Revista Brasileira de Ciências do Esporte Revista Brasileira de Ciências do Esporte
Revista Brasileira de Ciências do Esporte 2018;40:309-17 - Vol. 40 Num.3 DOI: 10.1016/j.rbce.2018.03.015
Artigo original
Fatores sociodemográficos, perfil dos usuários e motivação para o uso de esteroides anabolizantes entre jovens adultos
Sociodemographic factors, users profile and motivation to the use of anabolic steroids among young adults
Factores sociodemográficos, perfil de los usuarios y motivación para el uso de esteroides anabolizantes entre adultos jóvenes
Luana Lima de Oliveiraa, Jorge Lopes Cavalcante Netoa,b,,
a Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Ciências Humanas, Jacobina, BA, Brasil
b Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Programa de Pós‐Graduação em Fisioterapia, São Carlos, SP, Brasil
Received 07 December 2016, Accepted 16 March 2018
Resumo

Objetivou‐se identificar a frequência do uso de esteroides anabolizantes por praticantes de musculação, o perfil de seus usuários, os motivos que acarretaram o uso dessas substâncias e fazer associação com fatores sociodemográficos dos usuários. Neste estudo transversal, aplicou‐se um questionário padronizado com 100 praticantes de musculação de ambos os sexos na faixa de 18 a 35 anos. Evidenciou‐se um risco cerca de duas vezes maior para o uso de esteroides anabolizantes entre os sujeitos com mais de um ano de prática de musculação (OR: 1,81; IC: 0,04–0,67, p = 0,01). É possível inferir que o uso de esteroides anabolizantes é algo rotineiro na vida de praticantes mais experientes, que impulsionados pela estética fazem mais uso dessas substâncias quando comparados com os praticantes de musculação iniciantes.

Abstract

This study aimed to identify the frequency of the use of anabolic steroids by bodybuilders, the profile of its users, the reasons that led to the use of these substances, performing association with sociodemographic factors of users. In this cross‐sectional study, we applied a standardized questionnaire with 100 bodybuilders of both sexes aged 18‐35 years. Thus indicating a greater risk for the use of anabolic steroids among subjects with more than one‐year bodybuilding practice (OR 1.81; CI: .04‐.67, p = 0.01). It is possible to infer that the use of anabolic steroids is something routine in the life of more experienced practitioners, who targeted by aesthetics make more use of these substances compared to the most bodybuilders beginners.

Resumen

Este estudio ha tenido como objetivo identificar la frecuencia del uso de esteroides anabolizantes por culturistas, el perfil de sus usuarios, las razones que llevan a la utilización de estas sustancias y que se asocian con factores sociodemográficos de los usuarios. En este estudio transversal, se aplicó un cuestionario estandarizado con 100 culturistas de ambos sexos de 18‐35 años. Se puso de manifiesto un riesgo dos vecesmayor para el uso de esteroides anabolizantes entre los individuos con una práctica de más de un año (OR: 1,81; IC: 0,04‐0,67; p = 0,01). Es posible inferir que el uso de esteroides anabólicos es algo habitual en la vida de los profesionales más experimentados, que impulsados por la estética hacen un mayor uso de estas sustancias en comparación con la mayoría de los culturistas principiantes.

Palavras‐chave
Esteroides, Academias de ginástica, Musculação
Keywords
Steroids, Fitness centers, Bodybuilding
Palabras clave
Esteroides, Centros de fitness, Culturismo
Introdução

Os esteroides anabolizantes são moléculas sintéticas análogas à testosterona, porém com maior efeito anabólico e menor androgênico com relação ao seu precursão. Geralmente são usados para o aumento de força e ganho de massa muscular, com relevância para aprimorar o rendimento físico (Moraes, Castiel & Ribeiro, 2015). São manipulados pela área médica em casos graves de saúde, como, por exemplo, anemias com teor severo, tratamentos contra Aids, quimioterapia para cânceres e reposição hormonal para o sexo masculino, devido a algum trauma (Parra, Palma & Pierucci, 2011).

Segundo Gorini et al. (2015), o consumo ilegal de esteroides é preocupante, uma vez que boa parte dos indivíduos que usam essas substâncias é jovem adolescente, atleta recreacional e mulher, que fazem uso de forma inconsciente devido à importância que é dada à estética corporal.

Para Santos et al. (2006), a insatisfação com o corpo leva o indivíduo a uma constante procura por mudança por achar que não está inserido de forma direta nessa sociedade que faz culto ao corpo e, dessa forma, o sujeito recorre aos esteroides anabolizantes apenas pelo fetiche que o conduz a essa necessidade imposta socialmente.

Kreider et al. (2010) assinalam que os indivíduos que buscam ou almejam mudanças estéticas, sejam elas a perda de peso ou a hipertrofia, recorrem ao treinamento resistido com pesos. Essa busca pela modificação estética, fator importante para o uso de algumas substâncias, faz com que os praticantes de musculação usem suplementos alimentares e esteroides anabolizantes, uma vez que essa junção desencadeia o aumento de massa muscular, esse é o objetivo principal desse público (Nogueira et al., 2015).

Segundo dados clínicos e epidemiológicos, o abuso dos esteroides anabolizantes por seres humanos é frequentemente associado ao abuso de algumas drogas, como cocaína, álcool, anfetaminas e maconha (Mhillaj et al., 2015). Além do fato de existir relação entre o uso e abuso de esteroides anabolizantes com implicações hormonais, hematológicas e bioquímicas (Venâncio et al., 2010).

Guimarães et al. (2012) apontam como efeitos adversos aumento da libido, crescimento de pênis e clitóris, aumento de secreção nas glândulas sebáceas com aparecimento de acnes, aumento de pelos no corpo e na face, engrossamento da voz em mulheres e espermatogênese prejudicada em homens.

Iriart, Chaves & Orleans (2009) expõem em sua pesquisa que o perfil dos usuários de esteroides anabolizantes no quesito renda varia entre classe média, baixa e alta. O nível de escolaridade varia entre baixo e alto, são eles o ensino superior completo e incompleto, ensino médio completo e ensino fundamental incompleto.

A literatura tem exposto que o tempo de prática pode ser um fator que determina o uso de esteroides anabolizantes entre os praticantes de musculação, porém essas questões ainda são pouco abordadas e requerem maiores estudos. Há indícios de que usuários com tempo de treinamento superior a dois anos têm mais noção do que são os esteroides anabolizantes e sua eficácia dentro da prática da musculação (Silva e Moreau, 2003). Evidências têm demonstrado que indivíduos veteranos na prática dessa modalidade se tornam impacientes com o crescimento muscular e veem o uso de esteroides como fator imprescindível para diminuir essa lentidão de hipertrofia (Iriart e Andrade, 2002).

Com base nesses apontamentos, o objetivo deste estudo foi identificar a frequência do uso de esteroides anabolizantes por praticantes de musculação, o perfil de seus usuários, os motivos que acarretaram o uso dessas substâncias e fazer associação com fatores sociodemográficos dos usuários.

Material e métodosTipo de estudo e amostra

Esta pesquisa é descritiva exploratória de cunho quantitativo com delineamento transversal/levantamento.

O presente estudo foi feito em todas as academias de um município do interior do Estado da Bahia, registradas na vigilância sanitária e/ou no Conselho Regional de Educação Física, total de quatro academias de musculação. Essas academias atendem pessoas de ambos os sexos, com diferentes faixas etárias e com diferentes perfis socioeconômicos. Fizeram parte deste estudo 100 adultos jovens na faixa de 18 a 35 anos de ambos os sexos, 50 do sexo masculino e 50 do feminino.

A amostra foi formada por conveniência com todos os sujeitos que se dispuseram a participar como voluntários do estudo. Estão inclusos nesta pesquisa os praticantes de musculação de ambos os sexos na faixa de 18 a 35 anos, que aceitaram participar do estudo por meio da ciência e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram excluídos desta pesquisa aqueles que não responderam pelo menos 50% do questionário.

Aspectos éticos

A presente pesquisa está baseada nos pressupostos éticos e científicos da Declaração de Helsinque e segue na íntegra a resolução 466 de 2012 do Conselho Nacional de Saúde, o o projeto foi submetido ao e aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), com número do CAAE: 43789715.4.0000.0057.

Instrumento para coleta de dados

Foi aplicado um questionário padronizado para o referido estudo, adaptado do instrumento desenvolvido no estudo de Frizon, Macedo & Yonamine (2005). Esse questionário tem 16 questões fechadas. A primeira parte é composta por questões de identificação e caracterização. A segunda parte trata do uso de esteroides anabolizantes, inclusive tipo, finalidade e demais questões relacionadas ao consumo.

Procedimentos

Em um primeiro momento foram feitas visitas a todas as academias com o intuito de solicitar a autorização dos respectivos proprietários para a pesquisa. Logo após autorização, houve o levantamento prévio dos sujeitos que compõem a população alvo da pesquisa com a finalidade de estimar a amostragem do estudo. Identificados os sujeitos, foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), esse prestava informações sobre a pesquisa, o voluntariado e o anonimato. Posteriormente foi aplicado o questionário em forma de entrevista individual e em local reservado com o pesquisador disponível para sanar qualquer tipo de dúvida em relação às perguntas.

Análise estatística

Os dados foram tabulados no Excel e depois transportados para o pacote estatístico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences®) versão 20.0 para Windows. Foram feitas análises estatísticas descritivas com distribuição de frequências relativas e absolutas, médias e desvios‐padrão. Para análise das associações aplicou‐se o qui‐quadrado de Mantel‐Haenszel, com nível de significância p < 0,05, e o odds ratio (OR) com intervalo de confiança de 95%.

Resultados

A amostra final do estudo foi de 100 participantes. A tabela 1 expõe a caracterização desses sujeitos por meio de seus dados sociais e demográficos.

Tabela 1.

Caracterização sociodemográfica dos participantes do estudo (N = 100)

Variável 
Idade
18 a 20 anos  27  27 
21 a 25 anos  45  45 
26 a 30 anos  18  18 
31 a 35 anos  10  10 
Sexo
Masculino  50  50 
Feminino  50  50 
Escolaridade
Ensino Fundamental  11  11 
Ensino Médio  67  67 
Ensino Superior  22  22 
Estado civil
Solteiro(a)  87  87 
Casado(a)  11  11 
Divorciado(a)  02  02 
Profissão
Vendedor(a)  20  20 
Professor(a)  04  04 
Secretário(a)  03  03 
Instrutor de academia(a)  07  07 
Estudante(a)  23  23 
Outras(a)  43  43 
Renda mensal
Nenhuma  22  22 
<1 salário mínimo  15  15 
1 salário mínimo  40  40 
2 a 4 salários mínimos  19  19 
5 a 8 salários mínimos  03  03 
> 8 salários mínimos  01  01 

Fonte: Elaboração própria (2016).

A tabela 2 expõe a distribuição do perfil dos praticantes de musculação em relação ao uso de esteroides anabolizantes, bem como as principais características de saúde desses usuários. Cabe destacar que boa parte dos participantes declarou já ter feito uso de esteroides anabolizantes (46%) e que o mais frequente foi a testosterona (43,5%), seja de forma isolada ou combinada com outras drogas anabólicas.

Tabela 2.

Distribuição dos praticantes de musculação de acordo com o tempo de prática e o uso de esteroides anabolizantes (N = 100)

Variável 
Tempo de musculação
3 a 6 meses  10  10 
6 a 12 meses  08  08 
1 a 3 anos  34  34 
> 3 anos  48  48 
Fez uso de esteroide anabolizante
Sim  46  46 
Não  54  54 
Faz uso de esteroide anabolizante
Sim  05  05 
Não  95  95 
Qual esteroide
Deca  01  02,2 
Diabanol  03  06,5 
Durateston  03  06,5 
Testosterona  20  43,5 
Estanozolol  03  06,5 
Oxandrolona  06  13,0 
Deca+Durateston  02  04,3 
Deca+Estanozolol  01  02,2 
Oxandrolona+Estanozolol  01  02,2 
Oxandrolona+Testosterona  01  02,2 
Deca+Diabanol  02  04,3 
Deca+Diabanol+Testosterona  01  02,2 
Deca+Oxandrolona+Testosterona  01  02,2 
Deca+Diabanol+Durateston+Testosterona  01  02,2 
Há quanto tempo usa/usou esteroide
< 1 mês  07  15,2 
1 a 3 meses  04  08,7 
3 a 6 meses  05  10,9 
6 meses a 1 ano  08  17,4 
> 1 ano  22  47,8 
Finalidade do uso de esteroide
Estética  35  76,1 
Ganho de força  11  23,9 
Uso de outros medicamentos/suplementos
Sim  24  52,2 
Não  22  47,8 
Quais medicamentos/suplementos
BCAA  03  12,5 
Wheyprotein  09  37,5 
BCAA+Wheyprotein  05  20,8 
Wheyprotein+Creatina  03  12,5 
Efedrina  01  04,2 
Efedrina+Hepatoprotetor  01  04,2 
Efedrina+Insulina+Hepatoprotetor  01  04,2 
Efedrina+Tamoxifeno+Hepatoprotetor  01  04,2 
Sintomas colaterais
Sim  28  60,9 
Não  18  39,1 
Quais sintomas colaterais
Aparecimento de espinhas  12  42,9 
Espinhas+Agressividade  02  07,1 
Espinhas+Aumento da libido  02  07,1 
Aumento da libido  04  14,3 
Náuseas  02  07,1 
Espinhas+Náuseas  02  07,1 
Pressão alta  03  10,7 
Depressão+Agressividade  01  03,6 
Obtenção do esteroide
Na farmácia, com receita  04  08,7 
Amigos  29  63,0 
Outros estabelecimentos comerciais  13  28,3 
Acompanhamento médico
Sim  01  02,2 
Não  45  97,8 
O acompanhamento médico ajuda/ajudou a prevenir doenças
Não  01  02,2 
Sim  45  97,8 
Efeitos adversos podem ser prevenidos com uso de outros produtos
Sim  22  47,8 
Não  24  52,2 

Fonte: Elaboração própria (2016).

Observou‐se também que a melhoria da estética foi o principal motivo para que esses praticantes de musculação fizessem uso de esteroides anabolizantes. Chama atenção o fato de que a maioria desses usuários já teve efeitos colaterais (28%), conseguiu adquirir tais produtos através de amigos (63%) e não teve qualquer acompanhamento médico (97,8%) para o uso dessas substâncias.

A tabela 3 apresenta a análise de associação entre o uso de esteroides anabolizantes e variáveis sociais e demográficas dos praticantes de musculação. Observou‐se associação entre o uso dessas substâncias e o tempo de prática de musculação, evidenciou‐se que há um risco cerca de duas vezes maior para o uso de esteroides entre aqueles sujeitos com mais de um ano de prática de musculação, quando comparados com aqueles com menos tempo de prática.

Tabela 3.

Análise da associação entre o uso de esteroides e variáveis sociodemográficas dos praticantes de musculação (N = 100)

Variável  Fez uso de esteroide anabolizante n (%)  Não fez uso de esteroide anabolizante n (%)  OR (IC: 95%)  p‐valora 
Idade
18 a 25 anos  33 (71,7)  39 (72,2)  0,97 (0,40‐2,34)  0,95 
26 a 35 anos  13 (28,3)  15 (27,8)     
Sexo
Masculino  22 (47,8)  28 (51,9)  1,17 (0,53‐2,58)  0,68 
Feminino  24 (52,2)  26 (48,1)     
Renda mensal
≤ 1 salário mínimo  37 (80,4)  40 (74,1)  1,43 (0,55‐3,71)  0,45 
1 salário mínimo  09 (19,6)  14 (25,9)     
Escolaridade
≤ 12 anos de estudo  36 (78,3)  42 (77,8)  1,02 (0,39‐2,66)  0,95 
> 12 anos de estudo  10 (21,7)  12 (22,2)     
Estado civil
Solteiro(a)/Divorciado(a)  42 (91,3)  47 (87,0)  1,56 (0,42‐5,72)  0,49 
Casado(a)  04 (08,7)  07 (13,0)     
Tempo de musculação
≤ 1 ano  03 (06,5)  15 (27,8)  1,81 (0,04‐0,67)  0,01 
> 1 ano  43 (93,5)  39 (72,2)     
a

Nível de significância p < 0,05 com o uso do qui‐quadrado de Mantel‐Haenszel.

Fonte: Elaboração própria (2016).

Discussão

Os dados do presente estudo apontam que houve um grande número de praticantes de musculação que faz uso dos esteroides anabolizantes, correspondeu a 46% dos pesquisados. É notório que há um abuso no uso dessas substâncias e, como apontam Razavi, Moeini & Bazmamoun (2014), o uso de esteroides anabolizantes obteve um grande crescimento, não foi apenas restrito a atletas competitivos, abrangeu‐se entre adolescentes, mulheres e pessoas não atletas.

Uma característica importante constatada no presente estudo foi o número de mulheres que fazem ou fizeram uso dessas substâncias (52,2%), equivalente ao número de homens (47,8%). Cabe ressaltar que apesar de ser um hábito comumente associado ao público masculino, as mulheres praticantes de musculação têm buscado opções similares às dos homens para o maior ganho de força e hipertrofia muscular. Isso se deve à insatisfação e também ao conceito de corpo ideal estipulado pela sociedade, faz com que o público feminino tenha o desejo de transformá‐lo. Esse corpo é caracterizado pela musculatura evidente, estipulado sinônimo de perfeição, é um fator que implica a adesão a essas substâncias. A respeito dessa informação, Santos et al. (2006) afirmam que em nossa sociedade atual o corpo é visto como um objeto passível de modelação e alteração de sua estética natural, os anabolizantes são procurados por serem instrumentos para fazer tal mudança corporal para o indivíduo que deseja obter o corpo ideal.

Resultados similares foram encontrados por Solakovic et al. (2015) na Bósnia e Herzegovina, entre 2010 e 2015, com um grupo de 70 desportistas recreativos de até 35 anos. Desse total, 50% dos indivíduos fizeram uso de esteroides anabolizantes, 51,4% homens e 48,6% mulheres, ficou evidente que o uso dos esteroides foi equivalente entre os sexos. Isso permite apontar que, apesar das diferenças relativas aos contextos sociais e culturais presentes nesses países, os dados seguem perfis similares do uso de esteroides anabolizantes aos encontrados neste estudo.

Tremblay et al. (2005) apontam que o uso de esteroides anabolizantes ocasiona aumento da velocidade, da contração e do ganho de massa muscular, da restauração após exercício intenso e de força, objetivo esse apontado por 23,9% dos indivíduos que responderam o questionário no presente estudo. Os outros 76,1% usaram essas substâncias com finalidade estética e isso se deve, em grande parte, à propagação em larga escala na mídia de uma imagem de corpo perfeito e ideal, uma vez que, de acordo com Frois, Moreira & Stengel (2011), essa imagem de corpo idealizada e projetada pela mídia reflete alguns símbolos de valorização, como magreza, musculatura elevada ou definida e imediatismo, o que, além de estar a serviço do consumo, tensiona uma sociedade que deseja corpos belos e esculpidos.

Nesta pesquisa foi percebido que 97,8% dos usuários dessas substâncias não fizeram o uso com acompanhamento médico e os mesmos 97,8% expuseram que acham que o uso acompanhado pode ajudar a prevenir doenças. Fica evidente que os usuários dos esteroides anabolizantes têm o conhecimento a respeito dos danos que podem ser acarretados e há certa preocupação, por parte dos indivíduos que fazem uso de esteroides, com os efeitos colaterais, já que os mesmos participantes que não fizeram o uso acompanhado pelo médico acham que o acompanhamento desse pode ser fundamental na prevenção dos efeitos adversos.

Segundo a American Academy of Pediatrics (1997), o uso de esteroides anabolizantes com fins não terapêuticos não é tão recente, pois seu uso alarmante data da década de 1970. Contudo, Moraes, Castiel & Ribeiro (2015) expõem que é recente a ideia de ampliação do uso dessas substâncias para objetivos estéticos, pois existe diferença temporal do uso dos esteroides anabolizantes para o desempenho e a estética, e que o uso com vistas ao aumento do desempenho não está ligado a estética. Por sua vez, o uso para ambas as finalidades e sem orientação médica pode estar relacionado com riscos à saúde. De acordo com Cunha et al. (2004), os principais riscos à saúde relacionados ao uso de esteroides, no sexo masculino, são infertilidade, impotência, atrofia de testículos, hipertrofia prostática, tumores de próstata. No sexo feminino, predomina a masculinização, com engrossamento de voz, irregularidade menstrual, crescimento de clitóris. Em ambos os sexos pode ocorrer calvície, aparecimento de acne, tumores, disfunções hepáticas, entre outros. Nogueira et al. (2015) deixam explícito que 80,8% dos usuários de esteroides anabolizantes são conhecedores dos efeitos colaterais causados por essas substâncias.

Segundo Kanayama, Hudson & Pope (2010), mesmo após o desenvolvimento de efeitos adversos, os usuários dessas substâncias são resistentes a conversar com o médico sobre o uso dos esteroides, fica imperceptível, na maioria das vezes, essa associação.

Foi constatado nesta pesquisa que 71,7% dos usuários têm entre 18 e 25 anos e isso se deve à grande valorização da aparência, o físico passou a ser objeto de consumo desse público, tornou‐se necessário para esses indivíduos estarem inclusos nos padrões estéticos disseminados pela influência midiática.

A renda mensal que prevaleceu neste estudo (80,4%) é menor ou igual a um salário mínimo, fica evidente a partir dos dados que o acesso aos esteroides anabolizantes é bastante fácil e não há necessidade de obter grande poder aquisitivo para consegui‐los. Santos et al. (2006) apontam que os esteroides anabolizantes são substâncias que se caracterizam pela fácil acessibilidade e o baixo custo para quem deseja a obtenção do estipulado corpo ideal.

Os resultados deste estudo revelam que 93,5% dos indivíduos que fazem ou fizeram uso dos esteroides treinam há pelo menos um ano, o que faz com que a manutenção dos contatos com aqueles que fornecem os produtos aconteça, favorece assim o aumento do número de usuários, uma vez que a falta de conhecimento em conjunto com a ansiedade pela obtenção de resultados leva cada vez mais pessoas a fazerem uso dessas substâncias.

O tempo de prática é um fator importante quando se faz uma associação com o uso de esteroides anabolizantes. De acordo com Nogueira et al. (2015), os usuários dessas substâncias são dedicados e têm uma frequência rotineira nas academias, é um público experiente no que diz respeito a treinamento resistido. Os mesmos autores reafirmam esse contexto quando expõem que 83,9% dos participantes da pesquisa e usuários de esteroides têm pelo menos quatro anos de treinamento. Silva e Moreau (2003) deixam explícito em seu estudo que 72% dos usuários dessas substâncias têm tempo de treino superior a dois anos, 67% dos indivíduos declararam frequência de cinco a seis dias semanais nas academias de musculação.

Tal questão pode estar ligada ao fato de que quanto mais treinado o indivíduo é, mais próximo do seu potencial máximo (nível hipertrófico) ele se encontra. Com o tempo, torna‐se mais difícil alcançar maiores níveis de hipertrofia, isso faz com que os praticantes de musculação busquem estimulantes laboratorialmente desenvolvidos, como os esteroides anabolizantes.

Grande parcela dos que participaram desta pesquisa (63%) teve acesso aos esteroides anabolizantes por meio de amigos. Isso se deve à oferta em grande escala disposta pelo mercado ilegal, que, segundo Silva, Danielski & Czepielewski (2002) se dá por meio de farmácias de manipulação ou veterinárias, mercado negro, indevida prescrição médica ou não prescrição, essas substâncias podem ser de procedência duvidosa, muitas das vezes manipuladas sem a higiene adequada.

Cecchetto, Moraes & Farias (2012) apontam que os esteroides anabolizantes em nosso país são caracterizados como medicamentos de uso controlado e assim como os psicotrópicos necessitam de receita médica especial para compra. Porém, pelo menos longe dos grandes centros urbanos, isso não acontece, pois os psicotrópicos precisam de receitas especiais e os esteroides, não.

Vale ressaltar que dentre os anabolizantes listados no questionário usado neste estudo o mais usado foi a testosterona, por 43,5% dos usuários, essa substância é o principal hormônio masculino produzido naturalmente pelo corpo. Todavia, assim como foi presenciado neste estudo, os indivíduos tanto atletas como não atletas fazem usos complementares da testosterona sintetizada em laboratórios e, segundo Cunha et al. (2004), todas as substâncias chamadas esteroides anabolizantes são oriundas da testosterona e no organismo masculino essa substância é abundante, enquanto no organismo feminino é excretada em menor quantidade.

Essa substância está em destaque no mundo dos esteroides, devido a sua grande ação estimulante nos receptores androgênicos, causa um aumento da síntese proteica e consequentemente um grande ganho de massa muscular, acarreta maior interesse por parte dos praticantes de musculação. Assim, o uso da testosterona amplia em diferenciadas proporções o aumento de massa muscular dos membros superiores e inferiores do corpo (Cunha, 2004).

O uso dessa substância também foi bastante evidente no estudo de Razavi, Moeini & Bazmamoun (2014), feito em cinco clubes esportivos, foram 25 participantes de cada clube de Hamadan, província do Irã, com 66,7% dos entrevistados que já fizeram uso dessa mesma substância. Fica claro que o uso dos esteroides anabolizantes íntegros da substância testosterona ou derivados dessa promove um aumento na quantidade de hormônios, assim altera os níveis considerados naturais e, como consequência, há o aumento dos efeitos anabólicos, esses responsáveis pela ampliação da síntese proteica, do crescimento e da reparação muscular. Esses são os principais objetivos dos praticantes de musculação e o uso dos esteroides se deve à grande insatisfação com o processo lento dos efeitos do treinamento em relação ao crescimento muscular, razão pela qual a grande maioria recorre a essas substâncias (Iriart, Chaves & Orleans, 2009).

Os resultados do presente estudo mostram que o consumo de esteroides anabolizantes geralmente está associado com o uso de outros medicamentos ou suplementos (52,2%). Entre os mais usados estão o WheyProtein (37,5%) ou a junção desse com o BCAA (20,8%). O primeiro suplemento é hiperproteico e o segundo é à base de aminoácidos essenciais, o que leva a crer que o uso dos esteroides associados a essas substâncias possivelmente pode provocar um grande aumento de massa muscular, uma vez que os anabolizantes proporcionam uma maior síntese proteica na musculatura esquelética.

De acordo com Rocha e Pereira (1998), em todas as modalidades esportivas predomina o uso de algum suplemento alimentar e na musculação essa predominância se dá entre suplementos à base de proteínas e aminoácidos essenciais. O aumento de massa muscular pode ser ampliado em indivíduos que praticam treinamento resistido por meio de doses suprafisiológicas de esteroides em associação com dietas hiperproteicas (Bhasin e Buckwalter, 2001).

Silva e Moreau (2003) apontam resultados semelhantes em sua pesquisa com 209 praticantes de musculação de três grandes academias da cidade de São Paulo, constatam que usuários ou ex‐usuários de esteroides anabolizantes usam algum tipo de suplemento alimentar (80%) e a proteína está em destaque, com 55% dos usuários. Os resultados do presente estudo mostram que os usuários de esteroides anabolizantes, sejam esses associados com outras substâncias ou não, acreditam em uma eficácia oferecida e têm certo conhecimento ou pelo menos acham que têm ao faze certos tipos de associações, uma vez que a grande maioria dos usuários (93,5%) treina há mais de um ano.

Tratando‐se do tempo de treinamento, suscita‐se que a maioria dos indivíduos com período de treino inferior a dois anos não faz uso de esteroides nos meses iniciais da prática da musculação, talvez pela insegurança gerada pelos comentários com bases empíricas acerca dos efeitos negativos do uso dessas substâncias, o que faz com que os compostos consumidos sejam aqueles que são comumente usados, como proteínas, aminoácidos e termogênicos, entre outros. Entretanto, essa é apenas uma hipótese, são necessários estudos longitudinais que possam acompanhar o comportamento de praticantes de musculação ao longo do tempo para se confirmar ou não essa questão.

Quando perguntados sobre os efeitos adversos observados com o uso dos esteroides, 42,9% dos indivíduos envolvidos na pesquisa relataram o aparecimento de espinhas ou essas associadas com agressividade (7,1%) e aumento da libido (7,1%). Quanto ao aparecimento de espinhas, Melnik, Jansen & Grabbe (2007) relatam que o uso dos esteroides anabolizantes impulsiona e estimula as glândulas sebáceas, causa o aparecimento de acnes simples ou até mesmo o desenvolvimento de acnes mais graves, como conglobata ou fulminante, e como cerca de 50% dos usuários dessas substâncias desenvolvem esse processo inflamatório, os médicos devem avaliar esse procedimento como um abuso no uso dos esteroides anabolizantes.

Foi evidenciado neste estudo que 10,7% dos usuários de esteroides anabolizantes tiveram como efeito colateral a pressão alta. De acordo com Dutra, Pagani & Ragnini (2012), o uso dessas substâncias causa retenção hídrica, que gera uma redução na expulsão de sódio, potássio e cloro, acarreta a pressão arterial elevada. Geleilete, Nobre & Coelho (2008) relatam que o uso frequente dessas substâncias pode influenciar o aumento da pressão arterial e dificultar o controle dessa, uma vez que os indivíduos que fazem uso não relatam espontaneamente ou até mesmo omitem enquanto pacientes.

Em relação aos efeitos colaterais, os indivíduos que fazem uso dessas substâncias não se apropriam de informações adequadas que venham demonstrar os danos que podem vir a ser causados pelo uso dos esteroides anabolizantes, todas as informações são provenientes de experiências próprias ou relatos de colegas (Green et al., 2001; Conceição et al., 1999). De acordo com Iriart e Andrade (2002), os efeitos provisórios, como irritabilidade, acne, náuseas, são entendidos pelos usuários de esteroides como normais e os sintomas mais graves são conhecidos por meio de observações dos colegas de academia e por meio de descrições ou explanações originárias do experimento feito.

Todo esse consumo de esteroides anabolizantes pode simbolizar uma tendência dentro do treinamento. O uso dessas substâncias, mesmo que beneficie o desempenho físico, traz consigo tanto efeitos colaterais de menor preocupação quanto efeitos deletérios e até mesmo irreversíveis para a saúde do indivíduo (Silva, Danielski & Czepielewski, 2002). Como base nos dados expostos, podemos observar também que o tempo de treinamento é determinante para o início do consumo das referidas substâncias anabólicas, visto que a maioria dos usuários treinava havia pelo menos três anos.

Durante o processo de construção deste trabalho ficou perceptível o receio de alguns indivíduos de se expor, talvez por medo de sofrer discriminação, mesmo com a garantia do sigilo das informações fornecidas. Ficou perceptível a carência de estudos referentes a esteroides anabolizantes e seu uso por pessoas atletas e não atletas, principalmente na prática de treinamento resistido, uma vez que esse acervo bibliográfico seria de suma importância para o enriquecimento desta pesquisa, especialmente para a confrontação de resultados.

Conclusão

Observou‐se uso descontrolado dos esteroides anabolizantes por praticantes de musculação. Esse deixa claro que a vontade de conquistar o corpo ideal é preferenciada, ainda que sejam conhecidos os riscos dos efeitos colaterais.

O tempo de treinamento foi a única variável associada ao uso de esteroides anabolizantes entre os praticantes de musculação participantes deste estudo. Isso evidencia que quanto maior o tempo de experiência com a musculação, maiores são as chances de esses praticantes fazerem uso de esteroides anabolizantes.

Fica evidente que o uso dos esteroides sem acompanhamento médico é uma prática habitual dentro do treinamento resistido e expõe seus usuários a riscos e danos, torna‐se um tema indispensável no quesito saúde pública.

Dentro desse contexto, há necessidade da efetivação de mais pesquisas referentes a essa problemática, uma vez que possivelmente essa circunstância faça parte da realidade de outras localidades, é algo passível a investigação. Nessa perspectiva, este estudo visa a colaborar com informações adicionais, pode assim subsidiar investigações futuras similares que busquem alertar sobre o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Agradecimentos

Às academias de musculação e aos sujeitos voluntários pela colaboração e participação no estudo.

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Autor para correspondência. (Jorge Lopes Cavalcante Neto jorgelcneto@hotmail.com)
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Revista Brasileira de Ciências do Esporte 2018;40:309-17 - Vol. 40 Num.3 DOI: 10.1016/j.rbce.2018.03.015