Revista Brasileira de Ciências do Esporte Revista Brasileira de Ciências do Esporte
Revista Brasileira de Ciências do Esporte 2015;37:128-35 - Vol. 37 Núm.2 DOI: 10.1016/j.rbce.2014.11.019
Artigo original
A propósito de Ling, da ginástica sueca e da circulação de impressos em língua portuguesa
About the proposal of Ling, Swedish gymnastics and the movement of prints in Portuguese language
A propósito de Ling, de la gimnasia sueca y de la circulación de impresos en lengua portuguesa
Andrea Moreno
Programa de Pós‐Graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social, Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
Recebido 01 Agosto 2014, Aceitaram 28 Novembro 2014
Resumo

Este artigo analisa o sistema sueco de ginástica criado por P. H. Ling e retoma a trajetória de seu precursor e a vocação do Instituto Central de Ginástica de Estocolmo no papel de preservação e divulgação dos preceitos lingianos. Especificamente, atentamo‐nos para a vulgarização e a circulação do método por meio de manuais em língua portuguesa produzidos entre fins do século XIX e início do XX. Tem como fontes os manuais escolares escritos por Pedro Borges, Antonio M. Ferreira, Paulo Lauret e Arthur Higgins. Percebemos neles forte inspiração na ginástica sueca, revelada nas lições sistematizadas e na valorização de aspectos como retidão, racionalidade, simetria, correção, educação da vontade e aperfeiçoamento físico.

Abstract

This article analyzes the Swedish gymnastic system created by P. H. Ling. It resumes the trajectory of its precursor and the vocation of the Stockholm Gymnastic Central Institute for the preservation and divulgation of the “lingian” precepts. The focus is, specifically, on the vulgarization and circulation of the method through Portuguese textbooks that were published in late nineteenth‐century and early twentieth‐century. The main sources were the textbooks written by Pedro Borges, Antonio M. Ferreira, Paulo Lauret e Arthur Higgins. It was observed in these textbooks a strong inspiration on the Swedish gymnastic, revealed in their systematic lessons, and in the value put on the rectitude, rationality, symmetry, accuracy, education of the will and physical improvement.

Resumen

El siguiente artículo analiza el sistema sueco de gimnasia creado por P. H. Ling, retomando la trayectoria de su precursor y la vocación del Instituto Central de Gimnasia de Estocolmo en el papel de preservación y difusión de los preceptos y supuestos “lingianos”. Específicamente, nos centramos en la popularización y la circulación del método sueco a través de manuales en lengua portuguesa producidos entre fines del siglo XIX y principios del XX, tomando como fuentes primarias los manuales escolares escritos por Pedro Borges, Antonio M. Ferreira, Paulo Lauret y Arthur Higgins. Identificamos en ellos una fuerte inspiración en la gimnasia sueca, revelados en las lecciones sistematizadas y en la valorización de aspectos tales como la rectitud, la racionalidad, la simetría, la corrección, la educación de la voluntad y el perfeccioamiento físico.

Palavras‐chave
Ginástica sueca, Circulação, Manuais escolares, Educação do corpo
Keywords
Swedish gymnastics, Circulation, Scholar textbooks, Body's education
Palabras clave
Gimnasia sueca, Circulación, Manuales escolares, Educación del cuerpo
Introdução

Estudo feito por Moreno (2001, 2003) sobre a ginástica sueca concebida por Ling apontava que o método racional estava presente em terras brasileiras, nos discursos de políticos e intelectuais, mas que não impactava o corpo do homem comum, que não a acolhia, porque impregnado de outras sensibilidades, mais afeitas aos divertimentos e menos às racionalidades e à retidão que essa prática convidava. Assim, o método sueco acabou sendo acolhido por uma instituição, a escola, na qual a retidão, a racionalidade e a simetria eram tão caras. Como questão em aberto ficava a compreensão sobre a forma como os saberes sobre o sistema lingiano circularam no Brasil e mesmo como o método sueco (ou qual) se fez presente no país e a partir de que autores.

Este artigo busca ampliar aquele estudo,1 investigar as formas como esse chegou e circulou no Brasil, sobretudo em sua tradução/versão para língua portuguesa. Ao pesquisar o Ensino Normal em Minas Gerais,2 entre fins do século XIX e início do século XX, deparei‐me com fontes que indicavam programas e compêndios que foram usados no ensino da cadeira de ginástica em terras mineiras. Era clara a inspiração na ginástica lingiana nesses documentos. Seja nas prescrições dos exercícios corporais contidas nos programas, seja nas referências aos manuais e compêndios de Antonio M. Ferreira, Pedro Borges, Paulo Lauret, Kumlien e Arthur Higgins.3

As perguntas iniciais, em relação aos saberes sobre ginástica sueca que no Brasil aportavam, eram: de onde vinham e como chegavam os compêndios que por aqui circularam? Quem eram os autores, quem os traduzia e que redes de sociabilidade mantinham? No caso dos manuais de autoria de brasileiros, que vínculos mantinham com a produção de saber sobre ginástica sueca na Europa? Enfim, como a ginástica sueca circulou e foi divulgada no Brasil entre fins do século XIX e início do XX?

Ao iniciar a pesquisa uma constatação importante emergiu: sabemos pouco sobre a ginástica sueca e sabemos menos sobre a maneira como se apresentou ao Brasil. Geralmente essa presença é imputada a Rui Barbosa (1947a, 1947b), cujos pareceres são considerados um marco inaugural da defesa da ginástica sueca nas escolas brasileiras.

Para esse empreendimento de estudo, algumas decisões/noções importantes:4 1) tomar a ginástica como objeto cultural, como uma prática que não nasce nem permanece pura. Não é obra de um gênio. Nasce embebida de muitas influências, encharcada de múltiplas ideias, nem sempre previsíveis e lineares; 2) mobilizar o pressuposto de que objetos culturais circulam e, nessa circulação, há sempre uma dimensão transformativa, não mantêm valores e características, tal qual foram “inventados”; 3) objetos culturais circulam pelas mãos de mediadores. Amplio aqui a noção de mediadores como proposta por Gruzinski (2001a, b), para incluir não somente sujeitos, mas também livros, objetos, fotografias, instituições – agentes mediadores. Parto do pressuposto de que todos esses agentes, para além dos sujeitos, podem fazer circular saberes e ideias.

As reflexões aqui reunidas, então, fazem parte desse esforço de pesquisa, de investigar mais a fundo o que foi o método sueco de ginástica criado por Ling no Instituto de Estocolmo, mas também aperfeiçoado pelos seus continuadores, e levantar hipóteses sobre sua circulação em língua portuguesa.

Ling, o Instituto de Estocolmo e a ginástica sueca

Pier Henrik Ling (1776‐1839) nasceu na Suécia, em Södra Ljunga, Småland, em 1776. Sabe‐se pouco de sua vida na infância e na juventude, apenas que viveu num ambiente científico fértil. Tornou‐se poeta e estudou teologia. Era um homem ligado ao mundo da literatura e às letras e trabalhava em Estocolmo, no Serviço Social (Westerblad, 1909; Liedbèck, 1852 apud Ljunggren, 2011).

Com o intuito de estudar letras vai para Dinamarca em 1799, então com 23 anos. Estuda literatura francesa e alemã. Contam‐nos as biografias que não foi fácil sua vida por lá: teve residências temporárias, más condições de sobrevivência. Era um jovem homem franzino com reumatismo e predisposição para a tuberculose, mal que invadia a Suécia na época. Viveu o dilema de voltar à sua terra, o que o dinheiro escasso impedia. É nesse período em Copenhagen que toma contato com Nachtegall (1777‐1874) e seu instituto, aberto justamente no ano em que Ling chegara (1799). Lá, fortalece sua saúde. No entanto, fica insatisfeito com a concepção de ginástica apenas como veículo para uma saúde física, o que para ele era uma visão limitada – como veremos adiante.

Com 28 anos, em 1804, volta para a Suécia, na esperança de tornar‐se professor de esgrima na Universidade de Lund, o que acontece em 1805. Já convencido de que a prática da ginástica e a criação de um sistema deveriam ser um propósito de Estado, ia solicitando à instituição a compra de aparelhos para sua execução.

Ling viveu momentos de muitas transformações em sua terra: definições de território, alterações na economia (Pereira, s/d). A Europa, e particularmente a Suécia, segundo Ljunggren (2011), desde 1790 até 1820 assistiu com vivo interesse ao debate pela pedagogia, pela educação física e pela saúde corporal, valores importantes na construção do cidadão ideal (Ljunggren, 2011). A escola deveria ensinar o que era um bom cidadão, consciente de seus deveres e direitos, obediente a regras, cuidadoso de si, de sua moral e de seu corpo: “Era necesario disciplinar el cuerpo humano y las emociones humanas para dar fortaleza a los ciudadanos conscientes de sus obligaciones, preparados para comprometerse por el bienestar de la nación” (Ljunggren, 2011, p. 41). De certa forma, ações como a criação de uma cátedra de educação física na Universidade de Uppsala, reformas educacionais que incluíam a ginástica na escola e mesmo a criação do Instituto Central de Ginástica de Estocolmo (Gymnastiska Centralinsitutet – GCI), entre outras iniciativas, são reflexos desse debate. É nesse contexto que em 1813 Ling é nomeado diretor do Instituto. Ali, Ling coloca em prática seu sistema ginástico e suas crenças na educação. Vai nascendo a ginástica lingiana, que tinha na formação do corpo harmonioso sua razão de ser e na ciência médica sua explicação. Como nos ensina Ljunggren (2011): “Con la educación física, él quería adoptar una postura del cuerpo adecuada. Corrección fue ella palabra clave” (p. 37).

O projeto de Ling, de criação de um sistema sueco de ginástica, continha fortes traços idealistas. Inspirado pela filosofia alemã de Schelling (1775‐1854), Ling acreditava que era possível desenvolver o espírito humano disciplinando o corpo, tarefa essa da ginástica. Como referencia Ljunggren (2011), “servía para domar nuestros instintos y poner el cuerpo bajo nuestra voluntad así como para desarrollar los talentos y, al mismo tiempo, alcanzar el estado divino y sentirse como Dios” (p. 45). As ideias de Ling, seus princípios e suas prescrições foram escritas no livro Gymnastikens allmänna grunder (Ling, 1834‐1840).5

Paradoxalmente, ele acreditava fortemente na necessidade de que ginástica estivesse assentada numa racionalidade científica. Era o conhecimento médico, científico, que daria as explicações para a prática corporal. O corpo poderia ser analisado cientificamente e daí construir movimentos precisos e adequados, formas exatas e uniformes de executá‐los. Esse é um dos motivos pelos quais ele vai cuidadosamente propondo diferentes versões para a ginástica segundo seus objetivos: pedagógica, estética, militar e médica. Versões que vão ter em comum a explicação nas “leis da natureza”. Como nos ensina Ljunggren (2011), “en la gimnasia de Ling no hubo limites bien definidos entre idealismo, estética y ciencia”.

Ademais, Ling vê a ginástica como uma forma de resgate da identidade escandinava. Para ele a Suécia encarnava esse ideal. Não à toa, enquanto esteve em Copenhagen aprendeu a arte da esgrima. A luta de espadas, seja ela na forma de prática sistematizada ou não, fazia parte do imaginário escandinavo. De certa forma esse traço vai aparecer no método ginástico que Ling vai forjando desde então: “Había una fuerte celebración de la masculinidad en gimnasia de Ling. Como poeta, él adoraba a los antiguos vikingos, y el propósito de la educación física, según él, fue ganar otra vez la fuerza de los antiguos antepasados que se habrían perdido en la sociedad moderna. Los rasgos vikingos, sin embargo, eran demasiado rudos para presentar un ideal para el siglo XIX, por lo tanto, el objetivo de la gimnasia era reclamar la fuerza vikinga en una forma civilizada” (Ljunggren, 2011, p. 42).

Na Suécia a proposta de Ling encontra terreno fértil para se expandir. Foi bastante difundida, como podemos ver nas palavras de Posse (1891), ex‐professor do Instituto: “O sistema educacional é, desde há muito, um terreno de especialistas. Em meados do século XIX, em todas as escolas, cada professor instrui apenas no ramo para o qual ele adquiriu aptidão com o maior cuidado, ele é um mestre nesse assunto particular e não ensina nada mais do que isso. Professores não ensinam ginástica, a não ser que tenham feito curso no Instituto de Ginástica, rechaçando a filosofia de que qualquer exercício seja melhor do que exercício nenhum. Aplicar a ginástica sem saber como seria tão perigoso quanto praticar medicina sem ter os estudos prévios. Nas cidades grandes, como Estocolmo, um professor específico passa na escola uma vez por dia e passa os exercícios em cada sala, uma vez que as escolas livres não têm ginásio. Mesas e cadeiras são usadas como aparatos e é surpreendente ver como um professor treinado transforma essa simples parafernália numa resposta para as propostas da ginástica” (Posse, 1891, p. 6).6

Ling morre em 1839. Indicara dois sucessores imediatos para a direção do Instituto: Gabriel Branting e August Georgii. Seu filho, Hjalma Ling (1820‐1886), dedica‐se a pormenorizar a obra do pai, particularmente a ginástica pedagógica. Seria consequência então, desse intento, o desenvolvimento da ginástica educativa, sobretudo o ocorrido por volta de 1860, a educação física escolar herdeira. Nesse sentido, podemos afirmar que o que chamamos hoje de ginástica de Ling se forjou, efetivamente, na segunda metade do século XIX, já quando Ling havia morrido.

Desde então, sob diversos nomes, temos encontrado o sistema lingiano de ginástica: método sueco, ginástica sueca, método racional, ginástica racional, ginástica respiratória. As diferentes denominações, de algum modo, revelam não só a origem, mas os princípios do sistema criado por Ling que permitiram agrupar os movimentos ginásticos em lições, com um ou mais exercícios de cada grupo na ordem numerada: 1) Introdutórios; 2) Arcoflexões; 3) Movimentos de braços; 4) Movimentos de balanço; 5) Movimentos de escápula; 6) Exercícios abdominais; 7) Movimentos laterais do tronco; 8) Movimentos lentos das pernas; 9) Pulos e saltos e 10) Exercícios respiratórios.

Ljunggren (2011), com base em Lindroth (1974), sintetiza a ginástica de Ling em sete pontos: 1) Princípio da precisão de movimentos; 2) Princípio da forma/formalidade do exercício; 3) Princípio da seleção; 4) Princípio da progressão; 5) A lição de ginástica; 6) A disciplina e 7) A participação de todos.

Sobre esses exercícios e a composição das lições, ensina Posse (1891) que eles são escolhidos pelos seus efeitos fisiológicos, são excluídos aqueles que pudessem causar lesões. Todos os exercícios eram executados com palavras de comando e grande importância era dada a esse aspecto, pois era uma das maneiras de o ginasta concentrar toda sua atenção e evitar, assim, “pensar em uma coisa enquanto fizesse outra”. E era isso que definia o movimento ginástico: a completa vontade e concentração na execução. Apesar das objeções feitas sobre o uso de vozes de comando, seja porque cansativas, seja porque autoritárias, respondiam que a diversão estava nos exercícios de descanso. Dever‐se‐ia colocar toda a mente na execução, acreditar ser assim menos cansativo do que se exercitar‐se pensando em outras coisas. Assim, a disciplina era relevada como algo não apenas necessária ao soldado, mas a todos que quisessem ter qualquer controle sobre si mesmo. Palavras de comando também ensinavam às crianças a pensar e fazer coisas no menor período de tempo possível, o que “não é pequeno ganho nesses tempos de velocidade e competição” (Posse, 1891, p. 29). Além do que, o uso dos comandos facilitava ao professor o ensino e a correção.

A progressão deveria ser muito estrita, para que os exercícios não cresçam apenas de lição em lição e sejam feitos em conformidade com diferenças de idade, sexo, força, nacionalidade etc., mas também para que esses exercícios progridam diariamente nas lições. A investigação prática provou que os exercícios podem ser mais fortes, os seus efeitos mais completos e a progressão pode ser mais rápida se certa ordem for observada em cada lição. Essa ordem é a base para a classificação dos exercícios. (Posse, 1891, p. 15)

O método era considerado racional por existir um argumento científico em tudo que era adotado e usado; e prático porque possível de ser aplicado independentemente de aparato, constituído de exercícios simples que poderiam ser praticados em qualquer lugar e momento, com “espaço e oxigênio” suficiente no ar.

Rompia até mesmo com práticas higiênicas consolidadas como a necessidade do banho após cada lição. Acreditava‐se que pelo uso adequado dos exercícios respiratórios – que promoviam uma grande eliminação de água pelos pulmões – a evaporação na pele não aumentaria em níveis marcantes. Se não houvesse excesso de respiração, dispensar‐se‐ia a necessidade de um banho, o que preservaria o corpo do ar frio.

Como os exercícios eram selecionados nas lições? Principalmente pelo seu “valor ginástico”, o qual dependia qualitativamente de como o movimento combinaria o máximo de efeito no corpo com a simplicidade e a beleza do desempenho. Apenas os exercícios em que os efeitos gerais e locais eram bem conhecidos e provavam‐se necessários para o corpo eram feitos. O movimento devia desenvolver efeitos em um curto tempo; ser simples para uma execução correta e bela, de acordo com a habilidade de cada um. Com o objetivo de suprir as necessidades do organismo e, ao mesmo tempo, desenvolver harmonicamente o corpo, os exercícios deviam afastar as tendências de má postura que gerariam crescimento defeituoso; e o maior ou menor valor do movimento dependeria do seu poder de interação e correção dessas tendências.

Em conformidade com a “verdade fisiológica” de que o primeiro, maior e mais extensivo efeito se daria nos órgãos respiratórios, os exercícios deveriam ter perfeita liberdade. Desaprovava‐se e descartava‐se qualquer movimento que comprimisse o peito ou que causasse interferências na liberdade respiratória. Em reconhecimento ao fato de que para ser um homem forte dever‐se‐ia saber respirar bem, muita notoriedade era dada aos exercícios respiratórios e ao desenvolvimento apropriado dos músculos peitorais. “Respire!”, “Não segure a respiração!” eram comandos comuns nos ginásios onde o método era usado: o desenvolvimento dos órgãos respiratórios é de consideração primordial, nenhum movimento que interfira na respiração livre é permitido e o maior cuidado é tomado para que os exercícios proporcionem um adequado transporte de oxigênio na cabeça e tórax. Como os movimentos são praticados pelos seus efeitos no corpo – não para uma plateia – nós não ensinamos forçosamente aos pupilos certo movimento como se existisse um “truque” nele, mas levamos em consideração a habilidade de cada um. (Posse, 1891, p. 15)

Ao se julgar o efeito de qualquer exercício, não se levava em consideração o desenvolvimento muscular por si só. Considerava‐se que esse objetivo era alcançado sem um trabalho especial para isso. Dizia‐se: ao se medir a força do homem, compara‐se o homem com ele mesmo; não dizemos que um homem é forte porque consegue segurar muito ar, ou porque ele pode levantar muitos pesos, ou porque ele pode pular alto. Mas quando ele tem uma saúde balanceada, um corpo proporcional e um bom controle sobre ele, então tem uma cultura física. Mesmo sobre o olhar de muitos ele pode parecer fraco quando comparado com outros. “É essa saúde, simetria e harmonia que objetivamos quando selecionamos os exercícios.” Movimentos nunca eram selecionados “porque eles parecem bonitos”; porque a ginástica educacional não mira a beleza do desempenho. (Posse, 1891, p. 21)

Quanto à regularidade do método, tendo em vista que a ginástica sueca é sistematizada, deveria haver progressão. Isso recebeu atenção de forma bastante cuidadosa, para que os exercícios sempre começassem pelo mais simples e gradualmente ganhassem complexidade em força e gesto. Tão intimamente os efeitos dos movimentos no organismo humano tinham sido estudados que a menor mudança de posição – mesmo um giro de mãos – tinha sua influência reconhecida nas progressões. Nesse ponto era onde o método mais demandaria conhecimento adequado do professor. Nenhum movimento deveria ser feito sem que o anterior do mesmo tipo tivesse sido praticado e nenhum exercício seria usado se as posições adequadas não fossem praticadas suficientemente para garantir sua retidão; se a posição inicial fosse falha, não existiriam possibilidades de o movimento ser executado corretamente.

O método sueco desaprovava completamente o uso de música. Primeiro porque, segundo seus preconizadores, poucos movimentos ginásticos eram rítmicos e não poderiam ser executados sem que houvesse sacrifício do movimento. E, por outro lado, cada movimento ginástico tinha seu próprio ritmo, o que, de qualquer maneira, era diferente do ritmo da música. Se a música fosse usada ela deveria mudar a cada movimento: pegue, por exemplo, um movimento como a preparação para o salto. Consiste em: 1) elevação do calcanhar; 2) flexão do joelho; 3) extensão do joelho e 4) abaixamento do calcanhar. O primeiro passo é excessivamente veloz, o segundo moderadamente rápido, o terceiro comparativamente lento e o quarto ainda mais lento. Agora, onde está uma música que encaixe com esse movimento? (Posse, 1891, p. 30)

Finalmente, acreditava‐se que a prática da ginástica lingiana criaria um verdadeiro exemplar da raça humana, contribuiria para a diminuição de “gangrenas sociais”. Como doutrina, buscava atuar na atenção e na vontade e agir sobre o comportamento do indivíduo.

Entretanto, não foi sem críticas que o método sobreviveu, apesar do grande esforço despendido em suas explicação e divulgação. Em sua defesa, seus preconizadores mostravam que havia no método muitos méritos e que ele havia proporcionado muitos ganhos na Suécia (revelados, sobretudo, na cultura física do povo sueco). Por isso até havia sido adotado em diversos países. As acusações, em geral, recaíam no argumento de que não era atrativo, que era excessivamente monótono e mesmo deficiente em termos pedagógicos e fisiológicos. As críticas aumentaram gradativamente com o advento do esporte moderno, sobretudo já na segunda metade do século XIX (Ljunggren, 2011). Se no âmbito escolar sueco o método encontrava um lugar de acolhimento, nos clubes ginásticos privados (que também eram locais da prática por parte da população) não teve a mesma sorte e competiu com a expansão do esporte.

Fato é que, sob esses cuidados, e a observação rigorosa de seus princípios, ao longo do tempo, o Instituto se tornou o epicentro da ginástica sueca no mundo. Tomou para si a responsabilidade de estudo, de continuação e de divulgação do método de Ling. Sabe‐se que vários seguidores eram bastante fervorosos na defesa do sistema e o adotavam como doutrina: “Los más devotos partidarios de la gimnasia de Ling eran ciertamente ortodoxos y conservadores. El legado de Ling fue tratado como un objeto sagrado a ser defendido contra todo lo que posiblemente lo amenazara” (Ljunggren, 2011, p. 38).

O Instituto também recebia estrangeiros e enviava representantes para outros países. Chamo a atenção para esse aspecto, pois aí reside um traço importante da missão lingiana: que era não somente desenvolver a prática da ginástica, mas difundi‐la pelo mundo além de em seu próprio país.7

Como um ritual, a ginástica de Ling se construiu explícita e severamente: movimentos precisos, coordenados, gestos rígidos, tempo ordenado. E era preciso preservar esses aspectos. Em geral, defendiam seus seguidores que o método sueco concebido por ele já tinha em suas fundações as leis da natureza e as leis do organismo humano e que, desde então, já vinha sendo aperfeiçoado, sobretudo a partir do progresso das ciências nas quais o método era baseado como forma de garantir sua eficiência. Por isso, principalmente, o método não era antiquado, como alguns de seus críticos anunciavam. Lembrava‐se, ainda, que o método “sobreviveu em uma nação onde nada é feito de forma superficial e irracional” (Posse, 1891, p. 19) Assim, mesmo mais tarde, quando Hjalma Ling empreendeu mudanças na concepção filosófica da ginástica (menos idealista e mais materialista), a ginástica lingiana alterou pouco seu conteúdo: agregaram‐se exercícios e houve uma flexibilização da noção de postura corporal, mas o objetivo, de desenvolver o corpo harmônico de forma racional, continuava intacto.

Ao citar estudo de Södeberg (1995), Ljunggren (2011) mostra que podemos considerar um forte traço missionário entre os partidários da ginástica de Ling e que: “Ling mismo fue convertido en un símbolo de gran importancia. Ling fue percibido como un ‘héroe’. Sus seguidores lo describieron como una figura de mesías, con la misión de salvar a la nación sueca con la ayuda de la gimnasia. Y no solo a la nación sueca. Seguidores de Ling también viajaron al extranjero para difundir la gimnasia a otros países. Sus esfuerzos fueron a menudo narrados como una clase de misión para propagar las ideas sagradas de Ling” (Ljunggren, 2011, p. 43).

Finalmente, a Suécia assiste gradativamente, como diz Ljunggren (2011), a um “funeral” do método na primeira metade do século XX, a despeito do movimento das Lingiadas,8 as quais, de resto, podem ser questionadas no que ainda guardavam da ginástica sonhada pelo sueco Ling. O que parece importante ressaltar, entretanto, é que, ainda em boa parte do século XX, o método sueco é, em muitos países, alvo de debate (e defesa de sua prática). Uma intensa produção de material impresso na forma de manuais, guias, compêndios e até tratados pode ser encontrada.

Vestígios da ginástica sueca em língua portuguesa: os manuais

Quais os vestígios que nos sobraram sobre a ginástica sueca em língua portuguesa? Para além dos discursos, acessados em pareceres, capítulos de livros e tratados,9 os quais por sua vez servem de referência para estudos que tratam do tema, que outros impressos foram produzidos? E de que modo eles podem servir para captarmos o processo de circulação de ideias sobre a ginástica sueca?10 Para além da materialidade do impresso, deve‐se atentar para os autores, suas redes, suas filiações profissionais. Essa questão exige perseguir o rastro dos sujeitos, seus deslocamentos, que pode revelar interessantes movimentos de circulação.11

Sobre a análise do material impresso propriamente dito: o que eles podem querer dizer em seu formato, em sua linguagem, em sua estrutura? Podemos identificar que, entre fins do século XIX e início do XX, um farto conjunto de impressos, sobretudo com características de manuais (e também assim intitulados), foi produzido em língua portuguesa. É notável o esforço de professores, mas também de militares e médicos, de escrever e divulgar a ginástica sueca, num esforço de sistematização e aplicação de sua prática. Uma verdadeira vulgarização desse saber foi produzida por meio desses.

Uma primeira questão que se coloca diz respeito à “taxionomia” desses impressos. Sob diferentes denominações são intitulados: tratados, compêndios, manuais ou guias. Há hierarquia entre eles? Diferenças? Similaridades? Uma série de desdobramentos aqui se apresenta e precisa ser enfrentada.12 Por ora parece importante ressaltar que, a despeito do termo usado, refiro‐me a um impresso, pequeno, objetivo, que visa à aplicação pelo professor, com uma rasa fundamentação teórica e uma sistematização de lições práticas. Na ampla maioria das vezes, nesse caso de autoria de professores.13 Os manuais didáticos, pois, cumpriam um papel importante de circulação e apropriação dos conhecimentos sobre a ginástica: facilitavam a vida dos professores ao sistematizar sua prática, organizavam as lições, ajudavam‐nos a aplicar os saberes reconhecidos como legítimos e, de certo modo, contribuíam para a vulgarização desse saber. Não à toa, eram escritos por professores que atuavam nas escolas e recorrentemente iniciavam relevando a experiência docente aliada à fundamentação científica adquirida com o estudo, como inspiração para a escrita.

Uma hipótese para a proliferação de manuais em língua portuguesa pode ser a necessidade de tradução. Lembremos, ainda, que o Instituto de Estocolmo tinha um forte investimento na divulgação de suas práticas, via visita de estrangeiros e também da ida de professores lá formados ao exterior (Carvalho, 2013). Era provável que, no retorno ao Instituto, muitos professores sistematizavam seus aprendizados em sua própria língua. Também o material dos professores que iam para o exterior era traduzido em outras línguas.14

Outra diz respeito mesmo à necessidade de sistematizar a ginástica de Ling para o uso nas escolas. Não à toa, muitos desses escritos iniciam dizendo da escassez de material disponível que servisse ao “professor de gymnastica”, aquele que na escola ministrava os “exercicios physicos” às crianças.

Os manuais, nesse aspecto, tinham um formato bastante convidativo: eram simples, organizados em lições, fáceis de aplicar. Continham ainda muitos desenhos que facilitavam sua compreensão. Afinal, aqui residia um problema de apreensão do método sueco: fazia‐se necessário simplificá‐lo, considerando o excesso de detalhes em sua execução e de pormenores para sua prática.

Finalmente, convém ressaltar que a ginástica sueca concretizava um importante alinhamento com o modelo escolar: podia ser feita com um grande grupo de alunos, num espaço reduzido, com atividades iguais para todos e um esquema de progressão de exercícios organizado em lições (Carvalho, 2011).

A título de exemplo, podemos citar os manuais de autoria de Pedro Manoel Borges, de Antonio Martiniano Ferreira, de Paulo Lauret e de Higgins.15 Os autores dos manuais atuaram como professores da cadeira de gymnastica no ensino primário e no ensino normal. Pedro Manoel Borges e Arthur Higgins foram professores no Rio de Janeiro; Antonio M. Ferreira foi professor em Ouro Preto; Paulo Lauret atuou também em diversas escolas em Portugal e no Rio de Janeiro. Em geral, a motivação da escrita era criar um material que auxiliasse os demais professores de gymnastica em suas aulas.

Paulo Lauret já tinha certa notoriedade como professor e defensor da ginástica sueca em Portugal. Dedicou‐se, além‐mar, à produção de compêndios e outras publicações relativas à ginástica. Em terras brasileiras, atuou como professor de ginástica e esgrima em diferentes escolas no Rio de Janeiro.16 Seu Manual theorico pratico de gymnastica (1881), do qual citamos um fragmento, é indicado e reproduzido pela Escola Normal de Sabará:

“Extincta Escola Normal de Sabará – Registro dos programmas de ensino das cadeiras dos diversos annos do curso/1898‐1902”

Gymnastica – 1° anno

Parte prática – Exercícios elementares de pé firme. Flexão e extensão do pescoço e dos membros superiores. Flexão e extensão dos rins. Flexão e extensão dos membros inferiores. Flexão e extensão dos membros superiores, digo, inferiores sustentando os pés no solo. Dos exercícios livres complicados, da marcha, da correria e dos saltos. Dos exercícios com apparelhos moveis – varas, massas, altéres e barras esphericas. Dos apparelhos orthopedicos – 1° apparelho de dilatação e contração por meio de pesos; 2° apparelho para contração e exercicios especiaes para o estomago e ventre; 3° apparelho para dilatação peitoral; 4° caleria, apparelho para dar força e flexibilidade às articulações dos braços e das pernas; 5° apparelho de Picherri; 6° escadas orthopedicas conexas.

2° anno

Compêndio – Paulo Lauret.17

Os exercícios ginásticos relacionados nesse programa, a partir do Manual de Lauret, guardam forte relação com o método de Ling: exercícios ordenados, de fácil aplicação e/ou com aparelhos simples, com vistas a trabalhar o corpo de forma harmônica, além de ressaltar o caráter tão fortemente atribuído a essa prática, o aperfeiçoamento físico.

Pedro Manoel Borges, em seu Manual theorico pratico de gymnastica escolar, afirmava que os conhecimentos empregados na escrita desse advinham de sua experiência na escola. A organização do manual vinha do desejo de servir à pátria e da ausência de um compêndio escrito em língua portuguesa que pudesse servir de guia seguro às escolas. Embora não cite explicitamente a ginástica sueca como referência, Borges opera com muitos princípios e preceitos ali recomendados. Já no início da obra refere‐se à gymnastica como ferramenta para a educação da vontade: o ginasta aprende a dominar o corpo, portanto, seus desejos. A organização da obra revela clara influência do sistema sueco: chama atenção para o número de lições, a necessidade de explicação clara do professor, a função das vozes de comando. Cabeça, tronco, braços e pernas, em exercícios ordenados, repetidos se necessário, de corpo livre para que, em seguida, sejam introduzidos os aparelhos. Sem fadigas, sem acidentes, racionalmente.

Antonio Martiniano Ferreira foi professor da Companhia de Aprendizes Militares e também professor de gymnastica e evoluções militares da Escola Normal de Ouro Preto. O compêndio prático de gymnastica – Para uso nas escolas normaes e primárias tinha por finalidade ser um material que organizasse o ensino da gymnastica. A partir de uma linguagem correta e inteligível, tal compêndio apresenta figuras e lições instrutivas que configuraram um método prático e intuitivo. Seu guia era composto por 29 figuras distribuídas ao longo de 48 páginas. Além dos desenhos explicativos, constam indicações de 12 lições que desenvolvem os seguintes conteúdos: 1a Lição – definição e fins da gymnastica e exercícios ativos e passivos; 2° Lição – exercícios elementares que incluem a formação de pelotões e detalhamento da posição dos segmentos corporais; 3a Lição – regras gerais dos membros superiores; 4a Lição – continuação de exercícios musculares dos membros superiores e exercícios musculares dos membros inferiores; 5a Lição – exercícios de ordem com marcha em coluna e saltos; 6a a 8a Lições – dos exercícios com aparelhos móveis, massas, halteres e barras esféricas; 9a Lição – das paralelas, com exercícios com barras que incluem pranchas e saltos; 10a Lição – cordas de nó e lisa, mas também inclui exercícios com escadas; 11a Lição – suspensões, apoios e deslocação (argolas); 12a Lição – da barra fixa, das rodagens e curvas.

Arthur Higgins foi autor de vários manuais: Compêndio de gymnastica e jogos escolares de 1896, Manual de gymnastica higiênica de 1902 e Compêndio de gymnastica escolar: methodo sueco‐belga‐brasileiro de 1909 – reeditado em 1934. Para ele, a gymnastica podia ser dividida em ginástica higiênica – exercícios para conservar e aprimorar a saúde; médica – auxiliar na cura de algumas enfermidades e corrigir certas deformidades; e educativa – educar o corpo e torná‐lo ágil, destro, desempenado, forte e “estheticamente bello” (Higgins, 1934, p. 14). Higgins tinha uma escrita sistemática da gymnastica, pautada em princípios do método sueco. Entre eles a racionalidade, destacada principalmente na preocupação com o horário e a duração dos exercícios e com as formas de organização das lições. O professor deveria ater‐se a questões de ritmo e comando dos exercícios. Higgins (1896) também considerava que é importante a união da gymnastica hygienica e educativa para a formação de uma gymnastica escolar, entendida como arte de aprimorar fisicamente os alunos.

Considerações finais

Ao ter como objetivo buscar compreender mais ampla e profundamente o método sueco de ginástica e, sobretudo, como circulou em língua portuguesa, pode‐se, à guisa de conclusão, ressaltar que a investigação da ginástica sueca, a se tomar como fonte os manuais de ginástica produzidos e que circularam no Brasil entre fins do século XIX e início do XX, pode nos possibilitar contar outras histórias dessa prática em terras brasileiras para além daquelas que já foram narradas.

O mergulho nas fontes permite sugerir que é nítida a influência da ginástica de Ling na escrita de manuais escolares em língua vernácula. Entretanto, é preciso investir de forma mais acurada nessas fontes de modo a perceber as diferentes apropriações do método sueco desde sua produção no Instituto de Estocolmo. Sobre esse aspecto, parece necessário, igualmente, investir na tradução e na leitura de obras em língua sueca, produzidas pelos preconizadores dessa prática no século XIX, o que permitiria de forma mais reveladora captar os movimentos de alterações e permanências da escrita da ginástica racional em sua circulação.

Finalmente, destaca‐se que a pesquisa desenvolvida deixa perceber a potencialidade do objeto de estudo e das fontes localizadas e adicionalmente levanta hipóteses de estudo que podem ainda contribuir para uma interessante crítica historiográfica sobre o tema.

Financiamento

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológica (CNPq) (n° 408433/2013‐2). Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) (APQ‐00255‐13).

Conflitos de interesse

A autora declara não haver conflitos de interesse.

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Inserido no projeto “A Gymnastica e os exercicios physicos na formação de professores: circulação, transformação e vestígios do método sueco de ginástica no ensino normal (Brasil‐Portugal, 1890‐1920)”. Parte está sendo desenvolvida no âmbito do estágio pós‐doutoral, com financiamento da Capes. Conta ainda, com o apoio do Cnpq e da Fapemig, envolvendo os mestrandos Pedro Cabral e Anna L. F. Romão.

“A Gymnasticae os exercicios physicos na formação de professores em Minas Gerais: elementos para compreender o enraizamento e afirmação da educação física escolar (1890‐1920)”, financiada pela Fapemig (APQ‐00445‐11) e pelo Cnpq (400945/2011‐8).

Manual theorico pratico de gymnastica escolar (1888), de Pedro Manoel Borges. Compendio de gymnastica escolar – Methodo sueco belga brasileiro (1896), compilado por Arthur Higgins. Compendio pratico de Gymnastica – Para uso das escolas normaes e primarias (1897), de Antonio Martiniano Ferreira. Os três autores acima mencionados atuavam como professores da Cadeira de Gymnastica no Ensino Primário e no Ensino Normal. O primeiro foi professor adjunto em exercício na 1a escola pública da Freguezia de Sant’Anna; Antonio M. Ferreira foi professor da Escola Normal de Ouro Preto e Arthur Higgins, professor da Escola Normal da Corte (Rio de Janeiro). Paulo Lauret, português, professor na cidade do Porto e autor do Manual theorico‐pratico de gymastica para uso dos lyceus, collegios, escolas municipaes e primarias (1881), além de outros. L. C. Kumlien, francês, mas cuja obra intitulada Tratado pratico de gymnastica sueca (1909) foi traduzida para muitas línguas, inclusive para o português.

As noções de objeto mestiço, circulação e mediação cultural, as quais têm servido de referências para essas construções, foram derivadas de Gruzinski (2001a, b).

O livro permanece até hoje sem tradução. Em língua portuguesa, em diferentes referências, esse título tem sido traduzido como Princípios gerais de ginástica, Manual de ginástica ou Base geral para ginástica. É composto de seis partes: (1) Leis do organismo humano; (2) Princípios da ginástica pedagógica; (3) Princípios da ginástica militar; (4) Princípios da ginástica médica; (5) Princípios da ginástica estética e (6) Prática de ginástica. (Azevedo, 1960). A obra de Ling encontra‐se em língua sueca na Biblioteca da Swedish School of Sport and Health Sciences (GIH). Ver Haglund et al. (2013).

Todas as traduções de Posse (1891, 1894) foram feitas pela equipe de pesquisa, para o âmbito deste artigo.

Em 1913 chegou a ter 142 estrangeiros (Grut, 1913). É importante registrar também a presença de missões de estudiosos e pesquisadores de outros países que iam ao Instituto e retornavam aos seus países e publicavam relatórios e tratados que serviram de referência em todo o mundo. Destaca‐se aqui a obra de Demeny (1901) e Lefebure (1903, 1905).

As Lingíadas foram grandes festivais de ginástica que aconteceram no Instituto de Estocolmo. Refiro‐me aqui às duas primeiras, ocorridas em 1939 e 1949.

Destaco aqui autores como Rui Barbosa, Fernando de Azevedo, Jair Jordão Ramos, Celestino Marques Pereira, Antonio Leal, entre outros, que em língua portuguesa escreveram sobre a ginástica sueca.

Cito aqui o estudo de Carvalho (2011) que procurou perceber a circulação de saberes sobre ginástica sueca em Portugal nos anos 1920‐1930. O autor lembra que não só Portugal, mas em outros países, a ginástica sueca esteve em meio à “disputa” e aos acordos sobre sua correta administração. Sobre a presença da ginástica sueca na França ver Gleyse et al. (2002).

Cito o projeto de pesquisa, em andamento (2014‐2016), da profa Meily A. Linhales, intitulado “Modelos pedagógicos e educação do corpo dentro e fora da escola: contribuições à história da educação física no século XX”, o qual investiga, entre outros, o mestre português Paulo Lauret, também ele autor de manuais e guias de ginástica, como citado anteriormente.

No âmbito deste artigo seria impossível enfrentá‐las. Entretanto, destaco que há uma produção acumulada bastante significativa sobre o tema. Ver http://servidormanes.uned.es/manesnuevo/

No caso dos manuais de ginástica é interessante perceber que há também muitos para o uso do exército e de autoria de militares. Também são encontrados manuais de autorias de médicos. Há aqui uma problematização promissora de investigação.

O texto de Posse (1891) é um exemplo.

Esses documentos foram localizados no Arquivo Público Mineiro (Belo Horizonte), na Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro) e na Biblioteca do Museu do Desporto (Lisboa).

Dados do projeto de pesquisa, ainda em andamento (2014-2016), intitulado “Modelos pedagógicos e educação do corpo dentro e fora da escola: contribuições à história da educação física no século XX”, coordenado pela profa Meily Assbú Linhales.

Secretaria do Interior; Série 4: Instrução Pública, Subsérie 2: Escolas Normais, SI 1046/APM.

Copyright © 2015. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte
Revista Brasileira de Ciências do Esporte 2015;37:128-35 - Vol. 37 Núm.2 DOI: 10.1016/j.rbce.2014.11.019