Revista Brasileira de Ciências do Esporte Revista Brasileira de Ciências do Esporte
Revista Brasileira de Ciências do Esporte 2017;39:183-90 - Vol. 39 Núm.2 DOI: 10.1016/j.rbce.2015.10.002
Artigo original
Futebol, raça e identidade nacional: uma análise do desempenho dos jogadores nos jogos preto x branco
Soccer, race and national identity: an analysis about the performance of players in black x white games
Fútbol, raza e identidad nacional: un análisis del rendimiento de los jugadores en los juegos negros×blancos
Bruno Otávio de Lacerda Abrahãoa,, , Antonio Jorge Gonçalves Soaresb,c,d
a Universidade Federal do Vale do São Francisco, Colegiado de Educação Física, Petrolina, PE, Brasil
b Bolsista de Produtividade em Pesquisa, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Brasil
c Cientista do Estado, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
d Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Educação, Departamento de Didática, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Recebido 18 Agosto 2011, Aceitaram 15 Maio 2015
Resumo

Em São Paulo, nas décadas de 20 e 30 do Século XX, ocorreram partidas de futebol entre jogadores autodeclarados pretos e brancos na comemoração do dia da abolição da escravatura, 13 de maio. Eram os jogos preto x branco. Os autores objetivaram analisar o elogio ao desempenho dos pretos nesses jogos. Para tanto, analisaram as reportagens publicadas pelos jornais paulistanos entre 1927 e 1931. Concluiu‐se que os jogos objetivavam integrar e contestar o preconceito no Brasil. Consequentemente emergiram os estereótipos positivos sobre as qualidades corporais da “raça negra” para o futebol. Pensado após a abolição, o efeito ambíguo desse elogio reside no fato de localizar os campos de futebol e as artes como espaços de integração naquela sociedade liberal.

Abstract

In Sao Paulo in commemoration of the day May 13th there was a soccer game between players self declared black or white. They were the Black X White games. The authors aimed to analyze the compliment to the performance of blacks in those games. They analyzed the material published by the Sao Paulo newspapers between the years 1927 and 1931, 1938 and 1939. It was concluded that games aimed at the integration and to challenge prejudice in Brazil. Consequently, there were positive stereotypes about the physical qualities of the “black race”. Designed after the abolition, the ambiguous effect of that praise is in fact that it kept the black away from intellectual activities, indicating the soccer fields as one of their areas of integration in that liberal society.

Resumen

En São Paulo, en conmemoración del día 13 de mayo se celebró un partido de fútbol entre jugadores que se autodenominaban negros o blancos. Los juegos recibieron el nombre de negros×blancos. Los autores se plantearon como objetivo analizar el rendimiento de los negros en estos juegos. Con este fin, se analizó el material publicado por los periódicos de São Paulo entre los años 1927 y 1931. Se concluyó que los juegos estaban destinados a integrar y desafiar el prejuicio en Brasil. En consecuencia, destacaron los estereotipos positivos sobre las cualidades físicas de la “raza negra”. Diseñado después de la abolición, de hecho el efecto ambiguo de esa alabanza reside en el hecho de que los campos de fútbol y las artes son unas de sus áreas de integración dentro de aquella sociedad liberal.

Palavras‐chave
Futebol, Raça, Imprensa, Identidade nacional
Keywords
Soccer, Race, Press, National identity
Palabras clave
Fútbol, Raza, Prensa, Identidad nacional
Introdução

A cidade de São Paulo assistiu de 1927 a 1939 a partidas de futebol entre times de jogadores autodeclarados pretos contra outros de autodeclarados brancos. O primeiro jogo foi feito 39 anos após o fim da escravidão na celebração do 13 de Maio e pode ser visto como um jogo que ritualizava o drama das relações raciais na sociedade brasileira. Esses jogos, vistos como exóticos, apresentavam singularidades1 que podem contribuir para entender os significados das raças naquele contexto pós‐escravocrata e republicano.

Naquelas décadas iniciais do Século XX o futebol se configurava um espaço privilegiado para o surgimento de debates sobre a qualidade dos povos que habitavam as nações. A promoção de uma autoidentificação nacional ou as crenças de diferenciação perante “outros povos” passaram a ser facilitadas pela identificação imediata de uma dada coletividade representada pelas seleções ou pelos times de futebol. Nesse sentido, teríamos um jogo que ritualizava as diferenças e identidades em relação às representações hegemônicas2 socialmente construídas sobre as “raças”. A necessidade de visitar os significados associados a esse conceito por meio de uma partida de futebol se justifica pelo fato de ele ter sido criado e desenvolvido pela humanidade para dar conta da “ideia da existência de heranças físicas permanentes entre os vários grupos humanos” (Stocking Jr., 1982, p. 29).

Os avanços da ciência desconstruíram a validade científica do conceito “raça”. Todavia, suas representações enraizaram em diversos campos. O esporte é um deles. Nessa direção, preto x branco dava vida a esse conceito imaginado, na medida em que os marcadores fenotípicos e culturais forneciam elementos para o indivíduo vincular‐se a uma ou outra “raça” na separação das equipes e a imprensa acionava valores da época associados ao preto e ao branco no campo do futebol.

Ao longo das sete edições dos jogos em tela, o time dos pretos venceu quatro, o dos brancos duas e ainda ocorreu um empate. Esses jogos foram tratados pela imprensa em geral e pela imprensa negra como festividades da cidade de São Paulo. Dos vários temas que chamaram atenção,3 um neste momento merece destaque: os reiterados comentários elogiosos em relação ao desempenho positivo dos jogadores pretos nesses jogos feitos pelas reportagens jornalísticas. Como interpretá‐los? A fim de responder a essas questões, o objetivo deste artigo é analisar a interpretar como a imprensa repercutiu o desempenho dos jogadores nos jogos de futebol preto x branco.

Procedimentos metodológicos

Tomamos como fontes os jornais em microfilmes na Biblioteca Nacional, a saber: Correio Paulistano, O Estado de S. Paulo e Folha da Manhã, entre 1927 e 1931. Ao longo desses cinco anos foram encontradas 44 reportagens que tematizaram os jogos.4 Embora os jogos tenham ocorrido até 1939,5 nos limitamos aos cinco primeiros anos em função de não terem sido encontradas nos jornais paulistanos reportagens que retratassem esses eventos após 1931. Dessas, selecionamos 17 sobre uma possível leitura das representações daquele contexto sobre pretos e brancos por meio do futebol.

Foi feita uma leitura dos microfilmes dos dias 10 a 14 de maio de cada um desses anos com o intuito de apreender a divulgação, a promoção e a repercussão do jogo, a fim de captar essas representações hegemônicas por meio de discursos que permitissem apreender como se produziram, difundiram e repercutiram as interpretações dos fatos a partir dos textos publicados pela imprensa da cidade de São Paulo.

Os jornais foram escolhidos como fontes por possibilitar uma interpretação dos sinais diacríticos sob os quais fundavam as diferenças identitárias entre pretos e brancos. Na direção de Schwarcz (2001), também tomamos os jornais como “pedaços de significação” capazes de reconstituir as várias visões da condição negra da época: “Nesse sentido os jornais são aqui entendidos, primeiramente, como ‘produto social’, isto é, como resultado de um ofício exercido e socialmente reconhecido, constituindo‐se como um objeto de expectativas, posições e representações específicas” (p. 15). Os enunciados foram lidos não como meros relatos jornalísticos, mas, antes, na tentativa de captar a “sobrecarga de sentido” (idem), a fim de apreender “uma das maneiras como segmentos relevantes da sociedade produziam, refletiam e representavam percepções e valores da época” (ibidem).

Ao longo desses anos, o preto x branco recebeu a cada ano uma extensa cobertura da imprensa local, que se admirava de ver jogadores pretos, relegados às divisões da liga local, vencerem repetidamente os brancos (Franzini, 2003). Essa afirmação sobre a imprensa pôde ser confirmada na pesquisa junto às fontes, quando pudemos observar os comentários que elogiavam o desempenho dos negros nas quatro vitórias ao longo das sete edições dos jogos. Vejamos, ano a ano, as reportagens.

Resultados1927: Preto 1 X O Branco

Vivendo sob o ethos amador, a divisão social de futebol ainda perdurava em São Paulo no início do século XX. Os principais jogadores pretos e brancos ainda estavam confinados em times separados, sem oportunidades de jogar uns com os outros, exceto em disputas informais. Num esforço de abalar essa divisão e fazer com que os primeiros fossem mais vistos, “em 1927 vários líderes negros tiveram a ideia de fazer um jogo anual entre negros e brancos, a ser disputado no dia da abolição” (Andrews, 1998, p. 333).

Os festejos do 13 de Maio não se reduziam ao jogo preto x branco. Ele era a principal atração de um evento que era composto por outros atrativos, como um jogo feito entre as equipes colegiais da LAF, contou até com premiação para os vencedores, além da apresentação de aeroplanos que descarregavam rosas sobre o gramado daquele que era o principal estádio de São Paulo. Além disso, para compor o cenário de festividade, a reportagem revela como esse festival se revestiu de toda pompa dos grandes festejos ou cerimoniais nacionais, sobretudo por terem sido convidadas a participar do evento autoridades civis, militares e esportivas, dentre as quais merece destaque a possível presença do presidente da República Washington Luiz. Abaixo a repercussão da primeira vitória dos pretos.6

O quadro negro da Liga de Amadores, por estar talvez melhor constituído, com elementos mais physicamente capazes o que mais ardor revelavam jogos desassombro dos mais elogiáveis, fulminando mesmo o poderoso conjunto adverso, que teve bem manifestada sua inferioridade de golpes de technica. (…)

A linha de frente actuou de forma impressionante. Os seus cinco ponteiros em combinação das mais perfeitas e desferidas com consumada rapidez e maestria. Carrapicho, Gradia, Bisoca e Camargo foram dianteiros que se podem equiparar em perfeição de conhecimentos e destreza, aos mais hábeis que possuímos. A linha de médios apanhou também em muito destaque todo o torneio, durante o qual teve opportunidade de pôr bem à mostra todos os seus recursos. (…)

Clodoaldo falho e impreciso nos golpes. Débbio pouco seguro nas rebatidas, facultaram aos contrários toda a sorte de furos vulneráveis, por onde puderam à vontade desenvolver sua actividade. Nestor rebateu tiros com destreza e agilidade das mais apreciáveis. As bolas que penetraram em seu reducto, pode‐se dizer que foram totalmente sem defesa. A linha de frente jogou sem a mesma movimentação regular, tendo unicamente Friedenreich correspondido plenamente à expectativa. Neco, o grande Neco, não combinou com o seu antigo companheiro de scratch com aquella habilidade que lhe era peculiar. (…)

Os quadros se rivalizavam às vezes em destreza e habilidade. Os do conjunto preto, entretanto, assumem violenta e irresistível ofensiva, tendo em um dos seus numerosos avanços realizados pelo campo adverso obtido o terceiro e último ponto do match feito em estylo dos mais brilhantes pelo meia direita Gradin. O combinado preto fez contínuas incursões no campo adversário. Nestor vê‐se obrigado a praticar defesas sobre defesas dada a fraqueza da linha de médios e a pouca resistência da zaga branca em rechaçar os impetuosos atacantes. (Correio Paulistano, 14 mai. 1927, p. 6)

O desempenho na partida de futebol que opunha pretos e brancos permitia uma leitura de elogios em relação à participação dos jogadores pretos e, talvez, do certo descaso ou falta de empenho dos jogadores brancos naquele jogo comemorativo. Assim, ao repercutir a vitória dos pretos sobre os brancos a imprensa apontava o time dos pretos como mais bem constituído, fisicamente capazes, fazia alusão à força e ao estilo de jogo que se desenvolvia com golpes de técnica, sobretudo dos atacantes, vistos como impetuosos, rápidos, dotados de recursos, destreza e mestria.

Se toda identidade é comparativa e relacional (Woodward, 2000), por outro lado, no time dos brancos, seus zagueiros mostravam‐se falhos, imprecisos, pouco seguros e seus atacantes sem movimentação, inclusive Neco, jogador considerado virtuoso. Os jogadores que receberam elogios do time dos brancos foram o goleiro Nestor e Friedenreich, principal jogador brasileiro da época, cujo desempenho teria correspondido perfeitamente às expectativas. Destaque‐se que Friedenreich pela literatura do futebol sempre foi identificado como mestiço ou negro, mas ele nessas partidas comemorativas se autoidentificava como branco (Gonçal Junior, 2008).

Para O Estado de S. Paulo os atacantes davam impressão de jogar juntos havia muito tempo, tamanho o entrosamento, a resistência e a perseverança. Os brancos, por outro lado, mostravam‐se para o jornal apreensivos e fracos no meio de campo e na defesa.

O quinteto atacante dos pretos deu a impressão de jogar em conjunto há longo tempo tal a precisão das suas combinações. (…)

Fazendo uma apreciação sobre o encontro entre os dois combinados podemos dizer que o combinado branco jogou com muita apreensão e sob o ponto de vista de técnica esteve à altura dos maiores elogiosos. Notou‐se, é verdade, fraquezas da linha de médios e de zaga. Isto impediu aos dianteiros incursões mais felizes no campo do adversário.

O combinado de cor venceu sobretudo pela resistência. Nunca esmoreceu aos ataques, mais foi infeliz nos remates (O Estado de S. Paulo, 14 mai. 1927, p. 6).

A reportagem na Folha da Manhã reafirma as representações anteriores sobre o desempenho superior “dos jogadores cor” como expressão da força, da resistência e da técnica que empregaram para vencer um adversário forte e valente. A reportagem indica que o jogo apresentou equilíbrio de forças entre as equipes, mas os pretos mostraram‐se mais fortes, desigualaram a disputa a seu favor e venceram a partida de forma justa.

Os pretos, numa affirmação esplendida de força, resistência e técnica, venceram com toda justiça seu forte e valente adversário.

A original partida de hontem esteve esplendida não só pelo ímpeto e pela optima técnica com que se bateram os dois quadros, como pelo equilíbrio de forças que reinou quase sempre.

Verificou‐se, entretanto, que os pretos estavam mais fortes e foi, portanto, justa a sua victoria. (Folhada Manhã, 14 mai. 1927, p. 8).

As reportagens jornalísticas do primeiro ano desse inusitado jogo indicam a descrição e interpretação da vitória dos pretos sobre os brancos. Observemos que a imprensa jornalística colocava a missão de explicar e interpretar os resultados esportivos a partir de uma suposta lógica racional. Todavia, embora esse procedimento possa ser percebido nos trechos anteriores, as descrições anteriores sobre esse evento comemorativo ressaltavam a qualidade da equipe dos pretos e a apatia da equipe dos brancos.

1928: Pretos 4×2 Brancos

Em 1928 houve um fato novo: a imprensa negra, talvez em função da destacada vitória dos pretos no ano anterior, passou a atribuir maior destaque àquela partida em que o time teve seu desempenho positivado.

Para commemorar o dia 13 de Maio, data gloriosa para a historia do povo brasileiro, realiza‐se hoje, nesta capital, dois jogos de futebol: um na LAF7 e outro da APEA. No anno passado, a LAF promovera um jogo identico, onde os negros conseguiram derrotá‐lo. Para este anno, também temos esperanças. Esperamos. (Alviverde, 13 mai. 1928, p. 4).

Em 1928, a edição do jogo, divulgada pela grande imprensa, contou com um treino preparatório no qual os pretos deixaram os espectadores maravilhados e se tornaram os favoritos do jogo que aproximava, como destaca o Correio Paulistano:

O combinado “preto”, com os três ensaios de conjunto que fez, tornou‐se possuidor de uma extraordinária combinação que maravilhou as pessoas que assistiram o seu último treino com o quadro do Antarctica F. C. Há quem afirme que as suas condições excepcionaes fazem‐no candidato á victória de hoje. […] (Correio Paulistano, 13 mai. 1928, p. 6).

A partida de 1928 reforçou algumas das imagens presentes na primeira edição, como a adesão do público ao evento e a qualidade técnica da partida. Além disso, começa a se delinear aquela que parece ser uma das tônicas daqueles jogos: a positivação da “raça negra” para o futebol. A Folha da Manhã foi um dos jornais que deram destaque à segunda vitória do time dos pretos:

Os pretos jogaram melhor que os brancos, cujo quadro ressentiu de um bom centro médio. Os elementos que mais se destacaram dos dois quadros foram Friedenreich, do quadro dos brancos, e Bizóca e Pixo, do quadro negro. Bizoca8 demonstrou ser um perfeito centro médio, distribuindo muito bem o jogo e auxiliando com eficácia a zaga e a linha ponteira. A linha do quadro negro esteve magnífica como, aliás, todo o conjunto (Folhada Manhã, 14 mai. 1928, p. 8).

O time preto, cujo conjunto foi adjetivado de magnífico’, venceu a segunda partida sobretudo pela atuação de Bisoca, jogador de meio‐campo que distribuía bem o jogo, auxiliava a defesa e o ataque. Os brancos se ressentiram de um jogador com essas características. Friedenreich teria sido o jogador que mais se destacou dessa equipe, ao lado de Pixo, do time preto. As justificativas da vitória do time dos pretos foram atribuídas ao conjunto do time, de maneira geral, e a dois jogadores – Bisoca e Pixo – em particular. Esses pontos são reforçados por outros jornais.

O jogo revestiu o aspecto grandioso e emocionante dos encontros formidáveis, destacando‐se uma actuação intelligente e methódica do seleccionado Preto que, mais uma vez e de forma brilhante, abateu o adversário por quatro pontos a dois.

(…) Basta assignalar‐se que a linha de frente do quadro oficial não teve uma investida sequer revestida daquela formidável coesão que a impecável distribuição de Friedenreich faz realizar. Os seus companheiros incertos e imprecisos nos shoots perderam oportunidades em obterem êxitos nos avanços. (Correio Paulistano, 15 mai. 1928, p. 9).

Já o Estado reforça o aspecto grandioso e emocionante do jogo anterior e também salienta que merecia louvores a atividade magnífica daqueles que se emanciparam em 13 de maio de 1888. Lembremos que esse era o motivo do jogo. Por outro lado, o time dos brancos carecia de organização para equilibrar a partida, faltava coesão e seus atacantes mostravam‐se incertos e imprecisos. A julgar pelas menções ao seu nome por parte da imprensa, Bisoca, jogador do time dos pretos, e Friedenreich, que atuava pelo time dos brancos, parecem ter tido uma atuação de destaque naquele jogo de 1928.

Do ponto de vista esportivo teve brilhante commemoração a data da libertação dos escravos pela Liga de Amadores de Football apresentando, domingo, 2 excellentes quadros compostos um de jogadores brancos e outro de jogadores de côr. Ambos souberam deliciar a numerosa assistência com uma técnica muito apreciável, recebendo por isso enthusiásticos applausos, A sua superioridade fez‐se sentir no decorrer de toda a partida devido talvez ao forte apoio que lhes prestou o centro‐médio Bizoca, que auxiliou efficazmente seus companheiros e teve uma firme atuação (O Estado de S. Paulo, 15 mai. 1928, p. 9).

O Estado chama atenção para o fato de que o objetivo do jogo fora alcançado: comemorar com brilhantismo a emancipação dos escravos por meio de uma partida de futebol que opunha pretos e brancos. Para esse jornal, os vários torcedores que foram ao estádio assistiram a uma partida de técnica apreciável, reconheceram essa qualidade e retribuíram com aplausos entusiasmados. A superioridade dos pretos se manifestou em função da atuação destacada do jogador Bisoca, que personificava a representação da positividade da “raça negra” para o futebol. Observemos que a vitória dos pretos se encaixava bem num jogo comemorativo da abolição dos escravos.

1929: Preto 2×2 Branco

O ano de 1929 poderia encerrar a disputa caso os pretos vencessem a terceira partida e culminassem com a conquista da taça Princesa Izabel.

Quadros sem treinos, organizados quase a última hora era evidente que não podiam proporcionar um bom jogo. Esperava‐se, com tudo, que o ardor e a rivalidade fossem razões suficientes para uma partida boa.

Tal não aconteceu, entretanto, o jogo desenvolvido pelos dois conjuntos foi falho sob todos os pontos de vista principalmente técnico. O quadro preto esforçou e muito. Devia vencer, mas não pôde apesar dos seus ataques serem muito mais perigosos e constantes.

A linha atacante dos brancos actuou desordenadamente, nela só aparecendo Filó. Os demais quase nulos.

Do quadro preto salientou‐se a linha média.

Jogo equilibrado e de primeiro tempo sem lances emocionantes entretanto. Os jogadores de ambos os quadros quiseram fazer uma reedição de futebol antigo, com chutes altos e longos, lembrando alguns os de José Rubião, antigo e famoso zagueiro do Paulistano. O Estado de S. Paulo, 14 mai. 1929, p. 12)

Diferentemente dos anos anteriores, em que a imprensa elogiava a qualidade técnica das partidas, 1929 mostrou times destreinados e desorganizados, o que acabou por comprometer sua apreciação. Os times praticavam um jogo caracterizado por chutes altos e longos – o “futebol antigo” – visto como pejorativo pelo jornal da época. A vontade e a rivalidade constituída nos anos anteriores não foram suficientes para proporcionar um bom jogo. Os brancos atuavam desordenadamente. Em contrapartida, mesmo em um cenário de críticas à qualidade técnica da partida, os jornais chamam atenção para o fato de que o time dos pretos mostrou‐se mais harmônico e seus ataques foram mais perigosos e constantes. Mesmo em um jogo mais equilibrado e com essa equiparação de forças traduzidas no empate no placar, os jogadores pretos tiveram sua atuação destacada nessa nova edição do preto x branco.

Os dois quadros actuaram regularmente, tendo o combinado branco se ressentido, porém, de mais perfeita unidade entre os seus elementos deanteiros. Os do quadro preto souberam, por sua vez, se conduzir com bravura conseguindo aguentar a situação prática da luta. (Correio Paulistano, 14 mai. 1929, s/p)

Já o Correio Paulistano chama atenção para o fato de os times apresentarem um desempenho regular, os brancos terem sentido falta de uma maior harmonia entre seus atacantes e os pretos, com bravura, conseguirem superar a pressão adversária. Devemos destacar que, em função de ser um jogo comemorativo e mesmo que a imprensa racionalize os resultados de qualquer jogo, o tom das narrativas em todas as edições desse evento comemorativo apresentou certo viés de elogio aos jogadores negros.

1930: Pretos 5×0 Brancos

Ao anunciar a quinta edição do jogo e da mais acachapante vitória do time dos pretos, a Folha da Manhã destacou o desempenho dos jogadores nos jogos, uma vez que estavam, é bom lembrar, invictos, tinham vencido três partidas e empatado uma. Numa partida de grande brilho, o público que tomou quase todas as dependências do estádio assistiu aos jogadores brancos desarticulados e aos pretos, ao contrário, jogarem com bastante firmeza. Em função disso, o jornal interpretou que os resultados positivos obtidos pelos pretos decorriam do fato de serem, segundo o jornal, “perfeitos conhecedores da arte”, a de jogar de futebol.

O quadro preto, que desde o início desses jogos se tem imposto de uma forma brilhante, contará com o concurso dos elementos dos quadros principaes desta capital, os quaes tem demonstrado ser perfeitos conhecedores da arte (…) (Folhada Manhã, 13 de mai. 1931, p. 11).

A reportagem a seguir, sobre a 4a edição dos jogos, continua a elogiar aos jogadores que se destacavam naquele certame e nos campos de futebol de São Paulo.

Em quanto reina bastante desarticulação entre os dianteiros brancos, os pretos, pelo contrário, agem com muita firmeza e não tarda que, finalizando um ataque de Petro, Pixo e Mário, este desfere bom chute que ilude Atuffy. (Correio Paulistano, 14 de mai. 1930, p. 8)

Enquanto os brancos mostravam‐se desarticulados, nesses jogos “evidenciava‐se outra vez o talento dos negros, que não apenas se fazia sentir mais e mais nos campos oficiais como ainda viria a definir o próprio estilo brasileiro” (Franzini, 2003, p. 50). O desempenho positivo do negro diante do confronto com o branco reforçava a construção da identidade nacional, integrava o negro nesse espaço social e alimentava o discurso da originalidade do estilo de jogo e da nossa formação social (Soares e Lovisolo, 2003).

1931: Pretos 2×5 Brancos

Os eventos anteriores receberam a presença de autoridades políticas, militares e esportistas e o de 1931 não fugiu a essa regra, foi prestigiado por celebridades nacionais. Naquela ocasião, o preto x branco receberia a visita de Yolanda Pereira, “a mais bela”, que, em agosto de 1930, havia sido a primeira brasileira a conquistar o título de Miss Universo. No dia do jogo, o mesmo jornal anunciou:

Hoje a noite, o Club Athlético Brasil realiza uma festa esportiva contendo o principal atrativo, o tradicional encontro de branco e preto que vem sendo realizado há seis anos9 alcansando sempre grande sucesso. O enthusiasmo e interesse que vem sendo aguardado neste jogo são plenamente justificáveis, pois tanto os jogadores brancos quanto os pretos estão, ao que geralmente se affirma, optimamente preparados (O Estado de S. Paulo, 13 mai. 1931, p. 6).

Essa reportagem reforça o fato de que aquele era um evento festivo e atualiza a tradição sobre aquele jogo, que já estava em sua 5a edição. Ademais, reforça o fato de que o evento sempre obtinha sucesso e que as equipes estavam bem preparadas em todos os aspectos, como também foi destacado pela Folha da Manhã:

Realiza‐se hoje o tradicional encontro entre os seleccionados dos pretos e brancos. A grande data da libertação dos escravos de há muito vem sendo commemorada, pelos futebolistas paulistanos, com a realização de tão grande encontro, tanto o quadro dos pretos, como o dos brancos, apresentar‐se‐ão integrados pelos nossos mais perfeitos futebolistas. (Folhada Manhã, 13 mai. 1931, p. 11).

Aquele jogo que estava sendo anunciado podia ser o último preto x branco. Caso os pretos vencessem, completariam a quarta vitória e ficariam com a posse definitiva da taça Princesa Izabel. Para evitar esse desfecho o time dos brancos deveria evitar a vitória do adversário. E conseguiu. No dia 14, como de costume, o Estado limitou‐se a anunciar o placar: “Notícias do Esporte – Última Hora: Brancos (5) vs. Pretos (2)” (O Estado de S. Paulo, 14 mai. 1931, p. 2).

A Folha da Manhã, por sua vez, trouxe maiores detalhes sobre a primeira vitória do time dos brancos.

Futebolistas pretos foram derrotados pelos brancos, no jogo de hontem por 5 a 2.

Numerosa foi a assistência que affluiu ás dependências do campo da Floresta afim de assistir o desenvolver do tradicional encontro entre o selecionado dos pretos e dos brancos. (Folhada Manhã, 14 mai. 1931, p. 8).

Na página 12da Folha da Manhã, a reportagem descreveu os gols e finalizou: “Mais algumas jogadas sem importância e termina as 23,55 hs o prélio, com a contagem de cinco tentos contra dois, a favor do selecionado dos brancos” (Folhada Manhã, 14 mai. 1931, p. 12). Novamente os jornais apontam que o jogo agradou aos espectadores, que parecem ter comparecido em bom número ao estádio. Além disso, revela que mesmo que o 13 de Maio ocorresse em dia útil o preto x branco ocorria no turno da noite, mas não deixava de ser feito. Todavia, diferentemente das edições anteriores, em que as vitórias do time dos pretos foram acompanhadas de comentários elogiosos em relação à participação dos seus jogadores, o mesmo não se pode dizer após a primeira vitória do time dos brancos. Na ocasião, a imprensa se limitou a noticiar o placar e dizer que o jogo agradou aos torcedores que em grande número assistiram à partida, que na sua 5a edição tinha ganhado status de competição tradicional.

Discussão

Observamos nesses certames comemorativos que os jornais destacavam em geral o desempenho dos negros de forma positiva. Indícios empíricos revelam, ao acompanharmos as cinco primeiras edições dos jogos, que aquela sociedade reconhecia as qualidades do homem preto no espaço do futebol. É evidente que a dimensão objetiva da equipe dos pretos ter logrado sucesso na maioria dos jogos poderia ser encarada como a racionalização óbvia da imprensa para explicar as vitórias. Todavia, a edição de 1931, com a vitória dos brancos, foi descrita de forma lacônica. Não há indícios de valorização e nem elogios aos brancos e muito menos críticas à equipe dos pretos diante dessa derrota.

A imprensa, diante das vitórias dos pretos naquela série de jogos, racionalizava o sucesso os homens de cor e destacava as qualidades técnicas de seu futebol. Dadas as vitórias, as festividades para celebrar a emancipação dos escravos – uma data cara na vida brasileira – se transformaram em uma festa para celebrar as repetidas vitórias dos pretos e para confirmar a ideia da potencialidade do jogador preto no campo do futebol. O preto x branco se transformou numa festa dos pretos e os elogios deveriam ser dirigidos àqueles que representavam os escravizados do passado e continuavam em condições desiguais naquela sociedade liberal. Por outro lado, devemos lembrar que a identificação da “raça” do outro representava a produção de uma gramática de classificação e hierarquização dos povos a partir da perspectiva daqueles que tinham mais cotas de poder no jogo social.

Portanto, a “raça branca” não poderia ser objeto de elogio naqueles jogos. Se ganhassem, os jornais se limitariam a traduzir a vitória em termos estritamente técnicos. Elogiar os brancos na vitória de 1931 seria afirmar uma superioridade já afirmada no jogo social e recrudescer a hierarquia já presente na sociedade brasileira. Portanto, para sorte dos organizadores, as cinco primeiras edições dos jogos cumpriram as expectativas, dado o maior número de vitórias dos pretos. Todavia, o elogio recorrente ao futebol dos pretos apresenta outros significados sobre os quais devemos nos debruçar.

Conclusão

Os reiterados adjetivos atribuídos aos negros pelo desempenho das atividades corporais podem representar que o futebol foi um dos campos de integração dos negros à sociedade brasileira. Todavia, as representações construídas sobre o desempenho corporal dos jogadores nesses espaços que positivaram a construção identitária do “ser brasileiro” tiveram como efeito ambíguo a manutenção das hierarquias que indicavam os caminhos limitados de circulação étnica na cidade e na sociedade. Esses jogos analisados exemplificam esse processo.

Abrahão e Soares (2012) analisaram o efeito ambivalente do elogio aos negros no espaço do futebol ao discutir que tal modalidade se configurou um dos poucos espaços sociais em que os pretos obtiveram sucesso, reconhecimento e visibilidade no contexto pós‐abolição. O destaque dado ao desempenho dos negros no espaço do futebol acabou por legitimar um discurso sobre as potencialidades corporais da “raça negra” para o campo das artes, da música e dos esportes.

A naturalização das qualidades que indicavam os negros mais aptos para as atividades corporais e artísticas acabava por localizar os espaços que os homens de cor deveriam ocupar naquela sociedade. Em síntese, a suposta superioridade física e artística dos pretos para as atividades que requerem o uso do corpo indicava uma das formas de como se daria sua integração naquela sociedade. Além de integrar era necessário manter as hierarquias herdadas da escravidão e localizar o lugar de atuação dos pretos na estrutura anti‐igualitária e hierarquizada da sociedade brasileira, no sentido de DaMatta (1981).

Dessa forma, os elogios provenientes das representações hegemônicas socialmente construídas sobre o preto no espaço do futebol, a despeito de favorecer a sua integração, tiveram como efeito perverso a localização do espaço social destinado à “raça negra”, isto é, o espaço da expressividade de habilidades corporais e/ou artísticas. Tendo como cenário a afirmação da mestiçagem, esses jogos possibilitam acesso a uma leitura ímpar das representações sobre as “raças”, num contexto de reordenamento das hierarquias sociais e raciais naquele Brasil dos anos 20 e 30 do século passado.

Num contexto de agenciamento da identidade nacional por meio do futebol, os jogos de pretos contra brancos na cidade de São Paulo eram funcionais para a construção de sociabilidades e a redução das tensões raciais. Dessa forma, aqueles jogos festivos lembravam a libertação dos escravos e celebravam a harmonia entre as raças no Brasil. Todavia, não se pode esquecer que nos campos sociais nos quais o mérito se sobressai de forma inequívoca e objetiva, como no caso dos esportes, a sociedade não poderia deixar de reconhecer a habilidade das pessoas de cor, apesar das sutis formas de manutenção das hierarquias. A adesão das autoridades políticas ao evento ilustrava o discurso oficial que apoiava a visão de integração racial materializada naqueles jogos comemorativos.

Os jogos preto x branco refletiam a visão otimista da mestiçagem e o discurso hegemônico tão em voga naquele momento sobre a incorporação do preto na sociedade brasileira. Paralelamente a essas partidas amistosas, o futebol dramatizava os dilemas da nação: era uma competição no campo de futebol que evidenciava as identidades raciais e/ou nacionais num convívio pacífico e civilizado das diferentes raças que habitavam no Brasil. Reforçamos que era essa a mensagem pautada na experiência do ideal civilizatório da democracia racial da construção da identidade brasileira.

O objetivo dos jogos era integrar e reduzir os possíveis conflitos. A partir deles, emergiram, a partir da imprensa, estereótipos positivos sobre os negros, especialmente vinculados às qualidades corporais e condutas civilizadas atribuídas à “raça negra”. O efeito ambivalente das consecutivas vitórias dos pretos não era apenas um reforço do reconhecimento legal dos pretos como homens livres, mas também da maximização da imagem que os brancos faziam sobre eles: a da vocação “inata” dos negros para as atividades corporais e/ou artísticas. A ambiguidade dos elogios ao desempenho dos jogadores pretos por meio do jogo preto x branco reside no fato de hierarquizá‐los, localizá‐los em determinados espaços sociais, ao indicar o campo de futebol como um meio de mobilidade e de integração naquela sociedade liberal e republicana.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Referências
Abrahão, 2010
B.O.L. Abrahão
O “preconceito de marca” e a ambiguidade do “racismo à brasileira” no futebol
Universidade Gama Filho ‐ Programa de Pós‐Gradução em Educação Física: Tese de Doutorado, (2010)
Abrahão e Soares, 2010
B.O.L. Abrahão,A.J. Soares
Revista Brasileira de Ciências do Esporte
Autores Associados, (2010)pp. 9-23
2
Andrews, 1998
G.R. Andrews
Negros e brancos em São Paulo (1888‐1988)
Edusc, (1998)
Arruda, 1998
Arruda, A. O ambiente natural e seus habitantes no imaginário brasileiro. In: Arruda, A. (Org.) Representando a alteridade. Petrópolis: Vozes, 1998.
DaMatta, 1981
R. DaMatta
Relativizando: uma introdução à antropologia estrutural
Vozes, (1981)
Franzini, 2003
F. Franzini
Corações na ponta da chuteira: capítulos iniciais da história do futebol brasileiro (1919‐1938)
DP&A editora, (2003)
Gonçal Junior, 2008
Gonçalves Junior
René Duarte, Friedenreich e a reinvenc??a??o de Sa??o Paulo: o futebol e a vito??ria na fundac??a??o da metro??pole
Universidade de Sa??o Paulo (USP), Mestrado em Histo??ria, Dissertação, (2008)pp. 146f
Schwarcz, 2001
L.M. Schwarcz
Retrato em branco e preto – jornais, escravos e cidadãos em São Paulo no final do século XIX
Companhia das Letras, (2001)
Soares e Lovisolo, 2003
A.J. Soares,H. Lovisolo
Revista Brasileira de Ciências do Esporte
Autores Associados, (2003)pp. 129-144
1
Stockin, 1982
G.W. Stocking Jr.
French anthropology in 1800. Race, culture, and evolution
University of Chicago Press, (1982)
Woodward, 2000
Woodward, K. identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: Tadeu da Silva, T. (Org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

Quando uma representação prevalece nas práticas sociais compartilhadas por membros de um grupo estruturado – uma nação, por exemplo – elas se tornam hegemônicas. Ver Arruda (1998).

Como o significado do jogo naquele contexto, a ausência de violência e participação de Friedenreich, o melhor jogador brasileiro da época, no time dos brancos.

Essas reportagens foram usadas para o desenvolvimento da tese O preconceito de marca e a ambiguidade do racismo à brasileira no futebol (Abrahão e Soares, 2010; Abrahão, 2010).

Apesar da procura, não encontramos indícios desses jogos nos jornais nos anos subsequentes. Em uma visita ao museu da Federação Paulista de Futebol, encontramos indícios desses jogos em 1938 e 1939, sem que fossem retratados pelos jornais.

O primeiro dia em que o preto x branco apareceu nos jornais foi 10 de maio de 1927 e o conteúdo das reportagens se limitava a anunciar o jogo, o local e as autoridades convidadas.

Liga Amadora de Futebol.

Embora se trate do mesmo jogador, ora os jornais escrevem o nome de Bisoca com S ora com Z.

Aqui um equívoco da reportagem, uma vez que o jogo estava na 5a edição.

Copyright © 2015. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte
Revista Brasileira de Ciências do Esporte 2017;39:183-90 - Vol. 39 Núm.2 DOI: 10.1016/j.rbce.2015.10.002