Revista Brasileira de Ciências do Esporte Revista Brasileira de Ciências do Esporte
Revista Brasileira de Ciências do Esporte 2018;40:94-9 - Vol. 40 Núm.1 DOI: 10.1016/j.rbce.2018.01.010
Artigo original
Estudo de caso de um programa individualizado de natação em cadeirante portador de poliomielite: análise de parâmetros bioquímicos, qualidade de vida e capacidade física funcional
Case study of individualized swimming program in poliomielite beach chain: analysis of biochemical parameters, quality in life and functional physical capability
Ejemplo de un programa individualizado de natación en usuarios de silla de ruedas para poliomielíticos: análisis de parámetros bioquímicos, calidad de vida y capacidad física funcional
Marina dos Santos de Medeirosa, Janaina Mottab, Sindianara Marianob, Lorhan Menguerb, Luciano Acordi da Silvab,c,?,
a Escola Superior de Criciúma (Esucri), Criciúma, SC, Brasil
b Universidade do Extremo Sul Catarinense, Grupo de Pesquisa em Exercicios Aquaticos Avançados (GPEAA), Criciúma, SC, Brasil
c Centro Universitario Barriga Verde, Criciúma, SC, Brasil
Recibido 11 diciembre 2016, Aceptado 12 enero 2018
Resumo
Objetivo

investigar os efeitos de um programa de natação supervisionado sobre parâmetros bioquímicos, qualidade de vida e capacidade física funcional em cadeirante portador de poliomielite.

Metodologia

Estudo de caso longitudinal com dois indivíduos portadores de poliomielite, do sexo feminino, submetidos a um programa de natação de 12 semanas, com frequência de duas sessões semanais e duração das aulas de 60 minutos. Foram feitas análises bioquímicas através de hemograma, parâmetros de qualidade de vida, com o SF-36 e testes de aptidão física funcional de alcançar atrás das costas e arremesso. As avaliações foram feitas 48 horas antes e após o programa de treinamento.

Resultados

O programa de natação reduziu em 19% o colesterol, 18% o triglicerídeo, 11% a glicose, 42% os níveis de ansiedade. Concomitantemente, aumentou a saúde geral em 13%, a mental em 11%, a força de membros superiores em 10% e a flexibilidade em 23%.

Abstract

The aim of the present study was to investigate the effects of a supervised swimming program on biochemical parameters, quality of life and functional physical capacity in poliomyelitis - bearing wheelchair users.

Methodology

Longitudinal case / control study, both with poliomyelitis, female wheelchair users. The evaluations were made forty-eight hours pre- and post-training program. Our results indicate that the swimming program reduced cholesterol by 19%, triglyceride by 18%, glucose by 11%, and anxiety levels by 42%. Concomitantly, overall health increased by 13%, mental health by 11%, upper limb strength by 10%, and flexibility by 23%.

Resumen

El objetivo de este estudio fue investigar los efectos de un programa de natación supervisado en parámetros bioquímicos, calidad de vida y capacidad física funcional en usuarios de silla para poliomielítico.

Métodos

Estudio longitudinal de casos y controles con dos individuos poliomielíticos, de sexo femenino, que siguieron un programa de natación de doce semanas de duración, con una frecuencia de dos sesiones semanales y clases en aula de sesenta minutos. Las evaluaciones se realizaron 48 horas antes y después del programa de entrenamiento. Nuestros resultados muestran que el programa de natación redujo el colesterol el 19%, los triglicéridos el 18%, la glucosa el 11% y los niveles de ansiedad el 42%. Al mismo tiempo, la salud general aumentó el 13%, la salud mental el 11%, la fuerza de las extremidades superiores el 10% y la flexibilidad el 23%.

Palavras-chave
Cadeirante, Programa de natação, Saúde mental, Aptidão física
Keywords
Wheelchair, Swimming program, Mental health, Physical fitness
Palabras clave
Silla de ruedas, Programa de natación, Salud mental, Condición física
Introdução

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45,6 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência no Brasil, o que corresponde a 23% da população (Oliveira et al., 2010). Algumas dessas deficiências podem ser causadas por poliomielite (Bakker et al., 2016). A poliomielite é uma doença contagiosa causada pelo poliovírus (sorotipos 1, 2, 3) (WHO, 2015). Muitas pessoas com histórico de poliomielite na infância ficam paraplégicas e usam cadeira de rodas por toda a vida (Bakker et al., 2016; On et al., 2006). Consequentemente, essas pessoas têm reportado complicações funcionais do decorrer da vida, culminam em dores musculares, fraqueza muscular generalizada e declínio funcional nas capacidades fisicas, com diminuição significativa de sua qualidade de vida (On et al., 2006).

Por outro lado, o treinamento físico tem prevenido o declínio funcional e melhorado a qualidade de vida em indivíduos com deficiência fisica que usam cadeira de rodas (Cragg et al., 2012; Jacobs et al., 2004). Levandoski e Cardoso, 2007 reportaram que indivíduos cadeirantes apresentaram maiores dificuldades na busca por modalidades esportivas, quando comparados com não cadeirantes. Contudo, é importante destacar que indivíduos portadores de poliomielite cadeirantes praticantes de esportes como basquetebol (Levandoski et al., 2007) e handebol (Itani et al., 2004) apresentaram melhoria significativa dos parâmetros qualidade de vida e capacidade funcional. Como consequência, a incidência de intercorrências médicas foi reduzida nessa população. Isso sugere que a prática de exercício físico regular é importante para a manutenção da saúde e qualidade de vida de indivíduos com deficiência física.

Mais especificamente em relação às atividades aquáticas, Willen e Scherman, 2002 reportaram melhorias nos níveis de dores em pessoas com poliomielite submetidas aos exercícios de flexão e extensão no meio aquático. Strumse, Stanghelle, Utne, Ahlvin e Svendsby, 2003 demostraram melhorias no padrão de marcha em pessoas após treinamento aquático de caminhadas. Entretanto, ainda pairam dúvidas, especificamente sobre os efeitos de um programa individualizado de natação sobre parâmetros de bioquímicos, qualidade de vida e aptidão física em cadeirantes portadores de poliomielite.

A partir desse pressuposto o objetivo do presente estudo foi verificar os efeitos de um programa de natação sobre parâmetros bioquímicos, qualidade de vida e capacidades físicas funcionais em sujeitos portadores de poliomielite cadeirantes. Nossa hipótese é que o programa de natação pode promover ajustes significativos que melhorem a qualidade de vida e da saúde de indivíduos com deficiência física que usem cadeira de rodas.

Metodologia

Desenho do estudo: Estudo de caso longitudinal com duas mulheres portadoras de poliomielite, uma (caso) submetida a um programa de natação supervisionado e outra (controle) que não fez qualquer tipo de atividade física ou fisioterapia durante o estudo. As avaliações foram feitas 48 oito horas pré e pós-intervenção. Foram feitas análises bioquímicas, parâmetros de qualidade de vida e testes de aptidão física.

Histórico do caso: Tem poliomielite desde os dois anos e até os 20 usava muletas para se locomover. Aos 21 engravidou e para diminuir os riscos de queda em função da gravidez optou pelo uso de cadeira de rodas que usa até a presente data. Não pratica qualquer tipo de exercício físico há seis meses e tem função preservada de membros superiores. Histórico do controle: Tem poliomielite desde um ano, apresenta os mesmos atributos do caso intervenção, porém não fez o programa de natação.

Características dos sujeitos: Indivíduo (caso) com poliomielite cadeirante do sexo feminino (53 anos/75 quilos/1,60m) e com indicação médica para a prática. Indivíduo (controle), com poliomielite cadeirante do sexo feminino (57 anos/65 quilos/1,52m), tem função preservada de membros superiores e indicação para pratica de exercícios. Ambos os sujeitos não apresentam qualquer outro tipo de patologia, nem lesão musculoarticular que pode comprometer os exercícios ou ser agravada durante o estudo.

Critérios de inclusão: Foram inclusas no estudo duas mulheres portadoras de poliomielite, que não apresentavam contraindicação para prática de exercícios, não portadoras de outra patologia, que tinham função preservada de membros superiores, ambas usam cadeiras de rodas e aceitaram participar do estudo. Antes do início assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade do Extremo Sul Catarinense (CAEE 47136715.20000.0119) em 2016.

Protocolo de treinamento: O treinamento de natação teve duração de 12 semanas, foram feitas duas sessões por semana (quartas e sextas-feiras) das 9h às10h. Foram 24 sessões de agendamento, porem houve três faltas, total de 21 aulas. No início de cada sessão foi feito um alongamento de forma geral e um aquecimento dentro da piscina. Os nados trabalhados foram o crawl e costas. Foram feitos seis exercícios por aula com metragem de 50 metros cada exercício, volume final de 300 metros de natação por sessão. O programa de exercícios físicos obteve os cuidados sugeridos pelas diretrizes do ACMS (Thompson et al., 2009). As atividades foram feitas em piscina semiolímpica com temperatura da água 27°±1.

Analises antropométricas, parâmetros bioquímicos e testes físicos: 48 horas antes e depois do programa de natação foram feitas as avaliações. As análises antropométricas (peso, altura e idade) de dobras cutâneas (tricipital, bicipital subescapular e suprailíaca) foram mensuradas com o protocolo de Durnine Womersley (1974) específico para pessoas acima dos 50 anos. Em relação aos perímetros corporais foi analisada a relação cintura e quadril, pois apresenta correlação direta com a saúde dos indivíduos. As análises bioquímicas foram feitas através do hemograma, foi retirado o sangue dos sujeitos e homogeneizado com ácido etilenodiaminotetraacético (EDTA) como anticoagulante, na proporção de 0,1ml EDTA/5ml sangue. Exames laboratoriais de glicose circulante foram feitos através do método enzimático calorimétrico, o colesterol e os triglicerídeos pelo método enzimático automatizado. Dois enfermeiros treinados foram recrutados para obtenção das amostras sanguíneas, as voluntárias fizeram o jejum de 12 horas. Para verificação da qualidade de vida foi aplicada a versão brasileira do questionário de qualidade de vida SF-36 (Campolina et al., 2011), analisaram-se os quesitos de saúde geral e mental. A quantificação nos níveis de ansiedade foi mensurada através da aplicação do inventário de Beck, adaptado por Cunha (2001), para a população brasileira. As aptidões físicas foram analisadas com o teste de flexibilidade Alcançar Atrás das Costas proposto por Rikli & Jones (1999). Para quantificação da força muscular de membros superiores foi usado o teste de arremesso, com uma bola de medicine ball que pesava dois quilogramas, proposto por Gaya et al., (2012).

Analise estatística: Como este é um estudo de caso, a análise estatística dos resultados foi descritiva, foram organizados em valores absolutos (medidas antropométricas, parâmetros bioquímicos, qualidade de vida, força muscular e flexibilidade). Os aumentos e as diminuições obtidos foram apresentados e discutidos estatisticamente através dos valores percentuais.

Resultados

O programa de natação reduziu em 7% o IMC (27,2kg/m2), 5% o percentual de gordura (32,2mm), 4% a circunferência da cintura (105cm) e 3% a do quadril (111cm) quando comparados com os valores pré-programa (29,3kg/m2; 34mm; 110cm; 115cm), respectivamente. No controle houve um aumento de 9% no IMC (30,6kg/m2), 10% no percentual de gordura (33,7mm), 1% na circunferência de cintura (98cm) e 5% no quadril (99cm) em relação aos valores pré-programa (28,1kg/m2; 30,7mm; 97cm; 94cm) (tabela 1).

Tabela 1.

Dados antropométricos

Sujeitos  Análises  Antes  Depois  Diferença estatística  Resultado 
Controle  IMC  28,1  30,6  + 9%  Aumentou 
Intervenção  IMC  29,3  27,2  -7%  Reduziu 
Controle  PG  30,7  33,7  + 10%  Aumentou 
Intervenção  PG  34  32,2  - 5%  Reduziu 
Controle  CC  97  98  + 1%  Aumentou 
Intervenção  CC  110  105  - 4%  Reduziu 
Controle  CQ  94  99  + 5%  Aumentou 
Intervenção  CQ  115  111  -3%  Reduziu 

CC, circunferência da cintura; CQ, circunferência do quadril; IMC, ndice de massa corporal; PG, percentual de gordura.

O programa de natação reduziu em 19% o colesterol (177mg/dl), 18% o triglicerídeo (210mg/dl) e 11% os níveis de glicose (71mg/dl) quando comparados com os valores pré-programa (221mg/dl; 258mg/dl; 80mg/dl), respectivamente. No controle houve um aumento de 5% do colesterol (250mg/dl), 8% do triglicerídeo (65mg/dl) e 8% da glicose (82mg/dl) em relação aos valores pré-programa (239mg/dl; 60mg/dl; 76mg/dl) (tabela 2).

Tabela 2.

Análises bioquímicas

Sujeitos  Análises  Antes  Depois  Diferença estatística  Resultado 
Controle  Colesterol  239  250  + 5%  Aumentou 
Intervenção  Colesterol  221  177  -19%  Reduziu 
Controle  Triglicerídeo  60  65  + 8%  Aumentou 
Intervenção  Triglicerídeo  258  210  - 18%  Reduziu 
Controle  Glicose  76  82  + 8%  Aumentou 
Intervenção  Glicose  80  71  - 11%  Reduziu 

Colesterol, triglicerídeo e glicose: mg/dl.

O programa de natação melhorou a qualidade de vida em 13% no quesito saúde geral (82 pontos), 11% no quesito saúde mental (98 pontos) e reduziu em 42% os níveis de ansiedade (8 pontos) quando comparados com o pré-treinamento (72 pontos; 88 pontos; 14 pontos) respectivamente. Em relação às aptidões físicas funcionais o programa de natação aumentou em 10% a força de membros superiores (180cm) e 23% a flexibilidade (21cm), quando comparados com o pré-treinamento (160cm; 17cm). No controle os percentuais de saúde geral, mental, força de membros superiores e flexibilidade não foram alterados (tabela 3).

Tabela 3.

Parâmetros de saúde e aptidão física

Sujeitos  Análises  Antes  Depois  Diferença estatística  Resultado 
Controle  Saúde geral  62  62  0%  Igual 
Intervenção  Saúde geral  72  82  13%  Aumentou 
Controle  Saúde mental  68  68  0%  Igual 
Intervenção  Saúde mental  88  98  +11%  Aumentou 
Controle  Ansiedade  15  17  + 13%  Aumentou 
Intervenção  Ansiedade  14  - 42%  Reduziu 
Controle  Força MS  320  315  -1%  Reduziu 
Intervenção  Força MS  160  180  10%  Aumentou 
Controle  Flexibilidade  18  16  -11%  Reduziu 
Intervenção  Flexibilidade  17  21  + 23%  Aumentou 

Saúde geral, mental e ansiedade em pontos; força membros superiores (MS) e flexibilidade em cm.

Discussão

De acordo com Melo (2009), o exercício físico feito no meio aquático é amplamente indicado para indivíduos que usam cadeira de rodas, tendo em vista a facilitação de locomoção no meio e a melhoria dos diversos sistemas corporais modulados pelos exercícios, que respondem de maneira simular quando comparados com indivíduos não cadeirantes. Entretanto, pouco se sabe sobre os efeitos de um programa de natação em relação aos parâmetros bioquímicos, de qualidade de vida e aptidão física funcional em indivíduos portadores de poliomielite cadeirantes. O presente estudo de caso demonstrou que o programa de natação supervisionado alterou as seguintes variáveis: a) reduziu o percentual de gordura e os perímetros corporais da região da cintura e quadril; b) diminui o colesterol, os triglicerídeos, a glicose circulante; c) melhorou a qualidade de vida nos quesitos saúde geral, saúde mental e ansiedade; d) aumentou as aptidões físicas funcionais de força nos membros superiores e flexibilidade em cadeirante portador de poliomielite.

É fato que após programas de exercícios físicos ocorrem melhorias na composição corporal e em diversos parâmetros antropométricos (Bakkeret al., 2016; Silva et al., 2005; Assumpção et al., 2002). Nossos resultados sugerem que o programa de natação conduzido por 12 semanas reduz o percentual de gordura e melhora parâmetros antropométricos (RCQ) diretamente relacionados com a saúde. Kim et al. (2015) demonstraram reduções similares no percentual de gordura e na relação RCQ, após programa de exercícios regulares com duração de seis semanas em indivíduos cadeirantes.

Diversos estudos têm apontado que exercício aeróbio tem melhorado alguns parâmetros bioquímicos em indivíduos portadores de lesão medular que usam cadeira de rodas (Kim et al., 2005; Taylor et al., 2011; Keyser et al., 2003; Jeon et al., 2002). Nossos resultados sugerem que o colesterol, triglicerídeos e a glicemia reduziram significativamente após o programa de natação em cadeirantes. Quintana (2008) apontam que o esporte praticado de forma regular é eficaz para ajudar a controlar parâmetros bioquímicos, independentemente do tipo de população estudada. Alterações positivas no controle do colesterol, triglicerídeos e da glicemia em indivíduos com lesão medular submetidos à prática de exercício físico têm sido reportadas (Kim et al., 2015; Jeon et al., 2010).

Estudos têm demonstrado que a prática de exercícios físicos para cadeirantes ajuda no melhoramento de aptidões físicas, como ganho de força e flexibilidade (Bakker et al., 2016, Tweedy et al., 2016; Itani et al., 2004). Segundo Polachini, a flexibilidade é uma capacidade física indispensável para a melhoria da qualidade de vida do cadeirante. Nossos resultados demonstram melhorias na força e flexibilidade dos membros superiores no cadeirante submetido ao programa de natação. Segundo Panhan et al., 2011, os exercícios feitos na água proporcionam estimulação dos músculos exercitados, fortalecem a musculatura e ajudam no melhoramento da força e flexibilidade. Recentemente, um estudo duplo cego, conduzido em pessoas com poliomielite cadeirantes, demonstrou que o exercício físico reduz fadiga muscular e melhora a qualidade de vida geral (Koopman et al., 2010).

A literatura tem apontado efeitos positivos na qualidade de vida em indivíduos com poliomielite submetidos a programas de exercícios terapêuticos (Jensen et al., 2011; On et al., 2006). Sobre os parâmetros de qualidade de vida, avaliamos a saúde geral, saúde mental e ansiedade. Nossos resultados demonstram que esses três parâmetros melhoraram após o programa de exercício físico (natação) supervisionado no portador de poliomielite cadeirante. Estudos têm apontado que o exercício físico pode proporcionar a pessoas com deficiência física melhorias na saúde geral, mental, autonomia e longevidade (Taylor et al., 2011; Keyser et al., 2003; Jeon et al., 2002;). Nós especificamente apontamos que portadores de poliomielite cadeirantes submetidos à pratica de natação melhoram a saúde geral mental de maneira similar. Uma das explicações possíveis é o fato de o exercício físico aumentar a produção de um aminoácido chamado triptofano precursor de serotonina que atua em áreas cerebrais específicas relacionadas à melhoria dos parâmetros supracitados. Para Grasseli et al. (2002), os exercícios físicos aquáticos satisfazem as necessidades do deficiente físico, especialmente a necessidades de ação, por isso eles devem ser vistos como fator de desenvolvimento tanto físico como de saúde mental. Por fim, como limitação do presente estudo, apontamos a necessidade de estudos clínicos randomizados com maior número amostral. Destacamos ainda a falta de controle da intensidade do exercício, fica então um desafio para futuros estudos.

Conclusão

Os resultados apresentados neste estudo de caso sugerem novas perspectivas para o uso da natação como importante atividade física para cadeirantes portadores de poliomielite que buscam a melhoria da qualidade de vida e possivelmente ajustes positivos em parâmetros bioquímicos preditores do estado de sua saúde

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Referências
Assumpção et al., 2002
L.O.T. Assumpção,P.P. Morais,H. Fontura
Relação entre atividade física, saúde e qualidade de vida
Revista Digital E F Desportos, 52 (2002), pp. 1-3
Bakker et al., 2016
M. Bakker,K. Schipper,F.S. Koopman,F. Nollet,T.A. Abma
Experiences and perspectives of patients with post-polio syndrome and therapists withexercise and cognitive behavioural therapy
Campolina et al., 2011
A.G. Campolina,A.B. Bortoluzzo,M.B. Ferraz,R.M. Ciconelli
Validação da versão brasileira do questionário genérico de qualidade de vida short-form 6 dimensions
Cien Saude Colet, 16 (2011), pp. 3103-3110
Cunha, 2001
J.A. Cunha
2001 Manual da versão em português das escalas Beck
Casa do Psicólogo, (2001)
Cragg et al., 2012
J.J. Cragg,J.A. Stone,A.V. Krassioukov
Management of cardiovascular disease risk factors in individuals with chronic spinal cord injury: an evidence-based review
J Neurotrauma, 29 (2012),
Durnin e Worsley, 1974
J.V.A. Durnin,J. Worsley
Body fat assessed from total body density and its estimation from skinfold thickness: measurements on 481 men and women aged from 16 to 72 years
Br J Nutr, 32 (1974), pp. 77-97
Gaya et al., 2012
A. Gaya,A. Lemos,A. Gaya,D. Teixeira,E. Pinheiro,R. Moreira
Projeto Esporte Brasil: Manual de teste e avaliação
Porto Alegre: Proesp-Br, (2012),
Grasselli e Paula, 2002
S.M. Grasselli,A.H. Paula
Aspectos da atividade aquática para deficientes
Revista Digital E F Deportes, 8 (2002), pp. 1
Itani et al., 2004
D.E. Itani,P.F. Araújo,J.J.G. Almeida
Esporte adaptado construindo a partir de possibilidades: handebol adaptado
Rev Digital E F Desportes, 72 (2004), pp. 1
Jacobs e Nash, 2004
P.L. Jacobs,M.S. Nash
Exercise recommendations for individuals with spinal cord injury
Sports Med, 34 (2004), pp. 727-751
Jensen et al., 2011
M.P. Jensen,K.N. Alschuler,A.E. Smith,A.M. Verrall,I.R. Molton
Pain and fatigue in persons with postpolio syndrome: independent effects on functioning
ArchPhys Med Rehabil, 92 (2011), pp. 1796-1801
Jeon et al., 2010
J.Y. Jeon,D. Hettinga,R.D. Steadward
Reduced plasma glucose and leptin after 12 weeks of functional electrical stimulation-rowing exercise training in spinal cord injury patients
Arch Phys Med Rehabil, 91 (2010), pp. 1957-1959 http://dx.doi.org/10.1016/j.apmr.2010.08.024
Jeon et al., 2002
J. Jeon,C. Weiss,R.D. Steadward
Improved glucose tolerance and insulin sensitivity after electrical stimulation-assisted cycling in people with spinal cord injury
Spinal Cord, 40 (2002), pp. 110-117 http://dx.doi.org/10.1038/sj.sc.3101260
Keyser et al., 2003
R.E. Keyser,E.K. Rasch,M. Finley
Improved upper-body endurance following a 12-week home exercise program for manual wheelchair users
J Rehabil Res Dev, 40 (2003), pp. 501-510
Kim et al., 2015
D.I. Kim,H. Lee,B.S. Lee,J. Kim,J.Y. Jeon
Effects of a 6-Week Indoor Hand-Bike Exercise Program on Health and Fitness Levels in People With Spinal Cord Injury: A Randomized Controlled Trial Study
Arch Phys Med Rehabil, 96 (2015), pp. 2033-2040 http://dx.doi.org/10.1016/j.apmr.2015.07.010
Koopman et al., 2010
F.S. Koopman,A. Beelen,K.H. Gerrits,G. Bleijenberg,T.A. Abma,M. Visser
Exercise therapy and cognitive behavioural therapy to improve fatigue, daily activity performance and quality of life in postpoliomyelitis syndrome: the protocol of the FACTS-2-PPS trial
Levandoski e Cardoso, 2007
Levandoski, G; Cardoso, AS. Atletas de basquetebol em cadeiras de rodas da cidade de Florianópolis: uma análise descritiva das lesões dos praticantes. In: 6° Fórum Internacional de Esportes. Anais em CD, Florianópolis, 2007.
Melo, 2009
A.C.R. Melo
Descrição da aptidão inicial para natação em lesionados medulares
Rev Bras Med Esporte, 15 (2009), pp. 441-445
On et al., 2006
A.Y. On,J. Oncu,F. Atamaz,B. Durmaz
Impact of post-polio-related fatigue on quality of life
J Rehabil Med, 38 (2006), pp. 329-333 http://dx.doi.org/10.1080/16501970600722395
Panhan e Castro, 2011
C.A. Panhan,E.M. Castro
Atividade física adaptada não sedentária
Rev Prof Sobama, 7 (2011), pp. 4-10
Quintana e Neiva, 2008
R. Quintana,C.M. Neiva
Fatores de risco para síndrome metabólica em cadeirantes – Jogadores de basquetebol e não praticantes
Rev Bras Med Esporte, 14 (2008), pp. 188-191
Rikli e Jones, 1999
R.E. Rikli,C.J. Jones
Development and validation of a functional fitness test for community-residing older adults
J Aging Phys Act., 7 (1999), pp. 129-161
Silva et al., 2005
M.C.R. Silva,R.J. Oliveira,M.I.G. Conceição
Efeitos da natação sobre a independência funcional de pacientes com lesão medular
Rev Bras Med Esporte, 11 (2005), pp. 251-256
Strumse et al., 2003
Y.A. Strumse,J.K. Stanghelle,L. Utne,P. Ahlvin,E.K. Svendsby
Treatment of patients with post-polio syndrome in a warm climate
Disabil Rehabil, 25 (2003), pp. 77-84
Taylor et al., 2011
J.A. Taylor,G. Picard,J.J. Widrick
Aerobic capacity with hybrid FES rowing in spinal cord injury: comparison with arms-only exercise and preliminary findings with regular training
Thompson et al., 2009
W. Thompson,N. Gordon,L. Pescatello
Exercise prescription for other clinical populations. ACSM's guidelines for exercise testing and prescription
8th ed., Lippincott Williams & Wilkins, (2009)pp. 380
WHO, 2015
WHO. Preparing for the withdrawal of all oral polio vaccines (OPVs): Replacing trivalent OPV with bivalent OPV Frequently Asked Questions. EPI. Global Polio Eradication Initiative. February 2015.
Willen e Scherman, 2002
C. Willen,M.H. Scherman
Group training in a pool causes ripples on the water: experiences by persons with late effects of polio
J Rehabil Med, 34 (2002), pp. 191-197
Autor para correspondência. (Luciano Acordi da Silva luciano_acordi@yahoo.com.br)
Copyright © 2018. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte
Revista Brasileira de Ciências do Esporte 2018;40:94-9 - Vol. 40 Núm.1 DOI: 10.1016/j.rbce.2018.01.010