Revista Brasileira de Ciências do Esporte Revista Brasileira de Ciências do Esporte
Artigo original
Mídia e Jogos Paralímpicos no Brasil: a cobertura da Folha de S.Paulo entre 1992 e 2016
Media and Paralympic Games in Brazil: the media coverage of Folha de S.Paulo between 1992 and 2016
Medios de comunicación y Juegos Paralímpicos en Brasil: cobertura de la Folha de S.Paulo entre 1992 y 2016
Silvan Menezes dos Santos, , Sabrina Furtado, Bianca Natália Poffo, Amanda Paola Velasco, Doralice Lange de Souza
Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Biológicas, Programa de Pós‐graduação em Educação Física, Curitiba, PR, Brasil
Recebido 30 Abril 2017, Aceitaram 15 Março 2018
Resumo

O objetivo desta pesquisa foi o de caracterizar a cobertura da Folha de S.Paulo durante as edições dos Jogos Paralímpicos de 1992 a 2016. O estudo foi de caráter quantitativo e descritivo. Concluímos que o esporte paralímpico ganhou gradativa visibilidade na FSP, apresentou um salto quantitativo de notícias entre 1996 e 2000 e outro a partir de 2012. A maioria das notícias se voltou para atletas e modalidades que envolvem esportistas com deficiência física. O jornal também privilegiou publicações de modalidades com um maior número de medalhas, mais especificamente a natação e o atletismo. Exploramos hipóteses que explicam estes dados e tecemos considerações que podem contribuir para a qualificação da mídia em sua cobertura do esporte para pessoas com deficiência.

Abstract

The goal of this research was to characterize the coverage of the Folha de S.Paulo (FSP) during the Paralympic Games during all editions from 1992 to 2016. The study was quantitative and descriptive. We concluded that the Paralympic sport gained gradual visibility in the FSP, presenting a quantitative leap of news between 1996 and 2000 and another starting in 2012. Most of the news turned to athletes and modalities that involve competitors with physical disabilities. The newspaper also favored the publication of modalities with a greater number of medals, and more specifically, swimming and athletics. We explore hypotheses that explain these data and weave considerations that may contribute to the media's qualification in their coverage of the sport for people with disabilities.

Resumen

El objetivo de esta investigación fue describir la cobertura de la Folha de S.Paulo (FSP) durante las ediciones de los Juegos Paralímpicos de 1992 a 2016. El estudio tuvo carácter cuantitativo y descriptivo. Llegamos a la conclusión de que el deporte paralímpico ha ganado visibilidad de forma gradual en la FSP, realizando un salto cuantitativo de noticias entre 1996 y 2000, y otro a partir de 2012. La mayoría de las noticias gira en torno a deportistas y modalidades en que participan deportistas con discapacidad física. El periódico también se centró en publicaciones sobre aquellas modalidades con mayor número de medallas y, más específicamente, la natación y el atletismo. Comprobamos las hipótesis que explican estos datos e hicimos observaciones que pueden ayudar a la capacitación de los medios de comunicación para llevar a cabo la cobertura del deporte para personas con discapacidad.

Palavras‐chave
Esporte paralímpico, Cobertura midiática, Mídia impressa, Folha de S.Paulo
Keywords
Paralympic sport, media coverage, printed media, Folha de S.Paulo
Palabras clave
Deporte paralímpico, Cobertura mediática, Medios de comunicación impresos, Folha de S.Paulo
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Introdução

Os Jogos Paralímpicos (JP) foram criados em 1960 e nasceram como fruto de um movimento que tinha como objetivo a reabilitação de pessoas com diferentes tipos de deficiência. Na medida em que o movimento paralímpico tomou corpo, os JP também cresceram e se organizaram sob a lógica do esporte moderno, buscaram a sua midiatização e a sua transformação em um produto de mercado atrativo para possíveis patrocinadores.

Os meios de comunicação de massa são importantes mediadores culturais dos fenômenos sociais tanto pela sua onipresença no cotidiano das pessoas como pela sua hegemonia na produção e emissão de discursos (Martín‐Barbero, 2009). Para o esporte isso não é diferente: a mídia de massa é um dos principais promotores da mediação que ajuda a formar os modos de se compreender, atribuir significados e criar símbolos acerca do fenômeno esportivo. Ou seja, a mídia contribui para a formação de uma cultura esportiva (Pires, 2002), sobretudo por meio do processo de espetacularização (Bracht, 1997; Pires, 1998). O esporte paralímpico segue a mesma lógica. Tem a mídia como um dos principais interlocutores de sua inserção na cultura esportiva.

São poucos os estudos que discutem as relações entre a mídia e o esporte paralímpico. No Brasil, mais especificamente, destacam‐se os trabalhos de Figueiredo (2014); Novais e Figueiredo (2010); Zoboli, Quaranta & Mezzaroba (2013); Zoboli et al. (2016); e Marques et al. (2013; 2014). Considerando a ainda escassa literatura sobre a cobertura midiática do esporte paralímpico no país, o presente estudo teve como objetivo geral caracterizar a cobertura midiática dos JP feita pelo jornal Folha de S.Paulo (FSP) durante as sete edições que ocorreram de 1992 a 2016. Para isso, estabelecemos dois objetivos específicos: (1) Verificar a evolução do espaço midiático destinado aos JP na cobertura jornalística da Folha de S.Paulo; (2) Mapear a distribuição das notícias por tipos de deficiência e modalidades esportivas. Escolhemos a FSP como fonte da pesquisa porque ela está entre os jornais impressos do país com maior circulação nacional, tanto no número de tiragens como no de regiões alcançadas diariamente. Também escolhemos a Folha porque a sua composição editorial se desdobra entre o jornalismo factual e o opinativo, caracteriza‐se por ser um potente formador de opinião de pessoas formadoras de opiniões, sobretudo por ter uma abordagem da informação que pauta eminentemente questões econômicas e políticas (Bruggemann et al., 2011). Os dados produzidos por este estudo podem subsidiar uma cobertura mais ampla e qualificada do esporte paralímpico no país, contribuem dessa forma para a promoção de uma maior cultura esportiva acerca desse fenômeno e para com a divulgação de uma imagem mais positiva relativa às capacidades das pessoas com deficiência, independentemente do seu grau e tipo de deficiência.

Metodologia

A pesquisa foi de cunho quantitativo e descritivo. Coletamos as edições do jornal impresso inclusive o dia anterior à abertura e o dia posterior ao encerramento dos JP das sete edições entre 1992‐2016. Optamos por dar início à coleta em 1992 porque foram os primeiros JP sob a organização do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), criado em 1989. Outra razão dessa escolha foi a de que os Jogos de 1992 também representam um momento importante de transição no esporte paralímpico brasileiro. Essa edição foi a última antes da criação do Comitê Paralímpico Brasileiro. Essa entidade foi criada em 1995 e a partir de 1996 deu início a uma política de aproximação entre o esporte paralímpico e a mídia. O recorte temporal de 1992‐2016 caracteriza, portanto, um período de formalização do esporte paralímpico no cenário esportivo tanto nacional quanto internacional por meio da criação e atuação das duas entidades gestoras oficiais, as quais foram e continuam a ser as principais mediadoras da aproximação do esporte paralímpico com a mídia.

Mapeamos e analisamos os dados e levamos em conta as seguintes informações: número de notícias publicadas, centimetragem das matérias, presença ou ausência de fotos. Também quantificamos o volume de notícias publicadas no jornal por diferentes tipos de deficiência e modalidades esportivas, e comparamos esses elementos com os seguintes indicadores: participação total de atletas nos eventos; participação das delegações brasileiras e conquistas de medalhas pelo país. A definição dessas variáveis de comparação foi uma adaptação do modelo de análise elaborado por De Léséleuc, Pappous & Marcellini (2009; 2010). Segundo esses autores, a maior ou menor presença de atletas com determinados tipos de deficiência pode ser definidora do espaço dedicado a eles pela mídia. Além disso, a correlação com o número de medalhas obtidas pela delegação do país também é feita, pois “as medalhas, registros e outras realizações se constituem em uma das pedras angulares da imprensa esportiva. Isto é igualmente aplicável tanto para os Jogos Olímpicos como para os Jogos Paralímpicos” (de Léséleuc et al., 2010).

Resultados e DiscussãoA evolução do espaço midiático destinado aos Jogos Paralímpicos na Folha de S.Paulo

Segue adiante uma tabela que demonstra o espaço da FSP destinado aos JP, considerando as diferentes edições dos Jogos e as seguintes características: número de notícias veiculadas durante cada evento; média de notícias publicadas por dia; presença ou ausência de fotos nas matérias; soma da área total ocupada pelas notícias; média da área por notícias em centímetros quadrados.

A FSP apresentou um salto quantitativo em relação à cobertura jornalística dos JP em 2000. Isso provavelmente esteve relacionado com a política de aproximação do CPB com aos meios de comunicação de massa para divulgar o movimento paralímpico no Brasil. Conforme aponta Miranda (2011), desde os JP de Atlanta/1996 o Comitê passou a convidar e a levar jornalistas dos principais jornais brasileiros, de diferentes regiões, para os JP, como forma de estimular e de colocar esse evento na agenda midiática do Brasil e consolidar o esporte paralímpico no país. O CPB também comprou os direitos de transmissão televisiva dos JP de 1996 até 2008 e redistribuiu o sinal gratuitamente para empresas da mídia interessadas no produto. Além disso, ofereceu workshops para qualificar os jornalistas para a cobertura da edição de 2004, em Atenas. Como resultado dessas ações, entre outras, em 2008 mais de 60 jornalistas brasileiros foram credenciados para a cobertura dos Jogos de Pequim de forma espontânea, sem a necessidade do convite do CPB para a cobertura do megaevento (Miranda, 2011).

Após 2000, o número de notícias publicadas relativas aos JP voltou a crescer em 2012, muito provavelmente porque o Brasil sediaria os jogos na edição seguinte. O mesmo fenômeno de crescimento aconteceu na cobertura jornalística dos jornais da Grécia e da Inglaterra nas edições que antecederam os Jogos nesses países (Pappous et al., 2011). A partir de 2012, a FSP começou um “agendamento” do evento que ocorreria no Rio em 2016. Conforme explicam Mezzaroba et al. (2011), o agendamento midiático‐esportivo é uma estratégia jornalística que se caracteriza por tentar impor a agenda midiática do esporte à agenda do público consumidor de diferentes formas. Uma das abordagens usadas é o aumento do número de notícias sobre o tema ou fato que virá a acontecer no futuro durante a cobertura da situação correlata que acontece imediatamente antes (Mezzaroba et al., 2011).

A cobertura da FSP dos JP de 2016 aumentou significativamente em relação aos JP de Londres devido ao fato de o país ser sede dos Jogos. O número de notícias com e sem fotos mais do que duplicou (47 e 67 notícias, respectivamente). A média de notícias por dia triplicou de volume (de 2,8 em 2012 para 8,1 em 2016) e a área total destinada aos Jogos Paralímpicos quadruplicou nessa última edição.

O crescimento do número de notícias na cobertura das duas últimas edições dos JP (2012 e 2016) provavelmente também esteve relacionado com o aumento de patrocínio para o esporte paralímpico devido ao interesse de patrocinadores de promoção de sua imagem durante o evento. Provavelmente também houve um interesse por parte da mídia no aumento do volume de informações acerca do esporte paralímpico em busca de potenciais anunciantes interessados nele como meio de divulgação de suas marcas.

Das 181 notícias publicadas durante o período analisado, 160 foram publicadas no caderno Esportes, uma na capa do caderno. Houve também sete manchetes na capa do jornal, cinco no caderno Cotidiano, três na Folha Corrida, três comentários no Painel do Leitor, uma matéria na Folha Ribeirão e uma no caderno Ilustrada1. No caso da cobertura da Copa do Mundo da África do Sul em 2010, a FSP noticiou o megaevento de forma distribuída em diferentes cadernos e abordou o assunto predominantemente sob uma perspectiva econômica, informou sobre os custos das obras e as polêmicas relacionadas com os problemas de corrupção e superfaturamento dos estádios (Bruggemann et al., 2011). Nesse sentido, a predominância das publicações no caderno de esportes da FSP no decorrer da cobertura jornalística das últimas sete edições dos JP, que corresponde a mais de 88% das notícias veiculadas, revela que a cobertura se concentrou em conteúdos esportivos. Visto que os JP podem ser considerados megaeventos esportivos pelo volume de recursos financeiros que mobilizam, pelo número de nações e atletas que se envolvem e também pela multiplicidade de seus impactos em diferentes esferas da sociedade (Souza & Pappous 2013), uma abordagem restrita à dimensão esportiva deles denota falta de compreensão da complexidade social, cultural, política e econômica do megaevento. Esse tipo de abordagem não retrata o esporte em sua inteireza (Betti, 2001), como seria o ideal para melhor compreensão e conhecimento por parte dos leitores.

Considerando que o esporte paralímpico no Brasil é uma manifestação social e esportiva relativamente recente, faz‐se necessária uma cobertura jornalística que apresente as diversas faces desse fenômeno de forma a inseri‐lo na cultura esportiva do país. A mediação cultural de uma mídia de massa como a FSP se constitui em uma das conexões principais entre fenômenos globais – como os Jogos Paralímpicos – com o público nacional, de forma que esse possa compreender esses fenômenos e apropriar‐se deles como parte da cultura esportiva (Pires, 2002). A mediação cultural da FSP também seria fundamental no sentido de aproveitar o momento para promover um amplo debate acerca de acessibilidade e inclusão/exclusão social de pessoas com deficiência (tabela 1). Conforme aponta Brittain e Beacom (2016), não existe outra plataforma tão boa quanto a cobertura dos Jogos Paralímpicos para se alcançar tantas pessoas sem deficiência ao mesmo tempo e ajudar a conscientizá‐las a respeito de questões sobre a deficiência que de outra forma elas não teriam acesso. Tal como afirma Vegas (2017, p. 42), a mídia, no contexto da visibilidade do esporte durante os megaeventos esportivos, pode exercer um importante papel na promoção de justiça social no que se refere à questões de desigualdade, preconceito, marginalização e estigmatização, assim como neste caso dos atletas com dedeficiência.

Tabela 1.

Evolução da cobertura jornalística dos JP pela FSP em 1992‐2016

Variáveis1992  1996  2000  2004  2008  2012  2016  TOTAL 
Número de notíciasCom foto  15  18  20  18  47  127 
Sem foto  27  21  19  24  67  168 
Total  10  42  39  39  42  114  295 
Média de notícias por dia    0,6  0,6  2,8  2,6  2,6  2,8  8,1  2,9 
Área total das notícias (cm2  314,6  2533,5  8807,6  10414,1  7733,2  8629,8  33720,8  72153,6 
Área média por notícia (cm2  35,0  253,4  209,7  267,0  198,3  205,5  295,8  167 

Fonte: Produção dos autores

A evolução da cobertura da FSP de acordo com o tipo de deficiência

Para a organização dos dados, conforme apresentados na tabela 2, seguimos a tipologia das deficiências adotada pelo Comitê Organizador dos Jogos Parapan‐Americanos de Toronto em 20152. De acordo com esse Comitê, o qual segue a classificação adotada pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC), para a organização e distribuição dos atletas dentro das modalidades e competições os tipos de deficiência são divididos em três grandes grupos: deficiência física, visual e intelectual. De acordo com essa classificação, mapeamos o número de vezes em que os diferentes tipos de deficiência dos atletas foram citados e não citados ano a ano nas notícias veiculadas pela FSP. Também identificamos o número de medalhas dos atletas brasileiros por tipo de deficiência.

Tabela 2.

Distribuição das notícias e do número de medalhas por tipo de deficiência

  Deficiência físicaDeficiência visualDeficiência intelectualNão citado
  Notícias  Medalhas  Notícias  Medalhas  Notícias  Medalhas  Notícias  Medalhas 
1992  ‐ 
1996  17  ‐ 
2000  21  15  17  18  13  ‐ 
2004  24  15  17  18  ‐  14  ‐ 
2008  30  17  ‐  21  ‐ 
2012  28  26  17  ‐  16  ‐ 
2016  47  51  27  21  ‐  54  ‐ 
Total  135 (38,7%)  158 (61,7%)  78 (22,3%)  98 (38,3%)  8 (2,3%)  128 (36,8%)  ‐ 

Fonte: Produção dos autores

Dentre os três grupos de deficiência, os atletas com deficiência física foram os que receberam maior número de notícias (135), seguidos de atletas com deficiência visual (78). Foram raras as notícias de atletas com deficiência intelectual (oito). Isso pode estar associado ao fato de que esse tipo de deficiência não fez parte dos JP de 2004 e 2008. A não especificação da deficiência nas matérias representa um volume significativo no total das notícias mapeadas (128), quantitativo crescente no decorrer de 1992 a 2008 (3 ‐ 7 ‐ 13 ‐ 14 ‐ 21, respectivamente). Esse teve um decréscimo apenas em 2012, com 16 notícias sem a denominação da deficiência dos atletas. Em 2016, ele voltou a crescer. O fato de se noticiar o esporte paralímpico e/ou atletas paralímpicos sem menção ao tipo de deficiência pode ser visto como positivo. Conforme orientam Pappous & Souza (2016), o IPC (2014) e a British Paralympic Association (2012), o enfoque das notícias deve ser mais no atleta/prova/acontecimento esportivo do que na(s) deficiência(s) em si. A especificação da deficiência deve ser feita só quando necessária para o detalhamento da notícia a ser veiculada. Por outro lado, conforme afirmam Buysse e Borcherding (2010), não se deve esconder as deficiências dos atletas uma vez que elas fazem parte da identidade corporal e social dos mesmos como seres humanos, como esportistas. Em alguns casos faz‐se importante explicar a deficiência do atleta até mesmo para se auxiliar o público a entender o sistema de classificação dos mesmos nas diferentes modalidades.

Conforme pode ser visualizado na tabela 2, o volume de notícias por tipo de deficiência publicadas pela FSP entre 1992 e 2016 foi proporcional ao número de medalhas conquistadas pela delegação brasileira nesse mesmo período. Quanto maior o número de medalhas conquistadas, maior o espaço midiático destinado ao tipo de deficiência. Os atletas com deficiência física ganharam 61,7% das medalhas brasileiras e tiveram 38,7% do espaço nas notícias veiculadas pela FSP. Já os atletas com deficiência visual conquistaram 38,3% das medalhas do país nos Jogos de 1992 a 2016 e tiveram espaço em 22,3% das notícias publicadas pelo jornal. Deixando de fora os 36,8% de matérias da FSP que não especificam o tipo de deficiência do atleta, podemos identificar essa proporcionalidade entre as duas variáveis – medalhas conquistadas e notícias veiculadas na FSP. O número de conquistas por atletas com deficiência física foi 23,4% maior do que as dos atletas com deficiência visual e o número de notícias veiculadas sobre o primeiro grupo de atletas foi 16,4% maior do que a do segundo.

Algumas deficiências tendem a aparecer com mais frequência e a receber maior atenção por parte da mídia do que as demais (Pereira et al., 2011; Marques e Gutierrez, 2014). No caso da cobertura midiática televisiva de eventos paralímpicos, alguns estudos constataram que na mídia internacional algumas modalidades detêm preferência nas representações. Esse é o caso daquelas cujos corpos dos atletas não expõem grandes comprometimentos em termos de deficiência, como é o caso daquelas praticadas em cadeira de rodas (Marques et al., 2013).

Durante os JP de Londres/2012, na cobertura jornalística feita pelo site globoesporte.com, das matérias veiculadas sobre atletas mulheres, 38,9% foram sobre atletas em cadeira de rodas, outros 38,9% sobre atletas com deficiência visual e 22,2% de atletas com amputação (Figueiredo, 2014). Considerando que os atletas em cadeira de rodas e com amputação compõem a tipologia da deficiência física, nesse caso houve também a priorização desse grupo de atletas na cobertura midiática do portal analisado.

Como nesta pesquisa não analisamos as fotografias na construção das notícias da FSP, não temos como afirmar que a prevalência do aparecimento de atletas com deficiência física sobre os atletas com deficiência visual esteve ou não relacionada com questões estéticas. Podemos concluir apenas que o volume de notícias dedicado para os diferentes tipos de deficiências pode estar associado ao resultado esportivo. Conforme indica Bourdieu (2011), a conquista de medalhas é um dos principais capitais simbólicos do campo esportivo, pois gera reconhecimento político e financeiro. Esse tipo de “capital” é difundido e reforçado pelo campo midiático na medida em que veicula o quadro de medalhas e a classificação das nações em disputa, gerando uma verdadeira “guerra simbólica” em torno do campo esportivo (Sanfelice, 2010). No caso do esporte paralímpico isso não é diferente, pois esse se configura como um subcampo dentro do campo esportivo (Marques et al., 2013, 2012; Marques e Gutierrez, 2014a).

A evolução da cobertura da FSP em relação às modalidades esportivas

Nesta seção apresentamos a evolução da cobertura do jornal para cada modalidade em específico ao longo de cada uma das edições dos JP. Identificamos também o número de medalhas conquistadas pela delegação brasileira em cada modalidade e o número de notícias veiculadas acerca de cada uma delas durante as edições dos JP investigadas. Por fim, mapeamos o percentual do espaço que cada uma das modalidades ocupou na cobertura jornalística da FSP durante o período analisado (tabela 3).

Tabela 3.

Número de medalhas e número de notícias por modalidade

  1992199620002004200820122016Total de Medalhas  Total de notícias 
Modalidade    FSP    FSP    FSP    FSP    FSP    FSP    FSP   
Natação  10  11  52  11  44  19  50  14  35  20  17  35,9  47,8 
Atletismo  10  20  16  14  15  17  18  11  32  33  42,4  23,5 
Judô        7,8  4,8 
Futebol de 5  ‐    ‐    ‐    1,6  3,9 
Futebol de 7        1,2  2,5 
Halterofilismo/ Levantamento de peso      0,4  2,3 
Ciclismo      0,8  2,8 
Bocha          3,7  1,8 
Basquete em cadeira de rodas        1,4 
Tênis de mesa        2,1 
Esgrima em cadeira de rodas          0,4  0,9 
Vôlei sentado          0,4  1,6 
Rúgbi em cadeira de rodas  ‐    ‐        0,7 
Goalball            0,8  0,7 
Tiro com arco/arco e flecha              0,2 
Tênis em cadeira de rodas              0,2 
Hipismo  ‐          1,6  0,7 
Remo  ‐    ‐    ‐    ‐        0,4  0,4 
Tiro esportivo              0,7 
Vela  ‐    ‐            0,23 
Canoagem  ‐    ‐    ‐    ‐    ‐    ‐    0,4  0,7 
Total  21  10  22  90  33  79  47  83  43  54  72  111  100  100 

(‐) modalidades inexistentes no programa da edição dos JP;

Total de notícias: soma total das notícias publicadas nos anos analisados;

Fontes: IPC, Portal Brasil 2016, Mello & Winckler (2012).

Nos JP de 1992, o Brasil participou de seis modalidades, conquistou medalhas em duas delas: atletismo e natação. Essas foram também as modalidades que nesse mesmo ano foram notícias na FSP em maior volume. Já em 1996, a delegação brasileira competiu em nove modalidades e ganhou medalhas no atletismo, na natação e no judô. A FSP continuou a focar no atletismo e na natação, e não publicou sobre o judô. Em 2000, o Brasil manteve o número de modalidades nas quais competiu em 1996 e somou àquelas que medalharam o Futebol de 7. A natação e o atletismo continuaram a ser as modalidades mais citadas (cerca de 500% e 200% respectivamente), seguidas pelo judô, que apareceu em cinco matérias. Nos anos seguintes, o Brasil teve uma crescente participação no número de modalidades disputadas, assim como no número de medalhas conquistadas. Porém, o foco dado pela FSP continuou a ser na natação e no atletismo.

Em alguns casos não houve uma linearidade na proporção entre o número de medalhas e aparecimentos em notícias. Algumas modalidades não conquistaram medalhas e apareceram em ao menos uma notícia da cobertura da FSP durante as sete últimas edições dos JP. Esse foi o caso do ciclismo, basquete em cadeira de rodas, vôlei sentado, rúgbi em cadeira de rodas, arco e flecha, halterofilismo e tênis em cadeira de rodas. Outro exemplo da falta de proporcionalidade entre o número de medalhas e o número de aparições na mídia é o caso da bocha. Embora ela tenha conquistado 4% das medalhas paralímpicas para o país, foi noticiada em apenas 1,8% da cobertura jornalística da FSP. Em contraponto, o Futebol de 5, que conquistou 1,6% das medalhas brasileiras, e o Futebol de 7, que ganhou 1,2%, ambos apareceram, respectivamente, em 3,9% e 2,5% das notícias veiculadas. O fato de o Futebol de 5 e o de 7 terem aparecido mais na mídia do que outras modalidades que ganharam mais medalhas, como a bocha, por exemplo, está provavelmente relacionado com o capital cultural do futebol junto ao público brasileiro, ou seja, com a identificação desse público com a modalidade correlata do esporte convencional. No caso da bocha, essa provavelmente não apareceu tanto na mídia porque não é uma modalidade muito conhecida e também talvez porque os atletas da bocha tendem a ter um alto grau de comprometimento (ex. paralisia cerebral, tetraplegia, distrofia muscular progressiva, ataxia de Friedrich). Pessoas com esses tipos de deficiência tendem a ser mais estigmatizadas do que pessoas com outros tipos de comprometimentos3. Conforme aponta Bretton (2006, p. 75), “quanto mais a deficiência for visível e surpreendente (um corpo deformado, um tetraplégico, um rosto desfigurado, por exemplo), mais suscita a atenção social indiscreta que vai do horror ao espanto e mais o afastamento é declarado nas relações sociais”. No caso dos atletas da bocha, talvez a sua aparência física e/ou, em certos casos, o alto grau de limitação motora, a dependência de ajuda externa, os espasmos musculares e o ritmo mais lento de movimentação podem ter evocado um maior estranhamento nos jornalistas e em outras pessoas de modo geral.

Retornando à questão da ênfase da FSP na natação e atletismo, talvez esse tenha sido o caso também não apenas em decorrência do número de medalhas por elas conquistadas (capital simbólico), mas também devido ao seu maior capital econômico e político. Dizemos “capital econômico” porque são privilegiadas em termos de financiamento. Conforme aponta Furtado (2017), entre 2010 e 2012, por exemplo, o CPB investiu 48% dos recursos provindos do Ministério do Esporte nessas modalidades. Dizemos “capital político” porque o CPB é o coordenador direto dessas modalidades4. Talvez a entidade, direta ou indiretamente, leve a mídia a uma maior cobertura através de incentivos.

Outro fator que pode estar associado à diferença nos espaços destinado pela cobertura midiática às diferentes modalidades é o contingente de jornalistas destinados para a cobertura dos JP. O evento acontece em múltiplas arenas de competição e com disputas simultâneas nas diferentes modalidades participantes. Os profissionais da mídia precisam fazer escolhas em relação ao que vão cobrir, uma vez que não conseguem estar em diferentes lugares ao mesmo tempo. Conforme já discutimos anteriormente, é de interesse da mídia divulgar modalidades com mais chances de medalha. Vale também lembrar que durante boa parte do período analisado a FSP enviou somente um jornalista para a cobertura dos Jogos, o qual era, inclusive, convidado pelo próprio CPB. Essa entidade, por sua vez, pode ter influenciado as escolhas dos profissionais enviados. Isso tudo pode ter funcionado como uma espécie de ciclo vicioso/virtuoso, dependendo de onde se olha. Ao se oferecer mais recursos e visibilidade para certas modalidades, esses incentivos podem ter se revertido em melhores resultados, mais patrocínio, mais recursos e maior visibilidade para elas. Esses melhores resultados, por sua vez, podem ter atraído mais incentivos para algumas modalidades em detrimento de outras. E assim o ciclo pode ter se retroalimentado.

Considerações finais

O esporte paralímpico ganhou visibilidade na FSP durante as sete últimas edições dos Jogos. Tal situação tornou‐se mais evidente a partir de 2000, quando houve um salto significativo no número de notícias e no espaço destinado a elas no jornal. O crescimento da cobertura jornalística do evento está relacionado com os investimentos do CPB no sentido de promover o esporte paralímpico na mídia e mais recentemente com a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Paralímpicos. Quanto ao tipo de deficiência mais noticiada pela FSP, a física se destacou, o que está provavelmente relacionado com o número de medalhas conquistado por pessoas com esse tipo de deficiência. Quanto às modalidades mais noticiadas, verificamos a supremacia do atletismo e da natação durante todas as edições dos JP. Essas foram também as modalidades com maior número de medalhas da delegação brasileira e que têm recebido mais incentivos do CPB. Outro ponto a ser destacado é que embora a bocha tenha conquistado mais medalhas do que algumas outras modalidades, essa apareceu menos nas notícias. Isso pode estar relacionado não somente com a falta de conhecimento do público em relação a essa modalidade, mas também com o estigma que se tem em relação às pessoas com deficiências mais severas, como é o caso de grande parte dos atletas dessa modalidade.

Embora tenhamos constatado que houve progresso na cobertura da FSP dos Jogos Paralímpicos, essa cobertura precisa se tornar mais equilibrada na visibilidade das diferentes modalidades esportivas e tipos de deficiência, contribuir dessa forma para a formação de uma cultura esportiva mais qualificada junto ao público. Seria também interessante que o jornal pudesse aprimorar a cobertura de eventos esportivos como os JP para promover uma maior visibilidade acerca da diversidade humana e da realidade das pessoas com deficiência. A mídia dessa forma poderia atuar tanto como formadora de uma cultura esportiva mais ampla e qualificada quanto como um potente meio de promoção de inclusão social das pessoas com deficiência, independentemente do tipo e grau dos comprometimentos das deficiências das mesmas.

Financiamento

Este trabalho é resultado de relatório final de pesquisa que contou com auxílio financeiro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), edital 2014/2015, número 2011025672. O trabalho contou também com auxílio financeiro no formato de bolsa de estudos da Coordenadoria de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior (Capes) para estudante da pós‐graduação em nível de doutorado.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Agradecimentos

À contribuição dos alunos Fernanda Anselmo da Silva, Ane Ramiro e André Kluger na coleta dos dados deste trabalho, assim como a importante participação do professor visitante Doutor Athanasios Pappous na idealização deste projeto de pesquisa.

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Talvez alguns cadernos tenham sido criados e outros extintos durante o período por nós analisado

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Estigma, conforme explica Goffman (2012), acontece quando uma característica ou atributo depreciativo de uma pessoa faz com que ela seja percebida como “diferente”, o que gera discriminação, vitimização e inferiorização.

O CPB, além de ser a entidade responsável pela administração do esporte paralímpico brasileiro de maneira geral, funciona como confederação de cinco modalidades: atletismo, natação, halterofilismo, esgrima em cadeira de rodas e tiro esportivo. As outras 15 modalidades são geridas por federações ou confederações, que cuidam especificamente do esporte paralímpico ou então que agregaram a modalidade adaptada à mesma instituição que gerencia a modalidade olímpica.

Autor para correspondência. (Silvan Menezes dos Santos bammenezes90@gmail.com)
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