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Vol. 40. Num. 2.April - June 2018
Pages 109-212
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Vol. 40. Num. 2.April - June 2018
Pages 109-212
Artigo original
DOI: 10.1016/j.rbce.2018.01.016
Envolvimento parental no processo de desenvolvimento da carreira esportiva de atletas da seleção brasileira de ginástica rítmica: construção de um modelo explicativo
Parental involvement in the development process of the sporting career among former athletes of the rhythmic gymnastics Brazilian team: building a theoretical model
Participación parental en el proceso de desarrollo de la carrera deportiva de las gimnastas brasileñas de rítmica: construcción de un modelo explicativo
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Fernanda Soares Nakashimaa,
Corresponding author
fernandasn@gmail.com

Autor para correspondência.
, José Roberto Andrade do Nascimento Juniorb, João Ricardo Nickenig Vissocic,d, Lenamar Fiorese Vieirae
a Centro Universitário de Maringá (Unicesumar), Departamento de Educação Física, Maringá, PR, Brasil
b Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Departamento de Educação Física, Programa de Pós‐Graduação em Educação Física, Petrolina, BA, Brasil
c Faculdade Ingá, Maringá, PR, Brasil
d Duke University, Duke, Estados Unidos
e Universidade Estadual de Maringá (UEM), Departamento de Educação Física, Programa de Pós‐Graduação em Educação Física, Maringá, PR, Brasil
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Resumo

Este estudo buscou desenvolver um modelo teórico do envolvimento parental na carreira de ginastas rítmicas e analisar os atributos que levam à autorrealização esportiva. Participaram 15 ex‐ginastas e 20 parentes, por meio de entrevista semiestruturada retrospectiva. Foi feita análise indutiva do perfil idiográfico. Os resultados evidenciaram o envolvimento paterno e materno com apoio emocional e financeiro. Contudo, as mães tendem a prestar um apoio diário e constante, enquanto os pais apoiam mais por meio de apoio financeiro e material. As ex‐atletas destacaram que aspectos físicos, motores e psicológicos contribuíram para alcançar o alto rendimento. O envolvimento familiar e os atributos pessoais da atleta demonstraram ser determinantes na autorrealização esportiva.

Palavras‐chave:
Envolvimento parental
Experiência esportiva
Ginástica rítmica
Abstract

This study aimed to develop a theoretical model of parental involvement in the sporting career among Rhythmic Gymnastics athletes and analyze the attributes that lead to sports self‐realization. 15 former gymnasts and 20 parents answered a retrospective semi structured interview. Inductive analysis using idiographic profile was performed. Both parents have shown emotional and financial support, however, mothers tend to provide daily and ongoing support while fathers act more through financial and material support. Former athletes emphasized that physical, motor and psychological aspects contributed to achieving high performance. Family involvement and personal attributes of the athlete have been shown to be determinants of self‐realization.

Keywords:
Parental involvement
Sporting experience
Rhythmic gymnastics
Resumen

Este estudio intentó desarrollar un modelo teórico de la participación parental en la carrera de gimnastas de rítmica y analizar los atributos que conducen a la autorrealización deportiva. Participaron 15 ex gimnastas y 20 parentes en una entrevista semiestructurada retrospectiva. Se realizó un análisis inductivo del perfil ideográfico. Los resultados pusieron de manifiesto la implicación paterna y materna con apoyo emocional y económico. Sin embargo, las madres prestan un soporte diario y constante, y los padres apoyan más con un soporte económico y material. Los aspectos físicos, motores y psicológicos de las ex gimnastas contribuyeron a alcanzar un alto rendimiento. La participación familiar y los atributos personales demostraron ser determinantes en la autorrealización deportiva.

Palabras clave:
Participación parental
Experiencia deportiva
Gimnasia rítmica
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Introdução

A iniciação no esporte demanda uma série de fatores físicos, técnicos, psicológicos e sociais que contribuem para a adesão e permanência do atleta nesse contexto, possibilitam a construção de uma carreira bem‐sucedida.1 Pesquisas feitas especificamente na ginástica artística feminina demonstraram que, para ser capazes de participar e desenvolver o seu potencial esportivo, as jovens atletas necessitam do apoio dos parentes (Nunomura & Oliveira, 2013). O envolvimento parental demanda o desenvolvimento de habilidades intrapessoal, interpessoal e organizacional para dar apoio ao filho‐atleta de forma competente (Hardwood e Knight, 2015).

Pesquisadores como Tamminen e Holt (2012), Felton e Jowett (2013), Clarke e Hardwood (2014), Sánchez‐Miguel et al. (2015), Amado et al. (2015), Teques e Serpa (2009a), Teques e Serpa (2013) e Teques e Serpa (2009b) têm pesquisado a importância dos parentes no contexto esportivo. Tamminen e Holt (2012), verificaram que a família e os treinadores têm um papel fundamental no processo de aprendizagem do atleta em lidar com o estresse. Felton e Jowett (2013) ao analisar a associação entre a satisfação das necessidades psicológicas básicas com o apego e bem‐estar, encontraram resultados mais significativos na associação entre parentes e atletas do que entre treinador e atleta. As influências negativas da pressão parental sobre as necessidades psicológicas básicas do atleta e a importância do reconhecimento do seu talento por parte dos parentes na facilitação da transição de carreira esportiva são outros aspectos reportados na literatura (Clarke e Hardwood, 2014; Sánchez‐Miguel et al., 2015; Amado et al., 2015). Na ginástica rítmica, a dinâmica do relacionamento familiar, juntamente com determinadas características parentais de personalidade, demonstrou interferir na participação de atletas amadoras (Nakashima et al., 2012).

O presente estudo avança ao explorar o envolvimento parental na carreira de atletas que chegaram ao alto rendimento na ginástica rítmica (GR), com vistas à construção de um modelo explicativo que apresente os padrões de comportamento de pais e mães e as especificidades da participação familiar nessa modalidade ao longo da trajetória esportiva.

Na GR, a importância da família se manifesta no ingresso no esporte, que ocorre, frequentemente, por uma escolha familiar, devido à idade precoce das crianças em iniciação esportiva, bem como na continuidade da prática. Assim, acredita‐se que esse tipo de análise possa trazer informações que orientem parentes e treinadores para uma interação que contribua para o desenvolvimento esportivo positivo da atleta. Para tanto, foi usado como base o Modelo do Envolvimento Parental no Esporte de Teques e Serpa (2009a).

Considerando a complexidade da análise das interações familiares na carreira de atletas, o modelo de Teques e Serpa (fig. 1) foi adaptado para o contexto esportivo a partir do modelo para o ambiente acadêmico de Hoover‐Dempsey e Sandler (2005). O modelo considera uma perspectiva integrada e multidimensional na qual, por meio de variáveis dinâmicas, se busca explicar como se desencadeia o processo em que o envolvimento parental pode influenciar no alcance da autorrealização esportiva do filho‐atleta. Assim, o modelo é interpretado de forma ascendente. Entretanto, as variáveis dos diferentes níveis podem se relacionar de forma complexa e constante ao longo da carreira no esporte.

Figura 1.
(0.35MB).

Modelo do envolvimento parental para o esporte adaptado por Teques e Serpa (2009a).

O primeiro nível apresenta os principais aspectos que pretendem explicar por que a família se envolve na prática esportiva dos filhos. O segundo nível refere‐se aos mecanismos psicológicos parentais usados durante as ações de envolvimento. O Nível 3 corresponde à percepção da criança sobre os mecanismos de envolvimento parental situados no nível anterior. No Nível 4 estão os atributos que podem ser desenvolvidos pelo atleta, que contribuem para o alcance da autorrealização e sobre os quais o envolvimento parental pode ter papel crítico. Finalmente, o produto do envolvimento e, consequentemente, a variável distal do modelo (Nível 5), que consiste na autorrealização esportiva.

Diante disso, esta pesquisa teve como objetivo desenvolver um modelo teórico do envolvimento parental na carreira esportiva de atletas da ginástica rítmica que alcançaram o alto nível na modalidade. O interesse específico buscou identificar as características e particularidades de pais e mães em relação à motivação pessoal para se engajar no contexto esportivo, à percepção da solicitação para a participação nesse ambiente, ao contexto vivencial e os mecanismos de envolvimento usados pelos parentes no esporte, bem como explorar a percepção das ex‐ginastas acerca dos mecanismos usados por pais e mães e dos atributos que contribuem para o alcance da autorrealização esportiva.

A seguir serão apresentados os procedimentos metodológicos adotados. Posteriormente, os resultados são expressados juntamente com figuras que revelam os temas emergentes e seus segmentos, os recortes das falas dos entrevistados2 e o modelo construído a partir dessas informações. Na sequência, é feita a discussão acerca dos dados encontrados, considerou‐se a literatura da área. Por fim, é exibida breve conclusão.

MétodosAmostra

Foram convidadas para a pesquisa ex‐ginastas que fizeram parte da seleção brasileira de ginástica rítmica na categoria adulta entre 2000 e 2010 (das provas individual e conjunto) e seus parentes (pai e/ou mãe). Nesse período foram obtidos resultados importantes, como o tricampeonato pan‐americano e a participação três vezes consecutivas dos Jogos Olímpicos (Sidney, Atenas e Beijing). De acordo com esses critérios foram identificadas por meio de um levantamento de documentos (http://www.cbginastica.com.brhttp://www.fig‐gymnastics.com) 44 ex‐atletas, a região Sul concentrava o maior número (45,5%), ficou a pesquisa limitada aos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, obteve‐se o número de 20 ex‐ginastas.

No contato feito com essas ex‐atletas, constatou‐se que duas haviam voltado a treinar em seus clubes e três não concordaram em participar, não fazem assim parte da amostra. Dentre os parentes, sete sujeitos (quatro pais e três mães) não participaram por dificuldades de estabelecer contato e outros três sujeitos (dois pais e uma mãe) por não se relacionar com a filha. Duas participantes eram irmãs, o que diminuiu o número de pais e mães correspondentes. Assim, fizeram parte da pesquisa 15 ex‐ginastas, nove pais e 11 mães. A ex‐atletas participantes da pesquisa tinham entre 19 e 35 anos, a média de início na GR foi de 7,7 anos e a de término da carreira esportiva 19,2 (fig. 2).

Figura 2.
(0.39MB).

Idade atual das ex‐ginastas, idade ao início e término da carreira esportiva e período de permanência na seleção brasileira.

Instrumento de coleta de dados

Os dados foram obtidos por meio de roteiros de entrevista semiestruturada, dirigidos às ex‐atletas e aos parentes. Esse foi elaborado de acordo com os elementos do Modelo de Envolvimento Parental no Desporto (Teques & Serpa, 2013). Para a estruturação da entrevista com os parentes, foram considerados os níveis 1 e 2 do modelo (fig. 1), referentes aos motivos que os levam a se envolver no contexto esportivo e os mecanismos usados nesse envolvimento. Foram classificados como indicadores: a motivação pessoal (construção do papel parental e eficácia parental), a solicitação para a participação (da organização esportiva, do técnico e da atleta), o contexto vivencial (conhecimentos e competências, tempo e energia) e os mecanismos de envolvimento (encorajamento, modelagem, reforço e instrução).

A estruturação da entrevista com as ex‐atletas da seleção brasileira baseou‐se nos níveis 3, 4 e 5 do modelo (fig. 1), teve como indicativos a percepção da atleta acerca dos mecanismos de envolvimento parental (encorajamento, modelagem, reforço e instrução) e os atributos que levam à autorrealização (autoeficácia, motivação intrínseca para a aprendizagem, estratégias de autorregulação e autoeficácia relacional com os treinadores).

Coleta de dados

O presente estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer n°. 353/2011). Inicialmente foi feito contato com os participantes para esclarecimento dos procedimentos da pesquisa, agendamento de datas para a entrevista e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A coleta dos dados foi feita em suas residências ou por meio de videoconferência, com datas e horários pré‐estabelecidos. Foi solicitada a permissão para gravação de voz, para posterior transcrição das informações na íntegra.

Análise dos dados

Uma análise indutiva foi feita por meio do perfil idiográfico das atletas, dos pais e das mães para identificar os temas emergentes comuns de maior generalidade das dimensões gerais e subdimensões previamente estabelecidas de acordo com o modelo teórico de envolvimento parental no esporte de Teques e Serpa (2013). Em primeira instância, todas as entrevistas gravadas em áudio foram transcritas na íntegra. As transcrições foram lidas e relidas a fim de se criar uma familiarização com cada um dos participantes. Em seguida, foram identificados temas emergentes (citações que envolviam ideias principais sobre as temáticas analisadas) que caracterizavam as respostas dos entrevistados. Por fim, buscou‐se uma concordância entre todos os perfis idiográficos (ex‐ginastas e parentes), bem como entre os temas emergentes encontrados.

A partir dos temas emergentes foram levantados os temas de segundo nível denominados “categorias de primeira ordem”. Como uma verificação complementar da análise indutiva, os temas emergentes e as categorias de primeira ordem foram testados por meio de uma análise dedutiva, na qual os pesquisadores voltaram para as transcrições originais e verificaram que todos os temas e dimensões foram representados.

Ao longo da pesquisa foram adotadas as siglas EG para identificar as ex‐ginastas (Ex: EG1, EG2, EG3...), P para os pais (Ex: P1, P2, P3...) e M para as mães (Ex: M1, M2, M3...).

Resultados

Foram investigados, primeiramente, os elementos motivadores do envolvimento parental no esporte: a motivação pessoal (papel e autoeficácia parentais), as solicitações para a participação (do clube, do treinador e da atleta) no ambiente esportivo e o contexto vivencial, que se trata dos conhecimentos e competências que pais e mães consideram ter para contribuir e do tempo e energia disponíveis para se envolver com o esporte.

Em relação à motivação pessoal (fig. 3), verificou‐se que o apoio e a presença eram comportamentos importantes citados por pais e mães. Porém, alguns fatores os distinguem no que diz respeito à construção do papel parental. Enquanto os pais citam o incentivo à responsabilidade e disciplina, as mães manifestaram o elogio, os cuidados e o acompanhamento da carreira da filha como atitudes que consideram como suas funções. Essa informação demonstra que, no caso das mães, a presença vai além de uma forma de demonstrar apoio, compreende o envolvimento com as atividades esportivas da filha e contato com o (a) treinador (a).

Figura 3.
(0.6MB).

Motivação pessoal paterna e materna para o envolvimento no contexto esportivo.

Em relação à autoeficácia parental (fig. 3), os pais apontaram as contribuições no aspecto financeiro, custeio da compra de equipamento necessário aos treinamentos e administração da ajuda de custo que recebia a atleta. Outro aspecto citado foi a capacidade de influenciar a permanência da filha no esporte, evidenciou a importância de integrar a seleção brasileira. Para as mães, as contribuições com as questões financeiras estavam relacionadas às estratégias pensadas em equipe para a arrecadação de fundos e equipamentos, fazer trabalho em ações e promoções junto à organização esportiva. Além disso, algumas mães confeccionavam as sapatilhas, os collants e faziam os penteados para as competições, como reportado pela mãe: “Comecei a fazer sapatilha para ela usar porque eu não tinha dinheiro para comprar. O pessoal [...] fazia chás, bolos para vender, para poder arrecadar fundos. Foi uma luta constante [...] a gente se dedicava [...] em fazer algo para ajudar” (M10).

Em relação às solicitações para o envolvimento parental no esporte (fig. 4), os pais e as mães percebiam que a organização esportiva requisitava a sua participação em competições e reuniões. As mães eram consideradas importantes nas ações promovidas pelo clube. O contato paterno com o (a) treinador (a) era escasso, mas esse acontecia frequentemente com a mãe. No relacionamento com a filha, havia pais que percebiam que a filha gostaria que estivessem presentes nas competições, assim como outros que alegaram não perceber que eram solicitados, mas buscavam estar presentes: “Acho que ela nunca pediu que eu comparecesse, a [ex‐ginasta] é bem reservada [...] ela nunca exigiu a minha presença, nunca pediu, nunca fez questão, mas a gente sempre estava acompanhando” (P1).

Figura 4.
(0.85MB).

Solicitação para participação no contexto esportivo percebido por pais e mães.

Para as mães, as solicitações também aconteciam por parte das filhas para comparecer em competições e, além disso, percebiam que essa era uma forma de a atleta sentir o seu apoio. Mas, assim como os pais, nem sempre percebiam a solicitação por parte da ginasta para estar presentes nos treinamentos, como relata a mãe: “Não, ela não solicitava. Era mais da minha parte, procurando” (M5). Isso leva ao entendimento de que a necessidade de participação nesses momentos era dos próprios parentes, como forma de acompanhar o desenvolvimento da filha.

Sobre o contexto vivencial, no que se trata de conhecimentos e competências, pais e mães consideravam ter pouco ou nenhum conhecimento sobre aspectos técnicos (fig. 5). A participação materna mais próxima ao contexto esportivo permitia que algumas mães obtivessem alguns conhecimentos e chegassem a dar algumas orientações às filhas, mesmo que não tivessem entendimento técnico aprofundado das regras desse esporte, como observado pelo depoimento da mãe: “[..] eu percebia quando estava meio desconcentrada e já falava para ela: primeiramente você tem que concentrar, você chegou na beira da quadra, você esquece que tem o mundo lá, olhando você, que tem alguém olhando para você. Você se concentra, fecha os olhos e vai em frente” (M1).

Figura 5.
(0.6MB).

Contexto vivencial paterno e materno.

Ainda sobre os conhecimentos e competências, os parentes confirmaram que eram capazes de fazer a avaliação do (a) treinador (a) e de perceber quando a filha estava satisfeita ou decepcionada com o próprio desempenho a partir da sua reação (fig. 5).

O contexto vivencial parental referente ao tempo e à energia empregados no envolvimento com o esporte (fig. 5) demostrou que pais e mães assistiam aos treinos eventualmente ou raramente por falta de tempo, mas também por entenderem que a sua presença não era adequada. Quanto às competições, observou‐se que buscavam estar presentes.

No que diz respeito aos mecanismos de envolvimento parental no esporte (fig. 6), quatro aspectos foram explorados: encorajamento, modelagem, reforço e instrução, conforme preconiza o modelo (fig. 1). Por meio das entrevistas com os parentes verificou‐se que o encorajamento paterno no contexto esportivo se baseava em incentivar a persistência e a superação e no apoio prestado ao levar e buscar nos treinos. Já as mães demonstraram encorajar não somente com suas palavras de incentivo e motivação, mas por meio de esforços na busca de patrocínio, apresentar atitudes mais diretamente ligadas à carreira esportiva.

Figura 6.
(0.64MB).

Mecanismos de envolvimento parental no esporte demonstrados por pais e mães.

Apesar da participação diferenciada entre pais e mães, as modelagens paterna e materna buscavam estimular atitudes de responsabilidade, disciplina e destacavam a importância de saber ganhar e perder. Entretanto, a modelagem paterna acontecia por meio dos seus exemplos de comportamento em ações cotidianas a fim de incentivar a boa conduta da filha, enquanto as mães tinham atitudes modeladoras mais especificamente voltadas para as vivências no esporte: uso do uniforme e dos cabelos presos, pontualidade nos treinos, o respeito para com as adversárias e colegas de equipe e obediência para com o (a) treinador (a).

Em relação ao mecanismo de reforço (fig. 6), os elogios e as críticas foram citados por pais e mães como estratégias para manter ou desenvolver comportamentos considerados positivos. Dentre as atitudes positivas foram citadas o esforço, a dedicação, o respeito com as colegas, as adversárias e com o (a) treinador (a). Por outro lado, eram considerados como comportamentos negativos as ações opostas a essas.

No mecanismo de instrução (fig. 6), enquanto os pais apontaram a orientação generalizada para manter o foco no esforço e não no resultado, as mães instruíam de forma mais precisa ao momento esportivo como manter a concentração nos treinamentos e/ou competições e algumas ainda citaram que passavam instruções técnicas.

A partir deste momento apresentamos os dados coletados nas entrevistas feitas com a ex‐ginastas. Dessa forma, foi possível obter informações acerca do envolvimento parental do ponto de vista das ex‐atletas entrevistadas. Por meio da percepção dessas acerca dos mecanismos parentais demonstrados ao longo da sua carreira esportiva foi possível confrontar com os resultados obtidos a partir da entrevista com os pais e as mães (fig. 7). Do ponto de vista das ex‐atletas o encorajamento parental era percebido pelo incentivo à persistência e ao esforço. Especificamente em relação aos pais, foi citado o estímulo para que fizessem suas próprias escolhas, enquanto à mãe foi vinculada ação em busca de patrocínio, conforme relatado pela ex‐ginasta:

O comportamento da minha mãe era sempre de estímulo, ela estimulava bastante [...] todo patrocínio que eu consegui foi ela que foi atrás [...] eu via que ela lutava junto comigo [...], ela também queria. Então, acho que isso de certa forma é me encorajar a continuar. (EG15)

Figura 7.
(0.37MB).

Mecanismos de envolvimento parental no esporte percebidos pela ex‐ginasta.

A modelagem (fig. 7), apresentada pelos comportamentos parentais que estimulavam a honestidade, a responsabilidade e a humildade, era considerada comum a pais e mães. A orientação para o foco no esforço, e não para o resultado, era vista como uma atitude paterna, assim como relataram os pais. Os elogios ao esforço e ao bom desempenho, assim como as críticas quando julgadas necessárias pelos parentes, também foram citados pelas ex‐ginastas como mecanismo de reforço de pais e mães (fig. 7). Segundo as ex‐atletas, ambos não costumavam passar instruções técnicas, apenas em relação à postura e expressão corporal quando se tratava da mãe (fig. 7).

Acerca dos atributos que podem ter contribuído para que alcançassem o alto nível na GR (fig. 8), os quatro aspectos previstos no modelo (fig. 1) foram explorados: a autoeficácia, a motivação intrínseca para a atividade, as estratégias de autorregulação e a autoeficácia relacional com os treinadores. Em relação à autoeficácia, foram apontadas a coordenação motora, a flexibilidade, a agilidade e capacidade de expressar‐se corporalmente, assim como o biótipo magro e a força muscular que tinham como características físicas que a destacavam como atleta no contexto da modalidade. Além disso, atributos psicológicos, como otimismo, autoconfiança, determinação, alegria, resistência, estabilidade emocional e perfeccionismo, foram considerados importantes para o alcance dos seus resultados, como percebido no depoimento da ex‐ginasta:

Eu tinha mais facilidade de fazer os movimentos, a coordenação fina era muito boa, tinha flexibilidade boa, era bem magrinha. Acho que sempre pensei num objetivo, nunca fui uma pessoa negativa, nunca coloquei muitos obstáculos nas coisas que vinham acontecendo [...] e aí acho que isso ajudou. (EG1)

Figura 8.
(0.77MB).

Atributos que levaram à autorrealização esportiva de acordo com as ex‐ginastas da seleção brasileira de GR.

No atributo motivação intrínseca para a aprendizagem (fig. 8), os principais motivos apontados foram o amor pela GR, o prazer da prática, o estabelecimento de metas, gostar da competitividade, além de considerar ter talento para a ginástica, conforme relatado por EG6:

Primeiramente, o amor pela modalidade. Segundo porque a modalidade instiga você a sempre querer mais, melhorar mais, testar coisas novas e, devido a isso, eu sempre tinha um objetivo a alcançar. Terceiro porque com o tempo e com os resultados em campeonatos eu percebi que tinha talento e características físicas propensas para a prática da GR. (EG6)

As estratégias de autorregulação (fig. 8) incluem o próprio treinamento como a principal maneira de aprimorar o rendimento, bem como o uso de recursos audiovisuais para a análise de suas apresentações. A valorização do feedback do treinador e a fé também foram apontados, como relata a ginasta: “Eu lembro que sempre fui uma ginasta que treinava muito. Eu sempre acreditei no treinamento, na preparação. Essa parte de preparar, de fazer melhor cada treino estava dentro de mim. [...] cada vez que eu entrava na quadra, mesmo sendo treinamento, eu sempre fazia o melhor” (EG2).

Na autoeficácia relacional com os treinadores (fig. 8), foram evidenciados aspectos positivos como a motivação, o apoio social e a confiança mútua treinador‐atleta. A exigência e o comportamento rigoroso também foram citados como importantes ao rendimento. Foram notadas grandes diferenças nas relações entre a atleta e a treinadora do clube e da atleta com a treinadora da seleção, como evidenciam os depoimentos das ginastas:

[...] a (treinadora do clube) era uma mãe [...]. Ela era muito rígida [...] mas depois dava o colo. Sempre incentivou muito. Eu tenho um carinho enorme por ela. Aprendi muito com a (treinadora da seleção), apesar de achar a opção de treinamento [...] um pouco diferente. Então, como a gente chegou lá mais velha, [...] teve que forçar o relacionamento e acho que isso dificultava um pouco. Na seleção, eu tive mais problema psicológico. A cobrança era diferente [...] e a técnica, a forma como ela lidava com as ginastas [...] influenciava mais negativamente. (G4)

[...] a [treinadora do clube] me dava apoio não só dentro da ginástica, mas também fora. Ela me pegava em casa todos os dias porque eu morava longe do clube e a minha família era a que menos tinha condição financeira. Ela foi superimportante na minha vida (G5).

Pela análise desses elementos foi possível organizar as informações obtidas para a construção de um modelo teórico para o contexto da GR. O modelo de envolvimento parental na ginástica rítmica (fig. 9) identifica as particularidades dessa modalidade e permite uma visualização global do processo que envolve os aspectos da participação dos parentes e os elementos que contribuem para a autorrealização das ginastas (seleção brasileira).

Figura 9.
(1MB).

Modelo explicativo do processo de envolvimento parental no contexto brasileiro da GR de alto rendimento.

A base do modelo (fig. 9) apresenta os motivos que levaram os parentes a se envolver no contexto da GR relacionados a três aspectos: motivação pessoal, solicitações para a participação e contexto vivencial (Nível 1). Posteriormente (Nível 2), são apresentados os mecanismos que os parentes desempenharam ao longo da sua participação (encorajamento, modelagem, reforço e instrução) e, em seguida, como esses mecanismos eram percebidos pelas ginastas (Nível 3). Por fim (Nível 4), são identificados os atributos que favoreceram a busca da sua autorrealização no esporte (autoeficácia, motivação intrínseca para a aprendizagem, estratégias de autorregulação e eficácia relacional com os treinadores). Culmina na autorrealização esportiva (Nível 5), entendida como o alcance do alto rendimento ao integrar a seleção brasileira.

Discussão

O presente estudo avançou no sentido de buscar compreender o envolvimento parental na GR, construir um modelo explicativo que apresenta os padrões de comportamento e as especificidades dessa modalidade no que diz respeito à participação de pais e mães de atletas que chegaram ao alto nível, integraram a seleção nacional.

Foi possível perceber distinções no envolvimento paterno e materno com o ambiente da GR, demonstrou‐se que as mães, de maneira geral, apresentaram uma participação mais efetiva ao longo da carreira esportiva. Sobre isto, Vieira et al. (2014) apontam que os pais se entendem como provedores materiais e morais da família, enquanto as mães prestam um cuidado mais direto aos filhos. Essa situação parece se refletir no contexto da GR em que os pais se percebiam eficazes na prestação de contribuição financeira e na influência da permanência da filha no esporte. As mães, por sua vez, prestavam o seu apoio financeiro de forma diferenciada dos pais, participavam da elaboração e organização de estratégias para levantar fundos com ações e promoções em prol da equipe. Essa atitude materna permitia e reforçava o envolvimento mais próximo com o ambiente esportivo.

O contato frequente entre treinadores e parentes demonstrou ser um comportamento presente nesse contexto, principalmente com as mães. Smoll et al. (2011) afirmam que quando os treinadores mantêm os canais de comunicação aberto aos parentes têm maiores oportunidades de estabelecer um relacionamento construtivo com esses. Porém, foi percebido que essa relação entre treinadores e parentes, frequente nos clubes esportivos, era escassa ou inexistente quando se tratava de seleção brasileira, conforme reclamaram alguns pais e mães, que não concordavam com essa conduta. A questão geográfica pode ter sido o primeiro fator a ter influenciado nesse afastamento, pois a seleção exigia a concentração das ginastas na cidade sede, principalmente no caso dos conjuntos. Dessa forma, a família passou a estar longe local de treinamento e, consequentemente, do contato direto com o (a) treinador (a), que não solicitava a participação familiar da forma como acontecia nos clubes.

Além disso, a queixa dos parentes de que não era solicitada a sua participação quando seleção brasileira pode ter demonstrado a dificuldade que encontraram de lidar com a transição de carreira da ginasta que, na realidade, pode não acontecer de forma gradativa. Essa transição acarreta mudanças da posição ou papel das pessoas envolvidas e leva a um período de crescimento e adaptação (Bronfenbrenner, 1996). Uma equipe nacional tem níveis de exigência e objetivos diferenciados em relação a um clube esportivo, além de uma estrutura financeira distinta, e isso pode refletir nas relações família‐treinador, família‐atleta, atleta‐treinador.

Nos clubes esportivos, apesar de o relacionamento entre parentes e treinadores ser constante, pais e mães evitavam se envolver em assuntos de treinamento. A não interferência nessas questões pode ser considerada um comportamento positivo ao demonstrar o respeito ao espaço em que o responsável é o profissional esportivo. A intervenção parental demasiada tem consequências negativas, conforme constatado por Nunomura e Oliveira (2014) em pesquisa no contexto da ginástica artística feminina, atrapalha a evolução das atletas.

Embora evitassem a interferência em questões técnicas, pais e mães analisavam a capacidade do treinador no desempenho de suas funções e no tratamento com as suas filhas. Conforme apontam Vella et al. (2012), é relevante o papel dos treinadores enquanto facilitadores de um desenvolvimento positivo e na qualidade das experiências de jovens atletas. Dessa forma, a atenção parental acerca da relação treinador‐atleta está pautada na preocupação com a qualificação do profissional para lidar com a filha‐atleta e na sua capacidade em contribuir com o seu crescimento esportivo.

O tempo e energia despendidos pelos parentes para presença em competições pareceu ser relevante. Yesu e Harwood (2015) discorrem que os atletas desejam que pai e mãe forneçam apoio em situações de competição, ajudem‐nos a se sentir preparados, por meio de seus comentários positivos. Algumas mães inclusive costumavam acompanhar a equipe nas viagens para as competições.

Por meio dos mecanismos de envolvimento dos parentes, percebeu‐se que conceitos importantes foram transmitidos, como o incentivo, o encorajamento ao enfrentamento de problemas, o estímulo da motivação, aspectos considerados importantes por Teques e Serpa (2009b) para o bem‐estar e para as respostas psicológicas do filho‐atleta. Na presente pesquisa constatou‐se que além do apoio emocional o apoio prestado para ir aos treinos, para adquirir equipamentos ou para conseguir patrocínios e recursos financeiros foi essencial.

Segundo Perconte (2009), parentes e treinadores conduzem o atleta por meio de seus exemplos e pelas interações cotidianas. Os pais e mães pesquisados incentivavam a sua responsabilidade, humildade e honestidade, além do foco no esforço, e não no resultado. Além disso, usavam de elogios, que podem ser uma forma de encorajamento verbal e importante para criar um ambiente positivo de aprendizagem, autossuperação e gratificação pessoal, ao reconhecer o esforço (Moraes & Knijnik, 2009). Os parentes relataram que as críticas eram feitas quando as atletas apresentavam atitudes contrárias aos comportamentos incentivados por esses e não pareceram refletir de forma negativa.

A percepção dos mecanismos de envolvimento parental pelos atletas, de acordo com Teques e Serpa (2009a), são elementos que favorecem a construção de atributos que permitem o alcance da autorrealização (autoeficácia, motivação intrínseca para a aprendizagem, estratégias de autorregulação e autoeficácia relacional com os treinadores). Características físicas, motoras e psicológicas específicas parecem ter contribuído para o sentimento de autoeficácia, uma vez que gerou um autojulgamento de ser capaz de fazer, além de motivar na busca de atingir objetivos (Feltz & Öncü, 2004).

Outros elementos motivadores eram o amor pelo esporte e/ou o prazer pela prática, a busca de objetivos, a competitividade e julgar ter talento, aspectos considerados essenciais na manutenção da motivação intrínseca para a aprendizagem. A busca da melhoria do desempenho acontecia pelas estratégias de autorregulação em que, entre outras ações, pode ser destacada a valorização do feedback do treinador. Gershgoren et al. (2011) afirmam que, de forma positiva, o feedback transmite expectativas positivas sobre o potencial e capacidade do indivíduo, estimula‐o a fazer a ligação entre esforço e sucesso e o faz notar o seu progresso.

Sobre o relacionamento entre treinador (a) e atleta foi notada a grande importância que a treinadora do clube teve para a maioria das ginastas, diferentemente do que era percebido na relação com a treinadora de seleção, considerada mais “fria” e sem esse trato carinhoso. A maioria das ginastas consideravam a treinadora do clube como uma “segunda mãe”, devido à convivência constante desde a infância. Além disso, foi citado o apoio que a treinadora prestava, que ia além do contexto de treinamento, buscava a atleta em casa para ir aos treinamentos, por exemplo. Esses dados corroboram os resultados encontrados por Boaventura (2016) que demonstram a participação da treinadora em outros aspectos da vida da atleta além da esportiva, como a preocupação com o desempenho escolar e a vida afetiva. Por outro lado, a relação “forçada” com a treinadora da seleção brasileira demonstrou ter sido um aspecto que refletiu negativamente para as ex‐atletas, que, naquele momento de adaptação a uma nova realidade de treinamento, sem a família por perto, sentiram falta de apoio emocional.

Diante dos dados obtidos nesta pesquisa fica evidente a importância de um trabalho conjunto entre organização esportiva, treinadores, pais e ginastas para a manutenção do desempenho atlético e a autorrealização esportiva.

No fim desta discussão, vale ressaltar que, apesar da intenção de fazer avanços científicos e trazer contribuições para a área da psicologia do esporte, esta pesquisa apresenta algumas limitações: o fato de não ter considerado as ginastas das outras regiões do Brasil, trazer dados mais representativos acerca da realidade brasileira; a feitura da pesquisa por meio de um corte transversal, o que impede o entendimento mais profundo de um processo em longo prazo; além do fato de não considerar o papel dos treinadores, o que não permite uma compreensão mais abrangente e precisa do processo de desenvolvimento da atleta. Diante disso, sugere‐se que futuras pesquisas façam análises que incluam a participação dos treinadores.

Conclusão

Percebe‐se que no contexto da GR brasileira o envolvimento parental apresentou comportamentos específicos ao longo da carreira esportiva das ex‐ginastas que conseguiram alcançar o alto nível. Pais e mães demonstraram participações diferenciadas e que parecem ter contribuído, cada um à sua maneira, para o desenvolvimento de atributos psicológicos nas atletas. Foi observado que a participação dos parentes influencia o desempenho atlético das ginastas, o acompanhamento materno é mais íntimo e frequente do que o paterno. Os mecanismos de envolvimento parental usados e o fato de proporcionarem condições para o desenvolvimento da carreira esportiva em uma modalidade que, por escassez de patrocínio, a família é a principal subsidiadora, demonstrou ter sido determinante. Pretende‐se que esse modelo auxilie os parentes, os treinadores demais envolvidos com a GR a analisar e refletir acerca das relações interpessoais, principalmente a participação parental. Espera‐se também que os clubes esportivos percebam a importância de promover encontros em que possam discutir e instruir os parentes acerca de aspectos considerados fundamentais ao envolvimento parental e o desempenho atlético.

Financiamento

Esta pesquisa recebeu apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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Para uma ginasta brasileira, o fato de ser selecionada para compor a equipe nacional pode ser considerado como o reconhecimento da sua capacidade como atleta de alto nível. Assim, esta pesquisa considerou como uma carreira bem‐sucedida e o alcance da autorrealização esportiva a integração à seleção brasileira.

Os depoimentos dos entrevistados passaram por uma reformulação, sem alterar o conteúdo, retiraram‐se interjeições e corrigiu gramaticalmente o discurso a fim de facilitar a compreensão do leitor.

Idiomas
Revista Brasileira de Ciências do Esporte

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