.20 ‐ PT. 18; Cemef, Arquivos Institucionais, Fundo 01, Cx.16 – PT. 10.

Cemef, Arquivos Pessoais de Professores, Odilon Ferraz Barbosa, Cx.01 ‐ PT. 01.

Esse livro é citado por Marcassa (2004) como importante referência sobre recreação para a área de educação física.

Cemef, Arquivos Institucionais, Fundo 02, 116 - Cx. 59 - PT. 09; Cemef, Arquivos Institucionais, Fundo 02, 142 - Cx. 59 - PT. 09; Cemef, Arquivos Pessoais de Professores, Acervo Fernando Campos Furtado, Cx. 01 - PT. 09; Cemef, Arquivos Institucionais, Fundo 02, 033 - Cx. 16 - PT. 08; Cemef, Arquivos Institucionais, Fundo 02, 021 - Cx. 16 - PT. 09.

Esse agrupamento das atividades é resultado da sistematização e análise dos dados.

Cemef, Arquivos Pessoais de Professores, Acervo Odilon Ferraz Barbosa, Cx. 03 ‐ PT. 10 02.

Os espaços onde ocorriam as ruas de recreio serão discutidos em outro artigo.

Cemef, Arquivo Iconográfico, Cx.12, n° 29, 207, 208, 210; Cx. 13, n° 657, 707, 709, 710; Álbum 10, n° 1449, 1450.

MIS, Índice 73/6, Aniversário de Belo Horizonte – MG (Telecinado).

Cemef, Acervo Fernando Campos Furtado 04 ‐ Cx. 01 ‐ PT. 19; Acervo Fernando Campos Furtado 06 ‐ Cx. 01 ‐ PT. 19, Acervo Fernando Campos Furtado 06 ‐ Cx. 01 ‐ PT. 19.

Cemef, Arquivos Institucionais, Fundo 02, n° 19, 21, 27, 25, 28, 30, 38, Cx.16 - PT. 08.

Cemef, Arquivos Institucionais, Fundo 02, Cx.16 ‐ PT. 08.

Cemef, Arquivos Institucionais, Fundo 02, 44 ‐ Cx.16 ‐ PT. 08.

Autor para correspondência. (Maria Cristina Rosa m.crosa@hotmail.com)
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